domingo, 15 de janeiro de 2017

A VIOLÊNCIA NO BRASIL – SISTEMA PRISIONAL BRASILEIRO – LEVANTE DE FACÇÕES CRIMINOSAS – SITUAÇÃO DE GRAVE PERTURBAÇÃO DA ORDEM PÚBLICA – QUAL A SOLUÇÃO?



“O mundo está perigoso para se viver! Não por causa daqueles que fazem o mal, mas por causa dos que o veem e fazem de conta de que não viram.” (Albert Einstein)

A falência do sistema prisional brasileiro quase que se reporta aos tempos coloniais. A verdade é que nunca o Brasil primou pelo que se estabeleceu na ordem constitucional em se tratando de guarda de criminosos, sejam temporários ou condenados. A regeneração individual da massa carcerária é caso perdido exatamente porque o preso é tratado como “massa” tão logo ingressa no presídio. E como o sistema prisional é coletivo, a partir de celas coletivas, ao longo do tempo os presos se foram tornando “massa” e assim se organizando a partir da reunião, sob um só teto, de presos comuns com presos políticos, o que se deu no Presídio Candido Mendes, na ilha Grande/RJ, na década de 70, quando surgiram as primeiras facções unidas por pensamentos coletivos e regras internas e externas. Isto antes mesmo de se conhecer o tráfico como se vê nos dias de hoje nas favelas em todo o Brasil, com grande capilaridade no asfalto, onde se encontra a maioria da população viciada e compradora de drogas no varejo.

Ao falar em asfalto, não significa que me refiro a consumidores abastados, não. Minha experiência pessoal enfrentando traficantes em favelas me permitiu constatar que as pessoas pobres da própria favela e da periferia consomem mais que as classes abastadas, estas, que se protegem e recebem a droga a domicílio, não despertando muito a atenção da polícia a não ser em situações escancaradas, o que é raro, polícia não gosta de se arriscar a realizar incursões em prédios de luxo para dar flagrante, prefere as áreas carentes, habitat dos traficantes no varejo, mas que possuem empresas organizadas e hierarquizadas desde o vapor da ponta da linha ao traficante-mor de uma ou mais favelas, desdobrando-se em “gerentes”, “soldados”, “endoladores” (vocábulo que designa aqueles que preparam a pasta de cocaína e a maconha em invólucros para serem comercializados um a um e aos milhares). À guisa de ilustração, acrescento neste ponto matéria jornalística se reportando a uma operação que comandei na favela de Acari, no final da década de 80, que bem demonstra a pujança do tráfico ontem e hoje. E, pelo visto, assim sempre o será...







Naquela época, as armas mais corriqueiras da polícia e dos traficantes eram metralhadoras, pistolas, revólveres e escopetas. Não era comum o uso de fuzis e a mortalidade, de lado a lado, não era como hoje, claro que por conta do uso de fuzis de última geração, nacionais e estrangeiros, tanto pela polícia como pelos bandidos. Na verdade, o fuzil é arma da moda no mundo inteiro, bastando observar policiais de países que de quando em quando ocupam o noticiário por serem vítimas de terrorismo, não se podendo negar a facilidade com que fuzis circulam nos subterrâneos da criminalidade comum e do terrorismo. Também posto aqui matéria jornalística se reportando ao primeiro fuzil sofisticado (Fuzil AR-15, versão civil do M-16, fabricado pela Colt norte-americana) apreendido na favela de Acari por PMs meus comandados também no final da década de 80, para mim um significativo marco de mudança nos hábitos de policiais e bandidos em se tratando de armas e de mortalidade sem mais controle em virtude de leis frouxas, que, a pretexto de defesa de direitos humanos, privilegia bandidos bem mais que policiais, um absurdo que responde pelo caos nas ruas e nos presídios brasileiros, tendo como alicerce o bilionário e transnacional tráfico de drogas e de armas.




Creio que neste ponto já se pode falar nos motins em diversos presídios pátrios, sem preocupação em enumerar mortos e feridos ou fugas em massa. A situação, de tão aberrante, salta aos olhos de todos os brasileiros e se encaminha para o acirramento de uma “GRAVE PERTURBAÇÃO DA ORDEM PÚBLICA”, inegável situação de “ORDEM INTERNA” a demandar ações de DEFESA INTERNA por parte das Forças Armadas, nos termos do Art. 142, caput, da CRFB. Mas antes se deve definir o significado do caput do Art. 144, que muita gente, por conveniência, confunde e mascara o seu sentido, que deveria ser assumido pelos gestores políticos nos três patamares do poder estatal: União, Estados Federados e Municípios. Diz o Art. 144 no seu caput: A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: [...]”

Não é caso de listar os órgãos, ficando tal incumbência ao leitor. Mas é caso de demonstrar que existe uma ORDEM capitulada no caput do Art. 142 que está sob o manto das Forças Armadas (“As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem."). 

A distinção se explica com facilidade ao se observar a Doutrina do Direito Administrativo da Ordem Pública e seus conceitos, que são universais e consensuais entre os estudiosos do assunto. A ORDEM PÚBLICA é uma SITUAÇÃO, a SEGURANÇA PÚBLICA é GARANTIA da ORDEM PÚBLICA e a DEFESA PÚBLICA é o ATO. Só que a Doutrina, diante de uma situação de desordem pública grave, designa-a como “GRAVE PERTURBAÇÃO DA ORDEM PÚBLICA”, indicando a necessidade de acionamento de um sistema de garantias mais poderoso que o da Segurança Pública. Não é mais caso de “PRESERVAÇÃO DA ORDEM PÚBLICA”, mas de sua “RESTAURAÇÃO”. Entra então em cena a SEGURANÇA INTERNA, garantia da ORDEM INTERNA, demandando ações de DEFESA INTERNA. E se antecipar é preciso...

Tal situação, de fato, é o que acontece neste país que tenta ignorar o óbvio por razões de natureza ideológica levada ao extremo da estupidez e da deformação do indeformável, pois nenhuma ideologia pode anular a DOUTRINA, que se situa na explicação da REALIDADE de maneira isenta e científica. Mas é o que se vê e se ouve em discursos atrapalhados de um presidente contaminado pelo medo de enxergar uma realidade que ele, por formação, conhece sobejamente, assim como o seu ministro da Justiça, que igualmente sabe por formação o que aqui explicito. Pois não lidamos com autoridades públicas leigas no assunto, como é caso do presidente e de seu ministro. Muito em contrário, ambos sabem o significado de cada palavra que aqui grafo para depois concluir sobre o cerne desta reflexão, que é o “DEVER DO ESTADO” como grafado no caput do Art. 144 da CRFB, e que significa a imposição do tal “DEVER” à União, aos Estados Federados e aos Municípios”.

Contudo, o vício do cachimbo empurrou para o Estado Federado um DEVER que não é somente dele, mas de todas as entidades políticas em que o ESTADO BRASILEIRO está subdividido como subsistemas de um só sistema: UNIÃO, ESTADOS FEDERADOS e MUNICÍPIOS, não havendo, portanto nenhuma obrigação a mais por parte dos Estados Federados, mas uma obrigação que deveria estar compartilhada pelos Municípios e pela União desde 1988. E agora, pela primeira vez, a crise nos presídios escancara esses dois artigos constitucionais, que deveriam ser levados mais a sério e sem esquivas por todos os gestores políticos (prefeitos, governadores e presidente) numa progressão de baixo para cima e não no meio (Estado Federados) ou de cima para baixo como um favor. Ou então que se mude a CRFB.

Confesso que até então eu me sentia na contramão de direção ao defender esse ponto de vista, até que a Globo News entrevistou, hoje, dia 15 de janeiro, um jurista, que, segundo o repórter, é de renome internacional e especializado em segurança pública. E dele pude ouvir, em outras palavras, esta mesma realidade conceitual descaradamente ignorada pelos atuais detentores dos poderes da República, todos preocupados em enxugar gelo diante de um tsunami que se encaminha para uma tragédia mais que anunciada, para uma CALAMIDADE SOCIAL de grandes proporções, o que infelizmente parece que ocorrerá, pois no meio de um grande incêndio a União propõe um copo d’água: um incompreensível “plano” que a nada se antecipa, como manda um bom plano, mas apenas, como disse na entrevista o estudioso cujo nome, por ser estrangeiro, embora seja ele brasileiro, não gravei: “A União usa esparadrapo para remediar fratura exposta.”

Pois é estúpido anunciar a construção de seis presídios federais como se prestasse favor aos Estados Federados. Enquanto isso, os Municípios silenciam, pois não querem assumir suas responsabilidades constitucionais, que incluem também a segurança pública e suas mazelas, dentre elas a responsabilidade com o sistema prisional a nível localizado e proporcional às suas populações e aos seus orçamentos, claro que integrados e recebendo ajuda da União e dos Estados Federados (ressalva para os que estão atualmente falidos por má gestão e roubalheira, mas vão se recuperar).

Sim, que acordem os Municípios! E que a União tente solucionar o problema do excesso de massa carcerária de baixo para cima, colaborando na rápida construção de pequenas unidades prisionais municipais, que podem ser policiadas por PMs e Guardas Municipais treinados para a função de agentes penitenciários numa primeira etapa. E que as Forças Armadas entrem nesta questão, que é de DEFESA INTERNA, para a RESTAURAÇÃO DA ORDEM que está grafada no Art. 142, caput, da CRFB, como atribuição exclusiva dos militares federais. Ora, estão esperando o quê?...

Ora bem, se nada disso acontecer haverá a CALAMIDADE, o que não será o fim do mundo, pois, como disse o filósofo e psicólogo alemão Erich Fromm:

“A CALAMIDADE É RUIM PARA O POVO, MAS BOA PARA A SOCIEDADE.”

Como exemplos disso temos a Alemanha após a II Guerra Mundial, o Japão após Hiroshima e Nagasaki, e San Francisco, Califórnia, após o grande incêndio de 1906, para não citar exemplos de soerguimento de outros povos afetados por calamidade.


sábado, 7 de janeiro de 2017

VIOLÊNCIA URBANA NO BRASIL – DESENCONTROS E MENTIRAS NÃO ENCOBERTAM A FALÊNCIA DO ESTADO BRASILEIRO EM RELAÇÃO À CRIMINALIDADE E AOS PRESÍDIOS.


“Abramos a História, veremos que as leis, que deveriam ser convenções feitas livremente entre homens livres, não foram, o mais das vezes, senão o instrumento das paixões da minoria, ou produto do acaso e do momento, e nunca a obra de um prudente observador da natureza humana, que tenha sabido dirigir todas as ações da sociedade com este único fim: todo o bem-estar possível para a maioria. Felizes as nações (se há algumas) que não esperaram que revoluções lentas e vicissitudes incertas fizessem do excesso do mal uma orientação para o bem.” (Cesare Beccaria in Dos Delitos e das Penas)
Quem trabalhou com Defesa Civil sabe que as mortes coletivas, em comoriência, produz mais estragos psicossociais do que as que ocorrem em tempos e lugares diversos. Daí é que as chacinas recentes nos presídios brasileiros estão fervendo em desdobramentos midiáticos, enquanto, por exemplo, o assassinato de mais de oito PMs no início do ano corrente, em proporções de mais de um por dia, algo espantoso, passa ao largo do clamor público e não desperta nenhuma solidariedade por parte da sociedade. Há a acrescentar, ainda, a prevalência dos preconceitos sociais contra policiais que exercem funções coercitivas e antipáticas, além de forte dose de rejeição em razão de ideologias extremadas de esquerda neste país tumultuado por rejeições ao que se apresenta como “público”, por razões óbvias. Na verdade, a rejeição afeta os três poderes da República, ao mesmo tempo em que faz emergir grupos messiânicos formados por burocratas que logo são idolatrados pela opinião pública a partir da influência de manifestações veiculadas por uma mídia sem compromisso com a investigação jornalística e maculada por ideologias tendentes ao gramscismo e semelhantes. Eis a inversão de valores, ou sua subversão deliberada, formando um caos onde a verdade desaparece como que sugada por um redemoinho de invencíveis proporções.



No caso das últimas chacinas em presídios, releva sublinhar as absurdas mentiras expelidas por importantes boquirrotos republicanos, logo desmentidas por documentos oficiais recentes. Isto bem demonstra o quanto os últimos governos marxistas-leninistas tornam inviável a crença nas tão propaladas mudanças propostas em eloquência por um governante que, embora legalmente alçado ao cargo máximo do Poder Executivo por demérito de sua parceira em campanha, sabe que não possui nenhuma legitimidade para tocar o Brasil em direção a um futuro promissor. Pois as pessoas por eles escolhidas são as mesmas de sempre, duvidosas e inconfiáveis em todos os sentidos, e ainda ameaçadas por operações policiais e ministeriais concentradas naquela minoria messiânica que quer mais e mais poder para atingir o ápice da “canonização”. Tal situação me faz lembrar uma importante autora, a socióloga norte-americana Martha K. Huggins, que denuncia essa “chantagem protecionista” que aqui resumo em transcrição do livro dela, escudado na citação que ela faz de R. I. Moore (The Formations of a Persecuting Society, Oxford, Blackwell):

 “(...) a transição de uma ‘sociedade segmentar tradicional para outra governada por um Estado implica uma mudança na definição de criminalidade’, que deixa de ser encarada como delito contra indivíduos ou grupos específicos, para passar a ser vista como um delito contra uma abstração, como ‘o interesse público’. De qualquer maneira, ampliar a definição de perigos para súditos ou cidadãos, e torná-la cada vez mais abstrata, proporciona uma justificativa para que se desenvolva um aparelho para conter o que é percebido como ameaça desse tipo.”

Em outras palavras, cria-se do nada uma ameaça, para que esta justifique os serviços de quem argutamente a instituiu, ou, como disse Charles Tilly (The formation of National States in Western Europe. Princeton, Nova Jersey, Princeton University Press), igualmente referido por Martha K. Huggings:

(...) Os construtores-de-Estados agem como empreendedores interesseiros que ‘criam [...] uma ameaça e a seguir cobram [...] ‘por sua redução’ [...] Uma ‘chantagem protecionista’ organizada pelo Estado existe na medida em que as ameaças contra as quais um governo protege seus cidadãos são imaginárias ou então consequências de sua própria ação. 

Voltemos ao caso das chacinas em presídios pátrios, que são de responsabilidade exclusiva do Estado Brasileiro (União, Estados Federados e Municípios), mas que, num primeiro momento, intentaram jogar nas costas de empresas particulares que administram alguns presídios, porém sem chance de o Estado, que detém o monopólio do uso da força, transferi-lo para o particular. Portanto, a ter sido transferida a administração de alguns presídios para o particular, junto com ela não o poderia ter sido transferido o controle absoluto dos apenados, situação de uso gradativo da força pelo Estado, um poder intransferível. Portanto, e para não alongar esta parte, a culpa pelas chacinas é do Estado, seja ele a União Federal, sejam os Estados Federados ou os Municípios, estes, principalmente, que precisam ser enquadrados nos ditames genéricos do caput do Art. 144 da Carta Magna: 

A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: [...]”

Eis o foco de qualquer planejamento a ser feito pela União quanto à segurança pública. Pois o “dever do Estado”, por mim sublinhado, desde muito tempo é concentrado nos Estados Federados, e ninguém quer saber de construir presídios, embora contribuam para enchê-lo de criminosos por meio de seus órgãos repressores a partir das Guardas Municipais. E mais sabemos: a União só passou a construir presídios recentemente, e muitos dos apenados pela Justiça Federal (presos pela PF, pela PRF e demais entes de segurança pública federais) ocupam ou ocuparam vagas em presídios estaduais, um contrassenso. Na verdade, mandar algum dinheiro por meio do Fundo Nacional Penitenciário, sem trocadilho, funciona como penitência por parte da União em relação aos Estados Federados, que ficam com a pior parte: administrar o cumprimento das penas com todas as suas consequências, o que de pronto explica a má vontade dos governantes estaduais, hoje e sempre, com gastos na construção de novas unidades prisionais em vez de escolas e/ou hospitais, tendo ainda de entubar a falsa participação federal e a quase nenhum participação municipal na segurança pública, esta que, como um sistema integrado (globalístico), deveria abranger todos os subsistemas, em especial o subsistema prisional, que, cá entre nós, é o mais complicado de todos.


O que acontece atualmente no Brasil com o sistema prisional segue a lógica simples do crescimento populacional com o consequente aumento da criminalidade, ainda tendo de se considerar a sofisticação do crime a partir da globalização do narcotráfico e do tráfico de armas, o que no Brasil foi assunto de segundo plano durante o regime militar, que só queria saber de “subversão” e direcionou assim a polícia, culminando, no centro dos acontecimentos (Rio de Janeiro), na colocação de presos políticos junto com presos comuns no Presídio Candido Mendes, na Ilha Grande. Lá os presos comuns foram orientados por integrantes de facções guerrilheiras, principalmente o MR-8, e aprenderam a pensar e agir coletivamente, daí emergindo no universo do crime as facções, a partir da Falange do Jacaré, depois Falange Vermelha, depois Comando Vermelho, e por aí a ideia do “coletivo” nas prisões, que assumiu contornos definitivos também do lado de fora, tudo inicialmente ignorado por um sistema situacional cujo foco era exclusivamente voltado para a “subversão”. E assim seguiu o crime no Brasil, desenvolto deiante de um Estado ineficiente e autista, até chegar aos dias de hoje, com espantosa vantagem numérica, tecnológica e bélica para os bandidos. As chacinas vêm sinalizando isto desde muito tempo, desde um massacre havido na própria Ilha Grande, em reedição da “Noite de São Bartholomeu” francesa, lá pelos idos de 1572, conforme insinuou o Cel PM Nelson Salmon Bastos sobre a matança da Ilha Grande em 1979, que merece aqui o repise: (texto extraído da obra do jornalista Carlos Amorim, “Comando Vermelho – A História Secreta do Crime Organizado” (Editora Record)

“[...] Os preparativos para a guerra começam em ritmo febril. Colheres são raspadas na pedra até se transformar em facas. Pedaços de madeira com pregos são clavas medievais de combate. Armas de fogo são improvisadas: um suporte de madeira, um cano de ferro, uma única bala disparada com o impacto de um pedaço de elástico que carrega um prego. Estoques são afiados. Tudo que pode agredir, ferir e matar entra para os arsenais dos grupos rivais. De acordo com o relato que me foi feito pelo comandante Salmon, naquele mesmo dia os presos da Falange Zona Norte optam pela prudência e anunciam que não saem mais da Galeria C, nem para comer. Estão presos numa armadilha. Vai correr sangue no paraíso.



A segunda-feira 17 de setembro de 1979 amanhece ensolarada e quente na Ilha Grande. Céu azul. Nuvens baixas na linha do horizonte. O cenário é cinematográfico. Assim acaba o prazo dado pelo Comando Vermelho para a rendição da Falange Jacaré. Durante toda a madrugada, os "vermelhos" afiam as armas. Os inimigos, abusando da prudência, reúnem os líderes numa única cela, o cubículo número 24 da Galeria C, distante da entrada do corredor. Ali estão, além dos chefões, trinta presos de confiança. Na cela ao lado, outros vinte. Todos armados e dispostos a manter a qualquer preço o controle do presídio. O que acontece a seguir até hoje é mal contado. Mas o fato é que o Comando Vermelho invade a galeria ao raiar do dia, exatamente às cinco e meia da manhã. São dezenas de presos armados no corredor. O grupo anuncia aos berros que vai poupar a vida de quem se render, passando para o cubículo número 19, na mesma ala. Colchões e móveis são amontoados na porta das celas da Falange Jacaré. O fogo pode ser aceso a qualquer momento, alimentado por litros de álcool que os presos usam para aliviar as mordidas de percevejos e pulgas. A galeria é só gritos. A guarda do presídio, curiosamente, não se mete na tremenda confusão.



A pressão é tão grande que os prisioneiros encurralados resolvem enfrentar o ultimato frente a frente. Saem João Carlos da Silva, o Ratinho, e Ozório Costa, o Caveirinha. A ideia é mostrar que não têm medo e que tudo não passa de um blefe dos "vermelhos". A batalha é rápida, sangrenta, implacável. Mais de três dezenas de homens do Comando Vermelho caem em cima deles. São mortos a socos e pontapés, pauladas e golpes de estoque. Os corpos ficam estendidos no meio do corredor.



Sangue por todo lado. Isso basta para que dez presos se rendam e passem à "cela de segurança", cuja porta está vigiada pelo Comando. A guarda continua afastada. Um mistério!



A tensão aumenta. Um machado aparece na mão de um dos homens da organização e a porta do cubículo 24 começa a ser arrombada. Quatro inimigos do Comando tentam romper o cerco, desta vez os líderes mais temidos da Falange Zona Norte: Luiz Carlos Pantoja dos Santos, o Parazão, Jorge da Silva Rodrigues, o Marimba, Carlos Alberto Veras, o Naval, e José Cristiano da Silva. Um grito uníssono estremece o corredor:



— Morte aos canalhas!



Um massacre. Os quatro são despedaçados em minutos, a cela é invadida e outros dez presos são feridos. Em meio a tamanha violência, outros homens da Falange Zona Norte que estão na cela ao lado conseguem abrir um buraco na parede que dá para o pátio. Fogem usando "teresas", cordas improvisadas com ganchos de ferro na ponta que os ajudam a descer do segundo andar. Vão se refugiar no prédio da administração. Quase ao mesmo tempo, os guardas do Desipe e a tropa da Polícia Militar entram no campo de batalha. Tiros, bombas de gás. Porrada em todo mundo.

Dois presos do Comando – Édson Raimundo dos Santos e Ivaldo Luiz Marques de Almeida – são agarrados ainda com as mãos sujas de sangue. Mais duas prisões: Sebastião Prado Santana e Cidimar dos Santos. Na base do cacete, a paz e a ordem vão sendo restabelecidas no "Caldeirão do Diabo". Está no fim a Noite de São Bartolomeu, título que o comandante Salmon usou para definir o massacre no relatório que fez aos superiores. A única noite da história que acontece em plena luz do dia.



O mito da Noite de São Bartolomeu é muito antigo. No primeiro século da era cristã, no lugar onde hoje existe a Armênia, no centro da Europa, o apóstolo Bartolomeu foi preso, esfolado vivo e crucificado de cabeça para baixo. Aconteceu numa certa noite de 24 de agosto. Em 1572, na mesma data, houve um massacre de protestantes franceses, sob o reinado de Carlos IX. Dessa vez eram os católicos que trucidavam dezenas de pessoas. Mas a Noite de São Bartolomeu ganha fama mesmo na década de 30 do nosso século, quando o gangster americano Al Capone manda matar seus rivais de uma só vez na violenta Chicago da lei seca.



No Brasil, o massacre de 17 de setembro de 1979 marca a tomada do poder pelo Comando Vermelho na Ilha Grande. Os grupos menores, que viviam à sombra da Falange Zona Norte, estabelecem imediatamente um pacto com os "vermelhos": a cadeia agora tem uma só liderança. Isto, porém, não significa a paz. Pelo contrário: está inaugurado um período de lutas que vai se ampliar às penitenciárias do continente. Mesmo na Ilha Grande, continua a correr sangue. Dois dias depois da Noite de São Bartolomeu, em 19 de setembro, os presos Luiz de Souto Machado e Dácio da Cruz morrem a facadas no corredor da Galeria A. Os corpos chegam ao IML com vinte perfurações. No dia 29, o acerto de contas continua: Jorge Fernandes Figueiredo, o Pintinha, leva trinta facadas. O assassino de Pintinha é Marcos Sanini Escobar. Na delegacia policial de Angra dos Reis, ele declara com toda a franqueza, em depoimento prestado no dia 30 de setembro:



— Na cadeia, quem não mata morre. Pintinha tava nos devendo. Ontem cansei de esperar. Olhei pra cara dele e parti pra definição, com o estoque na mão. Não sei quantos furos dei nele, porque perdi a conta.



Toda essa matança sistemática leva o comandante Nelson Salmon a redigir um documento ao Comando-Geral da PM, à época chefiada pelo coronel Nilton Cerqueira, o homem que organizou a caçada e a morte do líder guerrilheiro Carlos Lamarca, da Vanguarda Popular Revolucionária. Uma cópia do relatório vai para o Desipe, com minuciosa descrição da luta interna no presídio e suas prováveis consequências. O documento não é levado em conta. E hoje não há uma única pista a respeito do seu paradeiro nos arquivos oficiais do estado do Rio. O próprio comandante Salmon admite:



— Depois disso, só tive problemas. Eles não acreditaram no que eu estava prognosticando. Meus companheiros da Ilha Grande chegaram a me aconselhar a não entregar o relatório. Até agora não entendo direito por que a verdade não podia ser revelada.



A incredulidade das autoridades estaduais tem um preço: a experiência do "fundão" vai ser levada a todas as instituições penais. O braço da organização vai se estender ao redor dos quatorze mil presidiários do estado do Rio de Janeiro, especialmente porque a direção do sistema penal comete um erro muito grave, transferindo para outras unidades carcerárias alguns dos líderes do Comando Vermelho e muitos dos seus inimigos. Momentaneamente, a população da Ilha Grande se reduz - mas a repercussão da matança aumenta. As novas e mais radicais palavras de ordem do Comando Vermelho são ouvidas em todas as cadeias:



1. Morte para quem assaltar ou estuprar companheiros;



2. Incompatibilidades trazidas da rua devem ser resolvidas na rua [...]”

E por aí segue a narrativa do exímio autor, jornalista de renome, ex-diretor de eventos especiais da Rede Globo, que afirma na introdução do seu livro que tudo que nele consta não é ficção, mas fruto de 12 anos de pesquisas. Ponho aqui esta parte para demonstrar a pouca memória das atuais autoridades públicas federais e para também ilustrar os leitores interessados no tema, sugerindo a todos os resgate da obra de Carlos Amorim para ampliar o conhecimento histórico das facções criminosas no RJ e agora no Brasil como consequência da globalização local (nacional) e internacional do crime organizado do tráfico. E para demonstrar, principalmente, que essas autoridades públicas de hoje, brincam com fogo jogando sobre ele mais gasolina.



E quem viver, verá!...





segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O que está por trás da esquerda brasileira?

Parece surreal, mas não é, não. E é bem mais profundo que o denunciado por Bruno Garschagen.


Jornal EXTRA


A esquerda brasileira quer definir o que você pensa. E com dinheiro de bilionário americano



Por: Bruno Garschagen em 

O que você pensa a respeito de temas como desarmamento, liberação das drogas, marco civil da internet, desmilitarização da polícia militar, democracia é fruto de pesquisa e reflexão ou é mera adesão à posição de pessoas famosas, de jornais, de comentaristas de TV, de políticos, de entidades que gozam de boa imagem pública? Se os "progressistas" defendem soluções únicas e amorais para esses problemas, de onde vem esse certo consenso cada dia mais consolidado?

As agendas políticas que hoje despertam paixões, que provocam "polêmicas" e discussões nas redes sociais, são muitas vezes o resultado de um trabalho muito bem articulado de instituições e personagens que nem sempre aparecem. Mas quem são essas pessoas e organizações? E quem as financiam? E qual é a conexão entre Hillary Clinton, candidata do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos, e certos grupos de esquerda do Brasil?

No post "Quem é a Hillary Clinton que a imprensa não mostra?" tentei expor o projeto ideológico e de poder da candidata democrata que a imprensa brasileira ignora ao preferir atacar - com e sem motivos - Donald Trump, candidato do partido Republicano. E também mostrei a influência financeira do bilionário George Soros sobre a família Clinton (Bill e Hillary).

Pois são dois os vínculos de Hillary com parte da esquerda brasileira: 1) um projeto de engenharia social por meio da mudança de mentalidade e de comportamento; 2) o patrocínio de Soros.

Documentos vazados recentemente pelos sites Wikileaks e DC Leaks mostram o grau de influência de Soros sobre Hillary e o Partido Democrata, que receberam cerca de US$ 25 milhões do bilionário até agora para esta eleição. Soros é um dos maiores doadores da carreira política de Hillary, não apenas desta eleição. Um dos emails revela que Soros, mediante um representante, enviou instruções à Hillary, então secretária de Estado, para intervir na política da Albânia, país onde tem negócios. Três dias depois da mensagem, o nome sugerido por Soros, Miroslav Lajcak, foi enviado pela União Europeia para mediar o conflito entre os rivais políticos albaneses.

Investindo o seu dinheiro de forma estratégica, Soros teria orientado políticos do partido Democrata para fazer valer seus interesses dentro e fora dos Estados Unidos, além de ter tentado manipular eleições na Europa. Ainda segundo os documentos vazados, através da Open Society, o bilionário financiou entidades em várias partes do mundo.

E no Brasil? A Open Society injeta cerca de US$ 37 milhões por ano no Brasil e em outros países da América Latina e a Fundação Ford US$ 25 milhões anualmente.

Aqui, várias entidades que gozam de prestígio social fazem parte do grande projeto global de revolução social financiado por Soros a partir da promoção de agendas de grupos defensores do aborto, da legalização das drogas e dos que se travestem de mídia independente para defender certas bandeiras. O Movimento Viva Rio, por exemplo, recebeu US$ 107 mil entre 2009 e 2014 para atuar como representante de uma postura nova e diferente em relação à política de drogas, ou seja, na defesa da liberação. E o Mídia Ninja (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação), que ficou conhecido nas manifestações de 2013 dizendo-se independente, recebeu US$ 80 mil do bilionário. A independência parece ter um preço.

Outro projeto financiado por Soros é o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio), que recebeu US$ 350 mil em 2014 e em 2015 da Open Society e mais US$ 200 mil da Fundação Ford. E quem faz parte do ITS Rio? Ronaldo Lemos, cofundador e seu atual diretor, o nome mais conhecido na elaboração e defesa do Marco Civil da Internet, que abriu a possibilidade de regulação e de controle pelo Estado e que tem sido usado pela justiça como fundamento jurídico para suspender o aplicativo WhatsApp.

Também fazem parte da equipe do ITS Rio Eliane Costa, que foi gerente de patrocínio da Petrobras de 2003 a 2012 (ou seja, durante todo o governo Lula); Lucia Nader, que é Fellow da Open Society Foundations, entidade de Soros; e Ana Toni, que integra o conselho editorial do jornal socialista Le Monde Diplomatique Brasil e que atuou como diretora da Fundação Ford no Brasil de 2003 a 2011 (quase o mesmo período em que sua colega trabalhou na Petrobras). A Fundação Ford, assim como a Open Society de Soros, financia grupos e projetos socialistas no mundo inteiro.

Qualquer coincidência não é mera semelhança.

A drenagem dos recursos de Soros também alimenta entidades criadas por aquelas já financiadas pela Open Society. O ITS Rio, por exemplo, criou o site Mudamos.org, que também recebe dinheiro de Soros e orgulha-se de ter participado da criação do Marco Civil da Internet, que foi elaborado pelo cofundador do ITS Rio, Ronaldo Lemos. O dinheiro entra por vários canais, mas convergem para o mesmo duto.
O idealizador do Mudamos.org é o sociólogo socialista Luiz Eduardo Soares, que foi secretário de segurança pública do governo Antony Garotinho no Rio de Janeiro e secretário nacional de Segurança Pública do governo Lula. Soares é notório defensor da desmilitarização da Polícia Militar e da descriminalização das drogas, cuja proibição tem como consequência, segundo ele, " a criminalização da pobreza, sem reduzir a criminalidade ou o consumo de drogas". Se a pobreza é criminalizada em função da proibição, o sociólogo está dizendo que os pobres são criminalizados por envolvimento com as drogas? Não seria esta uma posição altamente preconceituosa e falsa de alguém que tenta combinar Karl Marx e Michel Foucault?

Soares também é coautor do livro "Elite da Tropa", que deu origem ao filme "Tropa de Elite". Conhecendo como ele pensa é possível analisar o livro de outra forma e entender os seus comentários sobre a reação do público diante do filme.

Sobre a legalização das drogas, o nome mais conhecido da política brasileira a defendê-la é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, cujo instituto que leva seu nome recebeu US$ 111.220,00 em 2015 e 2016.

Outras organizações que receberam dinheiro de Soros para influenciar a sociedade brasileira de acordo com uma agenda revolucionária foi a Agência Pública, do socialista Leonardo Sakamoto, que em cinco anos recebeu mais de R$ 1 milhão da Open Society. É com os dólares de Soros que a Agência Pública diz realizar um "modelo de jornalismo sem fins lucrativos para manter a independência". Independência similar a do Mídia Ninja. Sakamoto também é autor da célebre frase: "o que define uma mulher não é o que ela tem ou teve entre as pernas".

Há ainda o Instituto Arapyaú, fundado por Guilherme Leal, um dos donos da empresa Natura que, em 2010, foi candidato a vice-presidente de Marina Silva, que foi petista por 24 anos até pedir para sair em 2009. Um dos membros do conselho de governança é o petista Oded Grajew, idealizador do Fórum Social Mundial (a disneylândia do socialismo latinoamericano), ex-assessor especial do presidente Lula e coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo, que recebeu US$ 500 mil da Open Society em 2014 e 2015.
A lista vai além. O projeto Alerta Democrático, que recebeu US$ 512.438,00 em 2014 da Open Society Foundations, tem na sua equipe o petista Pedro Abramovay, que trabalhou no Ministério da Justiça nos governos Lula e Dilma e que é, vejam só, Diretor Regional para América Latina e Caribe da própria Open Society. Abramovay também foi diretor no Brasil do site de petições Avaaz, que ele definiu "como um movimento" que não era uma rede social nem "um espaço neutro", mas "um movimento que tem princípios". Por isso, só aceita petições de causas afeitas à ideologia e retira do ar qualquer petição vá "contra os princípios do movimento".
Outro que integra a equipe do Alerta Democrático é o ex-BBB Jean Wyllys, que usa o seu mandato de deputado federal para fazer valer o projeto de engenharia social pela mudança de comportamentos mediante a ação do Estado.

É possível tanto considerar que a esquerda contemporânea tem seguido a agenda de um bilionário com um projeto global de revolução a partir da mudança de mentalidades como achar que a esquerda está usando o dinheiro de um capitalista para financiar a implantação da sua ideologia. Mas não há, como pode parecer, um antagonismo, pois ambos compartilham os meios e os fins ideológicos.

O financiamento de organizações socialistas e comunistas por uma certa elite econômica nem é uma novidade histórica: os revolucionários russos foram financiados por grandes empresários para fazerem a revolução de 1917; os nazistas foram financiados por grandes empresários para conquistarem o poder em 1932; os petistas foram financiados por grandes empresários até conquistarem o governo federal em 2002.
Sequer o projeto global de Soros é novidade para o leitor atento. Desde o fim da década de 1990 o professor Olavo de Carvalho alerta para o financiamento de entidades socialistas realizado por Soros e outros endinheirados. Muitos dos artigos sobre o tema foram publicados no jornal O Globo e depois reunidos no livro " O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota", organizado pelo colunista da VEJA.com Felipe Moura Brasil e publicado pela Editora Record.

E porque Soros faz o que faz?


"Soros é, possivelmente, o indivíduo sem cargo eletivo mais influente do mundo. Possuidor de uma fortuna pessoal estimada em US$ 13 bilhões e administrando US$ 25 bilhões de terceiros, é tão poderoso no Partido Democrata americano que no programa humorístico Saturday Night Live foi chamado de 'dono' do partido. E na prática não é nada muito diferente disso. Dentro do Partido Democrata, candidatos independentes, não ligados a Soros, são cada vez mais raros.

George Soros se vê como um missionário das próprias utopias e não conhece limites para usar sua fortuna quase sem paralelo para influenciar a política, a imprensa e a opinião pública em diversos países, especialmente os EUA. Como ele mesmo disse, 'minha principal diferença de outros com uma quantidade de recursos acumulados parecida com a minha é que não tenho muito uso pessoal para o dinheiro, meu principal interesse é em ideias.' Soros também revelou que seu sonho era escrever um livro 'que durasse o mesmo que nossa civilização' e que ele valorizaria isso mais do que qualquer sucesso financeiro. Ele já lamentou que mudar o mundo é muito mais difícil do que ganhar dinheiro. Num livro de 1987, disse que já tinha se achado uma espécie de deus mas que depois se convenceu que seria mais como uma mistura de John Maynard Keynes com Albert Einstein.

Há 30 anos, Soros mantém a Open Society, nome tirado de um livro de Karl Popper. A Open Society é uma ONG bilionária destinada a influenciar a opinião pública e a política no mundo. Ela está presente em mais de 70 países é tão poderosa que, em alguns regimes, é considerada um 'governo informal'.

Nos EUA, mantém o poderosíssimo Media Matters, que dá o tom de praticamente toda imprensa americana, além de ser o principal financiador do The Huffington Post, um ícone da esquerda mundial. A Open Society é inspirada pela idéia do filósofo francês Henri Louis Bergson que acreditava num mundo com valores morais 'universais' e não de sociedades 'fechadas', o que influenciou vários pensadores que até hoje criticam os ideais do pais fundadores da nação americana e do 'excepcionalismo americano'.

Soros é tão próximo de Bill Clinton que alguns dos mais importantes ocupantes de cargos públicos no seu governo são considerados indicações diretas dele. Em 2004, gastou tudo que podia para tentar impedir a reeleição de George W. Bush mas não conseguiu.

Em dezembro de 2006, George Soros recebeu Barack Obama em seu escritório em Nova York. Duas semanas depois, Obama revelou que seria candidato a presidente dos EUA e, uma semana depois, George Soros anunciou publicamente que apoiava sua indicação nas primárias contra Hillary Clinton, o que parecia uma maluquice na época. O resto é história. Hoje ele apoia Hillary para a próxima eleição presidencial.

O número de fundações, ONGs, sindicatos e veículos de comunicação que recebem dinheiro de George Soros ou de suas fundações é tão vasto que só um incansável pesquisador como David Horowitz para catalogar e publicar no seu portal Discover the Networks. Se você tiver curiosidade, é só clicar aqui."

Depois de descobrir qual é a agenda desses grupos, quem os representa e os financia e a influência que exercem na opinião pública de diversos países, incluindo o Brasil, cabe ao leitor refletir se aquilo que pensa e defende é o resultado de uma análise genuína pautada em informações diversificadas ou uma mera repetição de discursos ideológicos previamente criados por socialistas que criticam o grande capital financeiro e os poderosos enquanto desfrutam do dinheiro daqueles que aparentemente atacam. Como diz o escritor Flavio Morgenstern em seu podcast, " Não é você que pensa o que pensa, George Soros pensa por você".

Convém ter isso em mente antes de defender determinadas posições e de agir como inocente útil de uma ideologia e de um projeto político que desconhece.