ELOQUÊNCIA DOENTIA
Há alguns pré-candidatos
nas redes sociais que me impressiona com seus ativismos baratos. Eles não medem
consequência para angariar simpatia; vão ao extremo da eloquência, vociferam
absurdos, ofendem e ameaçam. Às vezes elogiam, como se aquele elogio fosse uma
honraria endereçada à pessoa a quem se destina.
Bem, não sei se isto é
bom para animar cidadãos observadores e críticos. Como há muitos políticos que utilizam
esses subterfúgios de comunicação, é de se pensar que funcione. Confesso que
não sei. Penso sempre que o cidadão que ouve ou lê do outro lado não se empolga
com palavrórios. Ao mesmo tempo, acho que sim. Nas duas hipóteses, porém, só
saberei depois de avaliar as urnas para saber se o ativismo mais uma vez funcionou,
embora eu saiba que a maioria das pessoas costuma se render ante esses
discursos efusivos e ameaçadores.
Não falo de tolos e
desavisados. Esses não contam, embora sejam numerosos e suscetíveis de
influências várias. Também não falo de idiotas porque esses eu sei que adoram
ativistas. São inteligentes, porém temerários e se encantam no primeiro
discurso. Por isso não são confiáveis. Sim, eles podem mudar de posição
rapidamente e isso os tornam inconfiáveis.
Agora, fechando o zoom
nos militares estaduais mais jovens, esses são cultos e não se influenciam tão facilmente.
Eles avaliam pragmaticamente o discurso e percebem quando ele é pura cascata.
Não embarcam em canoa furada, vão mais profundamente em suas pesquisas,
avaliando histórias de vida. Para eles não colam irrealidades espertamente
colocadas em discursos eloquentes. Vale, sim, história real de vida, o que o
mestre Machado de Assis denomina em romance uma pessoa com “feitos e feitios”.
Já os Veteranos, geralmente
escolados, conhecem a história de cada um. Porém alguns são frustrados e
indignados com a vida. Eles não têm muito motivo para se alegrar. Esses somos
nós, mais velhos, que sempre levamos pernadas e esquivanças. Não somos mestres
de nada nem anciões respeitados pelos mais novos como o são em tribos remotas. O
mundo mudou pra pior, não existe aqui a cultura norte-americana do Veterano
exaltado pela sociedade. Há, sim, um enorme abismo sem pontes que aproximem os
jovens dos mais velhos.
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