segunda-feira, 15 de agosto de 2016

VIOLÊNCIA URBANA - HORA DE REPENSAR



“O mundo está perigoso para se viver! Não por causa daqueles que fazem o mal, mas por causa dos que o veem e fazem de conta de que não viram.” (Albert Einstein)

G1

"Vila do João

Morte de agente da Força Nacional expõe fracasso do projeto de segurança na Maré

Em dois anos, ocupação teve 27 militares feridos e um morto. Placa móvel foi instalada para indicar a Linha Vermelha

14/08/2016 10:44:34 

Bruna Fantti 

Rio - Depois da morte do soldado da Força Nacional Hélio Vieira de Andrade baleado ao entrar quarta-feira por engano na Vila do João, na Maré, a prefeitura tomou uma providência para evitar novas vítimas. Instalou ontem no acesso à Linha Vermelha, na altura da comunidade, uma estrutura móvel de sinalização indicando o caminho para a via expressa, ao lado de uma fixa apontando a entrada da favela.

Daniel Castelo Branco / Agência O Dia Entrada da comunidade Vila do João recebe placa indicando direção para a Linha Vermelha
 
Bandidos já fizeram várias vítimas que, tentando chegar à Linha Vermelha, entraram na comunidade. Com a morte no período olímpico, os holofotes se voltaram para o problema. A pacificação do Complexo da Maré, formado pela Vila do João e outras 16 favelas, foi um dos maiores fracassos do estado. 

Essa era uma das promessas de campanha em 2014 de Luiz Fernando Pezão, que chegou a pedir apoio do Exército para a ação. A ocupação, que durou dois anos, ao custo de R$ 600 milhões ao cofres da União, terminou com 27 militares feridos e um morto: o soldado Michel Augusto Mikami, 21, atingido por um tiro na cabeça em novembro de 2014. O caso, porém, não entrou nas estatísticas do Exército como “morte em guerra”. Desde 1972, quando ocorreu a guerrilha do Araguaia, o Exército não perdia um combatente em confronto. Com a triste experiência, o Ministério da Defesa se recusou a ocupar novamente a Maré durante a Rio 2016.

“São traficantes sanguinários, que gostam de torturar. Há relatos de surras em moradores que dificultam as denúncias”, afirmou o delegado da 21ª DP (Bonsucesso), Wellington Vieira. Em áudio, um policial descreve a outro como deve se portar ao trabalhar no local.




Arte O Dia Morte de soldado da Força Nacional expôs fracasso do projeto de segurança do Complexo da Maré


“Você tem que pedir permissão a um mototaxista. Ele vai lá dentro dizer que você vai entrar. Em um beco, o traficante vai te ‘palmear’ e permitir sua entrada”, diz a gravação.

Segundo um oficial da PM, moradores são revistados. “Carros têm que piscar e os porta-malas são abertos. Se o Exército não resolveu, os poucos policiais lá não têm condição nenhuma de agir.”

Três traficantes são apontados como os chefes do Complexo da Maré
 
Com 132 mil habitantes divididos em 17 comunidades, a Maré ocupa posição estratégica no mapa do Rio: fica entre as principais vias de acesso da cidade e próxima do Aeroporto Internacional Tom Jobim. As favelas são divididas entre o domínio do tráfico de duas facções e de milicianos. Segundo a polícia, três traficantes comandam: Rodrigo da Silva Caetano, o Motoboy, e Jorge Luiz Moura Barbosa, o Alvarenga, do Comando Vermelho, e Thiago da Silva Folly, o TH, do Terceiro Comando Puro. Na Nova Holanda e no Parque União, o tráfico é do CV.

Na Nova Holanda, chefiada por Motoboy, um baile funk arrasta diferentes públicos nos finais de semana. Policiais não impedem que traficantes fechem a rua com dois ônibus para a venda de drogas. Fotos são proibidas. No Parque União o tráfico é chefiado por Alvarenga. Em 2012, ele torturou até a morte o DJ Raphael Paixão, o Chorão por tocar músicas durante bailes na Maré do TCP. Desde a prisão de Marcelo das Dores, o Menor P, e seu irmão Fabiano Santos de Jesus, o Zangado, em 2014, os pontos de drogas foram redistribuídos entre os traficantes do TCP, subordinados a TH. Na Vila do João quem gerencia o tráfico é Alexandre Ramos Nascimento, o Pescador. “Impõem medo aos moradores”, diz o delegado Wellington Vieira.

Colaborou Leandro Eiró

MEU COMENTÁRIO



Creio que neste andar da carruagem o primeiro passo é considerar o fracasso das UPPs como questão organizacional e não pessoal. Deste modo, — retirando o foco das pessoas e considerando igualmente o ambiente, as tarefas, a tecnologia, a estrutura e a competição, — é hora de repensar a operacionalidade de maneira responsável e coerente com a realidade da criminalidade, sepultando definitivamente as “mágicas” de controle da criminalidade. Lembro aqui o precursor da produção seriada em massa de automóveis, Henry Ford, que primava pela qualidade dos seus carros: “O que deve ser feito deve ser bem-feito.


Simples assim, qualidade garantida pelo ritmo lento da produção em vez da frenética quantidade a estragar tudo. E deste modo a marca FORD venceu os tempos e até hoje se mantém no mercado com alto grau de qualidade dos seus produtos, porém assumindo seus erros e volta e meia realizando recall mundo afora em determinados modelos, que, por algum imprevisto, saiu da linha de produção com defeito e alcançou o público. Portanto, para se corrigir defeitos deve-se primeiramente admiti-lo com franqueza.


É caso das UPPs, mas não apenas delas. É, sim, um problema mais amplo e complexo que afeta a instituição PMERJ, que se vê em nítida inferioridade ante a criminalidade do tráfico no RJ, sem exceção de locais urbanos ou de roçados interioranos. Há, sim, um descontrole administrativo, de planejamento organizacional, que afeta a organização PMERJ como incontrolável câncer em metástase. E, principalmente, não há nos atuais dirigentes a humildade de admitir fracassos num sentido globalístico, e muito menos aceitá-los como normais para saná-los como um processo que inclui muitos fatores internos e externos, a começar pelo resgate de pequenas providências, como se faz no sistema de aviação, ou seja, um sistema que tem no acompanhamento sistemático e na restauração de pequenos procedimentos que assegurem o voo e a aterragem segura dos passageiros e da tripulação. Pois qualquer distração tem como resultado a morte de pessoas em comoriência, algo sempre chocante.


Hoje no RJ a morte de PMs se dá quase que em comoriência, pois ocorre em dias consecutivos e atinge, num tempo mínimo, muitos companheiros de folga ou durante o serviço. Curiosa é a tendência de se minimizar a morte de PMs fora do serviço, como se eles estivessem incorrendo em “erros pessoais”, quando, na verdade, estão é reagindo a tocaias covardes de bandidos que os reconhecem sem farda e os assassinam cruelmente, sem possibilidade de defesa. Portanto, não adianta explicar ou justificar nada. O que precisa é admitir que algo não está funcionando, que o sistema como um todo globalístico está em processo entrópico que precisa ser revertido para a homeostase como manda a regra mínima de Henry Ford.


Lembro o tempo em que a PMERJ mantinha funcionando uma gráfica a produzir manuais diversos, permitindo assim que a tropa acumulasse conhecimentos profissionais os mais variados e úteis. Mas embora a teoria seja inelutavelmente instrumental, um comandante-geral qualquer entendeu que a gráfica era improdutiva, quando, na verdade, era o organismo mais importante da corporação, pois garantia conhecimento profissional acessível a todos, além de sua atualização permanente.


Eis aqui a primeira providência (RECRIAR A GRÁFICA), pois, embora a corporação, através dos seus diversos cursos de formação, especialização, aperfeiçoamento e superiores ao nível de pós-graduação, reúna um importante acervo conceitual sobre a segurança pública, todo esse PRECIOSO conhecimento não é posto à disposição da oficialidade, dos graduados e das praças


Por isso existe, sim, um mundo de trevas na PMERJ, que lembra os tempos em que a Igreja ocultava o conhecimento como forma de poder. Cá entre nós, é hora de jorrar luz sobre o conhecimento! É hora de resgatar os manuais conceituais e de procedimento (unindo teoria e prática), para oferecê-lo à tropa a custo zero, e de atualizá-lo, e de ampliá-lo em vista das incertezas e turbulências ambientais intramuros e extramuros dos quartéis


É hora de imitar Henry Ford pondo sua frase em tudo que é quartel, até dentro do banheiro. É hora de resgatar o espelho onde o PM se olha para ver se não está esquecendo de nada antes de ir à luta ou ao lar no final do serviço. É hora do check in antes do serviço: do uniforme, do armamento, da munição, da viatura, dos apetrechos, do colete etc. É hora de levar cada passo muito a sério. É hora de os dirigentes da segurança pública levarem a vida dos policiais a sério! È hora de diagnosticar como processo permanente! É hora de mudar de acordo com a nova realidade ambiental! É hora de recuar para depois avançar corretamente! É passada a hora de abraçar a máxima de Henry Ford: “Tudo que deve ser feito deve ser bem-feito!” Não é mais hora de deixar o espelho se quebrar!...

terça-feira, 2 de agosto de 2016

VIOLÊNCIA URBANA — A PMERJ e seu PM



“O mundo está perigoso para se viver! Não por causa daqueles que fazem o mal, mas por causa dos que o veem e fazem de conta de que não viram.” (Albert Einstein)


UMA RELAÇÃO DE UNIÃO OU DE DISSENSÃO?



Segundo nos ensina Idalberto Chiavenato, mestre em Teoria Geral da Administração respeitado mundo afora, na sua edição compacta sobre Recursos Humanos (Ed Atlas S.A. – São Paulo - SP, 1983) Capítulo 3 (As Pessoas e as Organizações), “o relacionamento indivíduo x organização nem sempre é um relacionamento cooperativo e satisfatório”.

Nem é preciso muito aprofundar para sabermos que se trata de dicotomia corriqueira no mundo capitalista, especialmente, claro, no mundo civilizado e democrático, mas que, enfrentada e vencida em muitas organizações, ela está longe de ser posta na mesa da PMERJ. E aqui indago: até que ponto a assertiva serve aos militares estaduais? Fechando a mais e mais o zoom, repito a pergunta: até que ponto dicotomia é reinante na PMERJ?

Ora bem, não há resposta para as indagações porque a PMERJ, da última vez que resolveu indagar numa pesquisa, com amostragem distribuída conforme os postos e as graduações, qual a “qualidade que mais admirava em seus superiores”, oferecendo como respostas fechadas diversos adjetivos positivos, como: inteligência, cultura, honestidade, competência, educação etc., mas culminado com a resposta “nenhuma” como complemento, esta ganhou com mais de 70% dos votos. A maioria dos entrevistados, claro, era de graduados e praças, do que se infere uma preocupante dissensão entre oficiais, graduados e praças.

Na época (1983), eu era major e respondia interinamente pela chefia da 5ª EM, responsável por Relações Públicas e Assuntos Civis. Ao assumir tal incumbência, dei com o resultado da pesquisa encomendada ao IBOPE pelo então comandante-geral, Cel PM Carlos Magno Nazareth Cerqueira, enfiada numa gaveta. Analisei-a e com ele comentei o absurdo, depois de perscrutar ponto por ponto toda a pesquisa, inferindo de cada pergunta e das respostas o pensamento predominante na tropa, claro que colhido anonimamente.

Mas a questão da “nenhuma qualidade” me espantou. Bem, nem tanto, mas fez com que eu me reportasse ao comandante para saber dele que faria diante de tão absurda constatação decorrente duma pesquisa de natureza científica. Ele reagiu me mandando assinar para assumir individualmente a minha inferência e difundi-la para todos os comandantes, chefes e diretores. Como quem diz: fez, então assuma. Fiz e assumi.

E recebi dos agraciados com uma cópia, curiosamente, a mesma reação anotada naquela pergunta: “nenhuma reação”. Enfim, todos se lixaram para a pesquisa e seguiram em frente utilizando os mesmos métodos tacanhos de relacionamento entre superiores e subordinados, sendo certo que cada qual, dos andares de baixo, apenas torcia pelo escorrer do tempo e pela chegada da inatividade, todos sonhando por ser verem livres dos grilhões disciplinares. Já os de cima, apenas esperam, ainda hoje, o seu momento de topo da pirâmide para maltratar aqueles do topo que antes os ignoraram e/ou maltrataram-nos, não se cuidando aqui de amizades individuais, porque não refletem a regra do círculo vicioso histórico, mas apenas exceção.




Como já fui soldado PM, depois tenente-coronel comandante de Unidade Operacional, tendo passado por todos os concursos e cursos, gozo por meu comportamento amistoso e solidário com a tropa certa credibilidade individual e coletiva. Claro que não falo de unanimidade, tive problemas insanáveis com alguns poucos subordinados, mas enfrentei problemas especialmente com superiores. Daí não me ser difícil apostar que atualmente o grau de credibilidade do superior em relação do subordinado, — e me refiro a postos e graduações, — se insere como luva na máxima de Idalberto Chiavenato.

Mas, para provar o que afirmo, haveria de haver alguém, — que poderia ser uma entidade que se diz “representativa” da tropa, tanto faz se de oficiais, de praças ou mista, — alguém que se arriscasse a patrocinar uma pesquisa deste quilate sem temer o resultado. Não precisaria de muitos desdobramentos, é fácil selecionar um rol de perguntas e de respostas, mantendo-se o anonimato do entrevistado. Nem é preciso autorização para tanto, pois a pesquisa pode alcançar a tropa de serviço nas ruas em abordagens seguras e anônimas. Melhor seria difundir antes, via imprensa, que a pesquisa seria feita, para que os PMs não se recusassem a responder a medo de seus superiores.

Olha, gente, creio que o desfecho seria assustador, e mais ainda o seria se a pesquisa percorresse as residências dos PMs e seus familiares fossem a voz deles. Aí é que o bicho iria pegar e a organização PMERJ teria de se enfiar num buraco para sair no Japão. Isto no mínimo. Mas se a própria organização PMERJ ousasse repetir a mesma pesquisa, que deve estar arquivada na 5ª EM, se não a jogaram no lixo, haveria uma forte probabilidade de marcar o mesmo resultado avassalador (a probabilidade aqui é sem plágio do uso corrente deste vocábulo junto com outro – possibilidade – formando uma espécie de binômio avaliador de atentados terroristas).

Aguardemos... A provocação está no ar. Que os presidentes de entidades de oficiais e praças que me leem pensem no assunto. Poderiam até indagar dos entrevistados o que eles pensam das próprias entidades, além da PMERJ. Pode ser que o resultado seja tão aterrador que seu destino mais uma vez seja a lixeira e o esquecimento. Mas se for aterrador, é fácil concluir que tipo de homem está nas ruas para proteger os cidadãos, mesmo morrendo como patos nas mãos assassinas dos impunes facínoras.



Quem vai pagar pra ver?...







VIOLÊNCIA URBANA — A PMERJ e seu PM



“O mundo está perigoso para se viver! Não por causa daqueles que fazem o mal, mas por causa dos que o veem e fazem de conta de que não viram.” (Albert Einstein)


UMA RELAÇÃO DE UNIÃO OU DE DISSENSÃO?



Segundo nos ensina Idalberto Chiavenato, mestre em Teoria Geral da Administração respeitado mundo afora, na sua edição compacta sobre Recursos Humanos (Ed Atlas S.A. – São Paulo - SP, 1983) Capítulo 3 (As Pessoas e as Organizações), “o relacionamento indivíduo x organização nem sempre é um relacionamento cooperativo e satisfatório”.



Nem é preciso muito aprofundar para sabermos que se trata de dicotomia corriqueira no mundo capitalista, especialmente, claro, no mundo civilizado e democrático, mas que, enfrentada e vencida em muitas organizações, ela está longe de ser posta na mesa da PMERJ. E aqui indago: até que ponto a assertiva serve aos militares estaduais? Fechando a mais e mais o zoom, repito a pergunta: até que ponto dicotomia é reinante na PMERJ?



Ora bem, não há resposta para as indagações porque a PMERJ, da última vez que resolveu indagar numa pesquisa, com amostragem distribuída conforme os postos e as graduações, qual a “qualidade que mais admirava em seus superiores”, oferecendo como respostas fechadas diversos adjetivos positivos, como: inteligência, cultura, honestidade, competência, educação etc., mas culminado com a resposta “nenhuma” como complemento, esta ganhou com mais de 70% dos votos. A maioria dos entrevistados, claro, era de graduados e praças, do que se infere uma preocupante dissensão entre oficiais, graduados e praças.



Na época (1983), eu era major e respondia interinamente pela chefia da 5ª EM, responsável por Relações Públicas e Assuntos Civis. Ao assumir tal incumbência, dei com o resultado da pesquisa encomendada ao IBOPE pelo então comandante-geral, Cel PM Carlos Magno Nazareth Cerqueira, enfiada numa gaveta. Analisei-a e com ele comentei o absurdo, depois de perscrutar ponto por ponto toda a pesquisa, inferindo de cada pergunta e das respostas o pensamento predominante na tropa, claro que colhido anonimamente.



Mas a questão da “nenhuma qualidade” me espantou. Bem, nem tanto, mas fez com que eu me reportasse ao comandante para saber dele que faria diante de tão absurda constatação decorrente duma pesquisa de natureza científica. Ele reagiu me mandando assinar para assumir individualmente a minha inferência e difundi-la para todos os comandantes, chefes e diretores. Como quem diz: fez, então assuma. Fiz e assumi.



E recebi dos agraciados com uma cópia, curiosamente, a mesma reação anotada naquela pergunta: “nenhuma reação”. Enfim, todos se lixaram para a pesquisa e seguiram em frente utilizando os mesmos métodos tacanhos de relacionamento entre superiores e subordinados, sendo certo que cada qual, dos andares de baixo, apenas torcia pelo escorrer do tempo e pela chegada da inatividade, todos sonhando por ser verem livres dos grilhões disciplinares. Já os de cima, apenas esperam, ainda hoje, o seu momento de topo da pirâmide para maltratar aqueles do topo que antes os ignoraram e/ou maltrataram-nos, não se cuidando aqui de amizades individuais, porque não refletem a regra do círculo vicioso histórico, mas apenas exceção.





 

Como já fui soldado PM, depois tenente-coronel comandante de Unidade Operacional, tendo passado por todos os concursos e cursos, gozo por meu comportamento amistoso e solidário com a tropa certa credibilidade individual e coletiva. Claro que não falo de unanimidade, tive problemas insanáveis com alguns poucos subordinados, mas enfrentei problemas especialmente com superiores. Daí não me ser difícil apostar que atualmente o grau de credibilidade do superior em relação do subordinado, — e me refiro a postos e graduações, — se insere como luva na máxima de Idalberto Chiavenato.



Mas, para provar o que afirmo, haveria de haver alguém, — que poderia ser uma entidade que se diz “representativa” da tropa, tanto faz se de oficiais, de praças ou mista, — alguém que se arriscasse a patrocinar uma pesquisa deste quilate sem temer o resultado. Não precisaria de muitos desdobramentos, é fácil selecionar um rol de perguntas e de respostas, mantendo-se o anonimato do entrevistado. Nem é preciso autorização para tanto, pois a pesquisa pode alcançar a tropa de serviço nas ruas em abordagens seguras e anônimas. Melhor seria difundir antes, via imprensa, que a pesquisa seria feita, para que os PMs não se recusassem a responder a medo de seus superiores.



Olha, gente, creio que o desfecho seria assustador, e mais ainda o seria se a pesquisa percorresse as residências dos PMs e seus familiares fossem a voz deles. Aí é que o bicho iria pegar e a organização PMERJ teria de se enfiar num buraco para sair no Japão. Isto no mínimo. Mas se a própria organização PMERJ ousasse repetir a mesma pesquisa, que deve estar arquivada na 5ª EM, se não a jogaram no lixo, haveria uma forte probabilidade de marcar o mesmo resultado avassalador (a probabilidade aqui é sem plágio do uso corrente deste vocábulo junto com outro – possibilidade – formando uma espécie de binômio avaliador de atentados terroristas).



Aguardemos... A provocação está no ar. Que os presidentes de entidades de oficiais e praças que me leem pensem no assunto. Poderiam até indagar dos entrevistados o que eles pensam das próprias entidades, além da PMERJ. Pode ser que o resultado seja tão aterrador que seu destino mais uma vez seja a lixeira e o esquecimento. Mas se for aterrador, é fácil concluir que tipo de homem está nas ruas para proteger os cidadãos, mesmo morrendo como patos nas mãos assassinas dos impunes facínoras.



Quem vai pagar pra ver?...