quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Triste reflexão

Por Carlos Otavio Vaz - Advogado/ Niterói - RJ

Ao querido coronel Emir Larangeira, para seu blog.

Estou trabalhando há cinco meses como advogado e consultor de uma empresa na Europa. Por estes dias, eu estava almoçando aqui na Suíça e fiquei muito triste quando me deparei com policiais daqui. Pensei: “Como somos diferentes!” Mas não é só pelo país, por sua riqueza e sua cultura. A diferença fica bem transparente quando comparamos os policiais daqui de fora com os do nosso país.

E fiquei me perguntando: “Será que a polícia daqui, de um país sem desigualdades sociais discrepantes, como as do nosso Brasil, um país que não tem favela, pobreza, miséria, quadrilha armada de tráfico de drogas, no qual a polícia está acostumada somente a apartar brigas de marido e mulher, a dar corretivos em bêbados e jovens transviados, a importunar estrangeiros ilegais, a cuidar de pequenas discussões e brigas de trânsito, teria capacidade de enfrentar a guerra à qual nossos policiais do Rio de Janeiro estão acostumados?”
Realmente fiquei pensativo por alguns minutos refletindo sobre isso. E me perguntei de novo: “Será que eles teriam a coragem de trocar tiros e arriscar suas próprias vidas diariamente em plena favela carioca? Eles, que devem ter sido bem treinados, têm equipamentos de Primeiro Mundo, carros superpotentes e equipados, supersalários! Será?”

Logo cheguei a uma conclusão muito triste. E não é só por saber da diferença de salários dos nossos homens da lei, o risco que eles correm ou a falta de equipamentos adequados para enfrentar a guerra urbana declarada na qual combatem diariamente, nem mesmo pelo medo e o terror com os quais convivem suas famílias, mas por um detalhe, a meu ver, ainda muito pior: A FALTA DE RECONHECIMENTO DO NOSSO POVO PARA COM ESSES HOMENS E PROFISSIONAIS.

Eu só ouço falar em direitos humanos, direitos dos presos... E me pergunto mais uma vez: “E os direitos dos nossos policiais?” O que vemos constantemente é o Poder Executivo a interferir no Poder Judiciário, em vez de cuidar de sua função precípua, e o Poder Judiciário a aplicar leis ultrapassadas, que não valem para a sociedade em que vivemos.
Esta é a nossa realidade!

Carlos Otavio Vaz


advzurich@hotmail.com & cas@predialnet.com.br

2 comentários:

Diego Ruiz disse...

Caro Dr. C. A. Vaz:
Penso que esses policiais devidamente amparados por todo o seu suporte técnico, não só material, como carrões, mas com a técnica profíssional e ética de toda uma corporação estariam em plena condição de combater os problemas emfrentados pela nossa polícia.
É louvável, como está escrito, que policiais enfrentem a marginalidade brasileira de baixo de tiroteio como herois de filmes de guerra. E também é absurdo que esse trabalho seja coadjuvante nas notícias quando é sobreposto por direitos humanos e direitos de presos.
Mas acredito no potencial dos policiais sem o preparo de "combate bélico" assim como os policiais cariocas o são. Combateriam, eu penso, com serviços de inteligência, combatendo causas e não consequencias. Uma policia preparada para o combate ao crime que ocorre no Brasil deve estar atuando no desmantelamento das poucas conseqüências que geram tantas causas como das guerras em favelas ao narcotráfico internacional.
Um abraço.
Diego Ruiz Adv/Ctba-pr

Sergio disse...

Parabéns ao Advogado Carlos Otavio Vaz pelo magnifico comparativo entre as forças policiais suiça e brasileira.

Nossos policiais tem a coragem, a ousadia, colocando suas vidas em risco no dia-a-dia violento das grandes cidades por salarios irrisorios e muitas vezes a incompreensão da sociedade.

Em um ambiente de profunda inseguridade social e de risco social permanente, em que as condições de vida se vêem a cada dia mais deterioradas, é muito difícil pensar em ações pacíficas que consigam controlar a crescente onda de violência que vêm dominando a sociedade brasileira por parte do crime organizado.

Enquanto o problema social for um caso de polícia e a defesa dos direitos humanos estigmatizada pela sociedade brasileira, estaremos muito longe de um sistema de segurança pública que consiga estar conjugado com uma política efetiva e permanente de segurança social.