sexta-feira, 15 de maio de 2026

 ELOQUÊNCIA DOENTIA

 

Há alguns pré-candidatos nas redes sociais que me impressiona com seus ativismos baratos. Eles não medem consequência para angariar simpatia; vão ao extremo da eloquência, vociferam absurdos, ofendem e ameaçam. Às vezes elogiam, como se aquele elogio fosse uma honraria endereçada à pessoa a quem se destina.

Bem, não sei se isto é bom para animar cidadãos observadores e críticos. Como há muitos políticos que utilizam esses subterfúgios de comunicação, é de se pensar que funcione. Confesso que não sei. Penso sempre que o cidadão que ouve ou lê do outro lado não se empolga com palavrórios. Ao mesmo tempo, acho que sim. Nas duas hipóteses, porém, só saberei depois de avaliar as urnas para saber se o ativismo mais uma vez funcionou, embora eu saiba que a maioria das pessoas costuma se render ante esses discursos efusivos e ameaçadores.

Não falo de tolos e desavisados. Esses não contam, embora sejam numerosos e suscetíveis de influências várias. Também não falo de idiotas porque esses eu sei que adoram ativistas. São inteligentes, porém temerários e se encantam no primeiro discurso. Por isso não são confiáveis. Sim, eles podem mudar de posição rapidamente e isso os tornam inconfiáveis.

Agora, fechando o zoom nos militares estaduais mais jovens, esses são cultos e não se influenciam tão facilmente. Eles avaliam pragmaticamente o discurso e percebem quando ele é pura cascata. Não embarcam em canoa furada, vão mais profundamente em suas pesquisas, avaliando histórias de vida. Para eles não colam irrealidades espertamente colocadas em discursos eloquentes. Vale, sim, história real de vida, o que o mestre Machado de Assis denomina em romance uma pessoa com “feitos e feitios”.

Já os Veteranos, geralmente escolados, conhecem a história de cada um. Porém alguns são frustrados e indignados com a vida. Eles não têm muito motivo para se alegrar. Esses somos nós, mais velhos, que sempre levamos pernadas e esquivanças. Não somos mestres de nada nem anciões respeitados pelos mais novos como o são em tribos remotas. O mundo mudou pra pior, não existe aqui a cultura norte-americana do Veterano exaltado pela sociedade. Há, sim, um enorme abismo sem pontes que aproximem os jovens dos mais velhos.

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