|
|
A
HISTÓRIA DE CASTRIOTO
(por Emir Larangeira)
CENÁRIO DA ÉPOCA
(Campos dos Goytacazes – Niterói/RJ)
O
soldado Silva nasceu em 1825, disso ele tinha quase certeza, pois assim lhe
dissera o nhonhô da casa-grande. Era conhecido na Caserna da Guarda Policial da
Província do Rio de Janeiro como o “Velho PM”.
Silva
venceu os anos e muita coisa viu em mais de cento e dez primaveras que contava
ou pensava contar. Desfrutou, também, a oportunidade de conviver com pai e mãe,
avôs e avós, vindos da África, ou de ANGOLA, ou MOÇAMBIQUE ou CONGO e TALVEZ DE LUANDA, todos de longe no tempo, porém mortos, como seus
irmãos mais velhos, que ficaram no corte da cana-de-açúcar e foram enterrados
debaixo de algum verdejante canavial. Não importa, “Os mortos ficam bem onde
caem.”, como disse um dia seu irmão de cor mais importante das letras – Machado
de Assis.
Ele,
autodidata, aprendeu a ler e escrever ainda criança, com a ajuda do filho do
nhonhô.
Muitas
coisas seus ancestrais viram, sentiram e lhe contaram antes da partida
definitiva de seus espíritos para os Campos da África. Mas, na verdade, ele
nascera nos Campos dos Goytacazes, em meio ao trabalho árduo dos negros da
senzala, como ele, no cultivo e no corte da cana-de-açúcar.
Trabalho
duro e suado, a jararaca e a coral lhe ameaçando os pés, o pico, a morte de
muitos na tenra idade ou em qualquer tempo da vida. Cobras traiçoeiras
serpenteando nervosas nos canaviais à procura de gentes para matar, bastando
nelas pisar. Muitas, porém, morreram esmagadas debaixo de pés calejados na
rudeza nascida do atrito da carne bruta com o chão, pés negros e nus que
amassavam até os mais duros espinhos.
Assim
era a planície de muitos caminhos riscando passagens entre imensos canaviais
que se perdiam no horizonte, as pontas roçando o céu. Tudo muito verde, até que
o fogo surgisse queimando os quadrantes da cana no ponto do corte e matando as
cobras.
A
cana empretecida da fuligem caía aos montes no talho de amolados facões, muitos
facões, alguns que vinham do tempo da escravidão. A escravidão acabara, mas o
trabalho sistemático do corte da cana nem parecia tomar conhecimento. Nada mais
havia a fazer. A abolição não mandara ninguém de volta à única liberdade que
conheciam: as savanas da África. Como antes, ficaram todos a decepar a cana
esperando a morte chegar.
Muitos
eram os negros nos canaviais. Batiam os primeiros raios solares na terra úmida
e lá estavam eles, em sombras opacas, no vaivém e no sobe e desce dos fios
amolados e ferozes ceifando a plantação. Comiam lá mesmo a ração: a farinha, a
rapadura, a carne-seca; comiam cobras e caças pequenas; comiam peixes pescados
ou agarrados à mão em riachos. Sobreviviam pensando na África, nos antepassados
e na liberdade perdida.
Aos
dezessete anos, Silva rumou para outros mundos. Saiu da roça campista a caminho
de Niterói, capital da Província do Rio de Janeiro. Veio vencendo caminhos
distantes, o tempo escorrendo, a mula cansada, porém valente. Viu a Mata
Atlântica perene, colada ao céu azul, e pensava na liberdade. Vinha em busca de
outra vida num lugar melhor; porém, viveu em meio ao povo sofrido, do mato,
pegando trilhas, buscando a cidade, buscando trabalho, buscando na coragem um
incerto futuro. Ele era um desse povo que trilhava na incerteza saindo do nada
para o desconhecido.
Finalmente
chegou e passou defronte do Quartel da Guarda Policial da Província do Rio de
Janeiro; e ouviu a corneta... O coração disparou. A farda cáqui, os botões, as
guarnições de couro, bonés enfeitando os soldados. Seria um deles?... Sim,
vendeu a mula, entrou no quartel e não mais saiu. Assentou praça ainda jovem,
no tempo do laço caçando soldados, a maioria aprisionada “a pau e corda”
(expressão cunhada na caserna da Guarda Policial da Província, como eles
diziam, e ficou na História da que seria um dia a PMRJ.
No
remoto RJ era assim: o Velho PM nasceu e cresceu predestinado a servir como
futuro Guarda Policial da Província. Em chegando, foi olhado nos dentes e no
corpo como se fosse cavalo bravio, tal como se lhe estivessem medindo a idade.
Ele era, porém, jovem e forte, criado na caça, na pesca, no melado, na farinha,
e na rapadura. Nadava no rio Paraíba, por isso tinha ombros largos, braços e
pernas fortes. Comia robalo pescado na isca da minúscula aletria. Se cavalo ele
fosse, seria corredor de grandes distâncias. Foi assim que o Sargento Cedro o
fitou e lhe disse:
—
Vosmecê é homem forte! Será bom soldado!
Ele,
o Velho PM, ingressou na Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro em
1846, antes dos feitos heroicos do 12º de Voluntários da Pátria, nos idos de
1865 a 1870 e do não menos ilustre João José de Brito, tenente-Coronel
Comandante da Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro.
“[...] Outro fato histórico que teve
participação importante da Polícia Militar foi o conflito iniciado
em 1865 contra o Paraguai, no qual o Brasil formou
com Uruguai e a Argentina a chamada Tríplice Aliança.
Na época, como o país não dispunha de um contingente militar suficiente para
combater os cerca de 80 mil soldados paraguaios, o governo imperial se viu
forçado a criar os chamados “Corpos de Voluntários da Pátria”. Por ordem do
presidente da província do Rio de Janeiro, o Corpo Policial fluminense envia
contingente de 510 homens, sob a designação de 12º Corpo de Voluntários da Pátria, a comando do tenente-coronel
João José de Brito, o qual partiu para o teatro de operações em 18 de
fevereiro de 1865. Os feitos heroicos deste corpo de voluntários chegaram ao
ponto de o governo argentino homenageá-lo, em 4 de abril de 1867.
Seus membros, a partir de então, serem conhecidos como treme-terra [...].”
(PMERJ – Wikipédia)
Antes
do Tenente-Coronel EB João José de Brito, comandava a Guarda Policial da
Província do Rio de Janeiro o então capitão do EB João Nepomuceno Castrioto, já
General e depois alçado a Brigadeiro na sua reforma. Foi o primeiro comandante;
assumiu o posto em 11 de junho de 1835. Como capitão combateu na Bahia, em 03
de junho de 1874. Segundo a História, foi seu “batismo de fogo”, a comando do
seu mentor, Luiz Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias.
Num
tempo anterior, o ilustre Capitão João Nepomuceno Castrioto participou na
guerra da Cisplatina: conflito entre o Império do Brasil e as Províncias Unidas
do Rio da Prata (atual Argentina), que durou de 1825 a 1828, tendo como
objetivo controlar a região da Cisplatina, que hoje é o Uruguai. Foi Castrioto
o heroico comandante de tropa na Revolta dos Liberais de 1842, combatendo em
Minas Gerais e São Paulo, - Liberais que intentavam a Independência, - e, além
disso, atuou num árduo trabalho visando à libertação dos escravos oriundos da
África e aportando em Mangaratiba e algures.
Silva,
o “Velho PM”, curioso, ouvia tudo, quem lhe contava era um desses guerreiros
que fora à Guerra do Paraguai na viagem de navio e no lombo do burro socando o
chão, seco ou molhado, acampamentos de caminho, prostitutas e gado de corte
seguindo a tropa, tendo como Bússola o Sol. Ele, como os outros, eram homens do
mato, da luta de sobreviver na natureza: nada sentiam, eram fortes; cada qual
levava o bornal cheio de balas, fuzil no ombro e baioneta armada. E, na cinta,
o facão afiado de cortar cana...
Ninguém
pensava morrer, só nas batalhas, nas vitórias e nas verdades aumentadas ao
bel-prazer das mentiras... Aos vencedores as honrarias e os créditos, e até aos
mentirosos (“Ao vencedor as batatas” – M. Assis).
O
valente sargento Cedro era um honrado defensor da pátria. Ele falou do Sargento
Pardal, heroico graduado, responsável pela guarda da centenária Bandeira
Nacional. Silva o ouvia atentamente. Se fosse à guerra, medo não teria! E lhe
veio o nome de guerra, herdado do Nhonhô da Casa-Grande: Silva!... Anotaram o
seu nome, Sebastião da Silva. Ele dizia, somente dizia, porque certidão não
havia, era apenas um papel dado pelo Nhonhô que ficara patrão no lugar do pai
ao fim da escravidão.
As
batalhas da guerra o empolgado sargento Cedro as contava, foram infernais.
Ceifaram vidas e vidas, não deixaram paraguaios adultos de pé, muitos meninos
morreram, até as mulheres morreram, a maioria violentadas. Guerra infernal,
batalhas terríveis e sangrentas: em Curuzu, Curupaiti, Corrientes, Lomas
Valentina, Humaitá, Cerro Corá e muitas outras. Corpos caíam com vísceras
expostas ao corte da baioneta ou no retalhado do facão, o mesmo que antes
cortava a cana doce como o mel.
O
facão era a alma daquelas gentes antes escravas e depois de investidas como
soldados. Sangue, muito sangue nas águas dos rios e riachos. E veio a vitória,
suada e sangrenta, porém a vitória, e veio o heroico retorno nos braços da
glória, e veio a promoção! A mancha do dedo no papel era a assinatura. Assim
Cedro chegou a sargento, medalhas de herói enfeitando o peito, colocada por seu
Comandante, Tenente-Coronel João José de Brito. Ele, Silva, fascinado, tudo
ouvia.
No
quartel, Silva assentou praça como cavalariço do comandante, Capitão João
Nepomuceno Castrioto, permanecendo nesta faina até Castrioto deixar o comando,
depois de 25 anos. O seu cavalo, Crioulo dos Pampas, baio e forte, era o
melhor. Porém, havia o medo das ruas, das gentes que passavam, e ele, Silva,
sentindo falta do mato, da cana, e da vida selvagem onde encontrava a paz. Na verdade,
a caserna era seu refúgio. Ali ele ficava e de lá não sairia; para ele era
assustador. Mas depois de um tempo saiu em aventura das moças que se mostravam
a dinheiro. Mas logo tornava à Caserna, e o tempo escorria moroso.
Muitos
milicianos ele viu passar, sentado no banco daquele quartel, de onde pouco saiu;
viu muitos heróis de batalhas fratricidas em solo pátrio. Na reserva da tropa,
no quartel, ele ficou. Antes, ajudava na faina diária, superiores agradados,
fazia o mesmo em vício de escravo. Foi quando começou a ouvir a história do seu
valoroso comandante: o Brigadeiro João Nepomuceno Castrioto (Nome de Guerra:
Castrioto).
O
General Castrioto teve o seu nome gravado no portal da caserna principal,
homenagem que venceu os tempos e lá está até os dias de hoje (ano de 2025). Mas
outras aventuras reafirmavam o seu nome no portal, até seguir para inúmeras
aventuras que lhe poderiam vir de caminho.
Ainda
na virada do século, muito depois de proclamada a República, houve intentonas,
revoluções e outras insurgências entre irmãos. Ouvia-se dizer das guerras mundo
afora, que foram travadas muito longe da Caserna “Treme-Terra”. E aconteceram
vários episódios, muitos alegres, alguns jocosos, outros dramáticos, e tragédias
também!...
Nesse
estádio do tempo os soldados da Guarda Policial do Rio de Janeiro eram ainda caçados
“a pau e corda”: gentes de todas as lonjuras e de todos os naipes, porém
miseráveis e sem destino. Já os de família rica e letrados vinham como voluntários
e eram imediatamente nomeados oficiais, dependendo de suas habilidades. Esta
era a cultura reinante no militarismo pátrio daqueles tempos.
A
Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro era a mãe gentil que surgia na
hora da luta pela vida, que começava no isolamento do mundo familiar e
terminava no quartel e nas batalhas. Mas a tropa treinava e trabalhava vendo
avançar o progresso e as batalhas, e a morte geralmente em lutas desiguais.
Afinal, “os mortos ficam bem onde caem.”
Esta
é parte da história do ilustre capitão Castrioto, saudoso ajudante-de-ordens do
patrono do Exército Brasileiro, Luís Alves de Lima e Silva [Duque de Caxias],
que foi comandante-chefe das tropas brasileiras na Guerra do Paraguai, de 1864
a 1870.
Duque
de Caxias, era respeitado e admirado por todos devido à sua coragem e
determinação. Foi ele quem indicou, por mérito, o Capitão Castrioto, seu
ajudante-de-ordens, como primeiro comandante da Guarda Policial da Província do
Rio de Janeiro.
A
respeito do Barão de Caxias, - de quem Castrioto, fora muito próximo, -
ressalta-se que Duque de Caxias, excelente estrategista, muitas vezes lutava
com a tropa na linha de frente, como de fato o fez no arraial de Santa Luzia, já
Marechal de Campo, pois é o que afirma o Coronel EB e historiador Carlos
Roberto Carvalho Daroz: “No combate de Santa Luzia, o Barão dirigiu
pessoalmente uma carga de baioneta contra os revoltosos”.
Com
efeito, fazer referência a Luiz Alves Lima e Silva - alçado Duque de Caxias,
sua maior honraria da nobreza - é como acrescentar vitórias e mais vitórias em
seus diversos combates, razão pela qual é o digno patrono do Exército
Brasileiro.
Mas
agora retornaremos ao nosso herói Castrioto na sua escalada política.
Tornemos
ao miliciano Silva, que tudo ouvia com admiração, da boca de muitos veteranos,
a igual trajetória do Capitão Castrioto, que, ao ser reformado como Brigadeiro,
acumulara em sua história de vida uma intensa atividade política. Tudo começa
em 1835, quando foi escolhido por Duque de Caxias para comandar, por 25 anos
ininterruptos, a Guarda Policial do Rio de Janeiro, depois denominada PMRJ, esta
que, finalmente, após 1975, foi unida à Polícia Militar do Estado da Guanabara
e tornou-se a atual PMERJ.
Como
já aqui narrado, Castrioto ingressou na vida militar incorporando-se ao
Exército Brasileiro, alcançando o posto de Capitão. Diretamente ligado a Luís
Alves de Lima e Silva (o Duque de Caxias) foi por ele indicado para comandar a
recém-criada Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro, sendo
posteriormente reformado como Brigadeiro, em 14 de março de 1861, e substituído
pelo capitão Tomaz Gonçalves da Silva.
Castrioto
atuou no combate ao tráfico de escravos no litoral e na pacificação das
Províncias de São Paulo e Minas Gerais, estas, protagonistas das Revoltas
liberais contra o Governo Imperial controlado por Conservadores, tendo como
força a elas desfavorável um Militar denominado Duque de Caxias.
À
frente da tropa fluminense, nessa comoção intestina de São Paulo, estava o
capitão Castrioto. Porém, passado o tempo, - e capitalizando todas suas ações
bem-sucedidas na Caserna e na Política, - faleceu em sua fazenda de San’Anna,
cuja sede ficava na Freguesia do mesmo nome, em Niterói, no dia 11 de junho de
1874.
Durante
34 anos de política ele ocupou o cargo de Deputado Provincial da Assembleia
Legislativa do Rio de Janeiro, e de Deputado-Geral representando o Imperador na
Província, na 10º Legislatura, pelo Partido Conservador. E, ao término de sua
carreira, alcançou o posto de Brigadeiro, ocasião em que foi agraciado com a
Ordem de São Bento de Avis, no grau de Comendador; do Cruzeiro, no grau de
Cavaleiro, e da Rosa, e a medalha da Guerra da Independência.
Como
político, o nome do Brigadeiro Castrioto ainda hoje é cultuado pela extinta
PMRJ. Há uma Escola Estadual com seu nome no atual Ponto Cem Réis de Santana,
em Niterói; há um nome de rua num importante bairro (Barreto), também em
Niterói; também há, com seu nome, um bairro na cidade de Petrópolis, além de
importante acervo histórico guardado no museu da PMERJ, no Rio de Janeiro, onde
está a Bandeira Centenária da PMRJ na Guerra do Paraguai.
Toda
esta história está anotada em livros diversos, na memória e nas vivências de
outros tantos Policiais Militares na Caserna General Castrioto, onde viveu o
nosso herói - o Velho PM (africano liberto e praça-de-pré ou miliciano, ou
soldado ou “Treme-Terra”) todos a contar histórias e lendas sobre o comandante
Castrioto.
Hoje,
depois de tantos anos, o passado da tropa não é facilmente alcançado, o que impõe
narrar esta história para a posteridade, iniciando-se por sua resumida história
de vida:
Incorporado
ao Exército Brasileiro, foi alçando ao posto de capitão ajudante-de-ordem de
Duque de Caxias.
Foi
como chegou ao Comando da Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro –
1835/1869. Este ilustre brasileiro nasceu em 16 mai 1801 e faleceu em 11 de
junho de 1873. Seu batismo se deu aos 04 anos, no dia 23 de julho de 1805, na
Igreja Nossa Senhora do Carmo da antiga Sé, Rio de janeiro (Fonte:familysearch.org.).
Sua
primeira esposa: Francisca de Assis Castrioto, com quem teve quatro filhos. Um
dos seus filhos se tornaria não menos ilustre que ele. Tratava-se do nacional Carlos
Frederico Castrioto, advogado, promotor de justiça, juiz municipal, delegado de
polícia, deputado provincial, deputado geral, ministro da Marinha e senador
pelo Partido Conservador. Como o pai, era católico, e, também como o pai,
tornou-se militar e político.
RESUMO
HISTÓRICO
“Em
14Mar1861, o Presidente da Província do Rio de Janeiro assinou o seguinte
despacho: ‘O Presidente da Província do Rio de Janeiro tomando em consideração
o que lhe requereu o Tenente-Coronel do Estado-Maior do Exército, João
Nepomuceno Castrioto acerca da impossibilidade de continuar no serviço do Corpo
Policial, em consequência de sua avançada idade, resolve conceder, e
efetivamente concede, ao mencionado, reformado no posto que exerce de
Comandante-Geral do sobredito Corpo Policial, por contar no mesmo posto mais de
vinte e cinco anos de serviço, como provou por documento. Palácio da
Presidência, em 14 de março de 1861, Ignácio Francisco Silveira da Motta.
O
Ten-Cel João José de Brito assumiu o Comando-Geral do Corpo Policial. No mesmo
ano de 1861, Castrioto requer sua reforma do Exército. Foi reformado em 05Jul1863,
no posto de Brigadeiro.
A
Fazenda de Sant’Anna, sua propriedade, deu origem ao atual bairro do Barreto,
em Niterói, onde há uma rua com o seu nome.
A
Caserna General Castrioto, na Av. Feliciano Sodré nº 190, era o QG da Polícia
Militar do antigo estado do Rio de Janeiro. Pelos Decretos nº 2.988 de
05Dez1946 e 4.823 de 07Set1954, Castrioto foi instituído Patrono da Polícia
Militar do Rio de Janeiro e da Escola de Formação de Oficias daquele estado,
criada em 01Set1953. Pelo Decreto nº 5.728 de 17Jun1982, foi instituída a
Medalha Prêmio Brigadeiro Castrioto para agraciar o 1º colocado no Curso de
Formação de Soldado da PMERJ.” (crédito: Imprensa do Exército)
“Ainda
durante as regências é criado o Município Neutro da Corte, por meio do Ato
Adicional datado de 12 de agosto de 1834. Entre outras disposições, ele separa
a cidade do Rio de Janeiro da província, deixando a o Corpo de Guardas
Municipais Permanentes sediado no Rio de Janeiro de ter responsabilidade pelo
policiamento do atual interior e baixada fluminenses. (Fonte: Wikpédia)
Em
14 de abril do ano seguinte, é instalada uma força policial denominada Guarda
Policial da Província do Rio de Janeiro, por meio da Lei nº 16, promulgada pelo
presidente Joaquim José Rodrigues Torres, sediada em Niterói, com efetivo
autorizado de 241 policiais. (Fonte: Wikpédia)
Seu
primeiro comandante foi o capitão João Nepomuceno Castrioto, indicado pelo
major Luís Alves de Lima e Silva, então comandante dos Permanentes e futuro
Duque de Caxias, tendo essa Guarda entrado em combate em diversas oportunidades,
como nas Revoltas Liberais de 1842, quando lutou em Minas Gerais e São Paulo. Fonte:
Wikpédia)
Após
seu primeiro ano de criação, com esforços das câmaras municipais e do recém
instalado governo provincial, já contava a Guarda Policial com destacamentos em
Angra dos Reis, Campos dos Goytacazes, Cantagalo, Itaboraí e Valença.”
(Crédito: histórico publicado pela PMERJ).” (Fonte: Wikpédia)
“O
Conselheiro, Dr. Carlos Frederico Castrioto, nasceu em 17 de setembro de 1833,
seu pai, João Nepomuceno Castrioto, tinha 32 anos e sua mãe, Francisca de Assis
Castrioto” (idade não apurada), contou quatro filhos. (crédito - Wikpédia).
“Castrioto
nasceu em 16 de maio de 1801, em Niterói, Rio de Janeiro, Brasil; seu pai,
Antônio José Castrioto, tinha 34 anos e sua mãe, Anna Joaquina Da Silva
Sandoval, tinha 35 anos. Castrioto teve pelo menos 1 filho com Iria Maria Da
Conceição. Ele faleceu em 11 de junho de 1874, em sua cidade natal, com 73
anos, e foi sepultado em Niterói, Rio de Janeiro, Brasil.” (crédito – family
search)
NOME
DE SANTO – (crédito; WIKPÉDIA):
“O
nome Nepomuceno procede de Neopomuk, uma cidade de Boêmia, na Tchecoslováquia.
Em 1383 foi São João Nepomuceno ali martirizado, por ordem do Rei Venceslau IV.
Posto que o Santo lhe recusou manifestar os pecados da rainha Joana, sua
esposa.
Sobrenome
ibérico de procedência religiosa, derivado de São João Nepomuceno (1345-93),
mártir cristão morto em Praga, República Tcheca, no século 14.” (crédito
Familysearch - https://ancestors.familysearch.org › GMSD -392”
BRAZÃO
DA FAMÍLIA CASTRIOTO
190
ANOS DA CRIAÇÃO DA GUARDA POLICIAL DA PROVINCIA DO RIO DE JANEIRO.
Em
14 de abril de 1835, o Dr. Joaquim José Rodrigues Torres, futuro Visconde de
Itaboraí, primeiro Presidente da Província do Rio de Janeiro, criou a Guarda
Policial da Província do Rio de Janeiro, posta sob o comando do Capitão João
Nepomuceno Castrioto. Em 1844, passou a se chamar Corpo Policial da Província
do Rio de Janeiro. Em 1865, a força policial foi enviada para a guerra contra o
Paraguai, formando o 12.º Batalhão de Voluntários da Pátria (depois 44.º Corpo
de Voluntários), apelidado de "Treme-Terra". Em 1889, passou a se
chamar Força Militar do Estado do Rio de Janeiro e, em 1947, Polícia Militar do
Estado do Rio de Janeiro. Em 1975, foi extinta, ao se fundir com a Polícia
Militar do Estado da Guanabara, dando origem a atual Polícia Militar
fluminense. A Caserna General Castrioto, na Av. Feliciano Sodré, 190, em
Niterói, é o antigo quartel da Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro.
Antônio Seixas, no Grupo História Fluminense.
BIBLIOGRAFIA
1 - Textos do site Wikipédia gerados
pela PMERJ e outros decorrente de pesquisa.
2 - Revoltas liberais de 1842: O Império
Consolidado – Daroz, Carlos Roberto Carvalho
3 – https://facadeprata.com
4 - Junior, Celso Posas – O último Dia –
Ed. Itapuca – Niterói/RJ 2017
3.5 Assis, Machado - Memorial de Aires –
1908 – Ed. MEC - Ficção - Domínio Público.
6.
Paiva, Bernardo Guimarães – Escrava Isaura – Ficção - Ed. Vermelho Marinho, -
Usina de Letras – Ed. Estronho (Marcelo Amado) - 2009.
7.
Armitage Jonh – História do Brasil – Vol. 142 – Livraria Senado – Ed. Casa
Smith, Elder – Londres – 1836.
8 - Texto da PMERJ nos 186 anos da
extinta PMRJ – Casa Militar – 14/04/ 2020 - Google.
9 - Guerra do Paraguai: a ação de Caxias
– Mapa do Site (crédito) – Escola na Cultura Digital – 20/01/2025.
10 -
Do Prado, Francisco Silveira. A Polícia Militar Fluminense no Tempo do Império.
Imprensa do Exército. Rio de Janeiro, 1929. Do Prado, Francisco Silveira.
Histórico da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Oficinas Gráficas da
E.P. Washington Luiz. Niterói, 1929.”
9 -
Larangeira, Emir Campos. Velho PM – Ficção, “à clef” (“à chave”) como
literatura compromissada com a verdade dos fatos - texto do autor: hipotético cenário
histórico – Ficção - 2007.
CORAÇÃO DE DIAMANTE
(por Emir)
I
Certo dia me
arrisquei
A rabiscar um
cordel
Como se fosse
receita
Num pedaço de
papel
Me bastando
imaginar
A rima de versos
soltos
Em palavras a
granel.
II
O assunto, eu não
sabia
De inspiração
dependia
Eu tinha de
esperar
Que o sopro do
Divino
Me viesse a despertar
Pois forçar não me
cabia
Isto não é poetar.
III
Esperei com
paciência
A inspiração me
soprar
Trazendo-me a
ideia-força
Para levar ao
papel
Os versos já
alinhados
Em palavras
endereçadas
A formular um
cordel.
IV
Não nego, porém,
todavia,
Que desanquei o
assunto
Que primeiro veio
à baila
Emergindo em
urdidura
Nada mais que
influência
Da mídia
controladora
Dos tempos da
ditadura.
V
Lavei então minha
alma
Dos vícios
impertinentes
Abri a porta da
cuca
Dei asas ao pensamento
Energizei a caneta
E fui riscando o
papel
Aliviando o
tormento.
VI
Mas o assunto não
veio
O tema despedaçou
Como bolha de
sabão
Ao rés do chão
espocou
As letras se me
fugiram
De minhas mãos
escaparam
E assim se apagou.
VII
Porém não desanimei
Comecei tudo de
novo
Com os papéis
amassados
Virando bolinhas
no chão
Mas mesmo caindo
ao acaso
Surgiu sem régua
ou compasso
A fonte que me
inspirou.
VIII
Eu vi, sim, no
arabesco
De bolinhas de
papel
A forma do coração
Tão perfeito e
alinhado
E se nada me faltasse
A virar inspiração
Cabia-me dentro da
mão.
IX
Pus-me assim a
divagar
Sobre o amor
verdadeiro
Em forma de
diamante
Bruto,
desengonçado
Sem brilho, dentro
do rio
Às pedras se
misturando
Para não ser
encontrado.
X
E mesmo assim o garimpo
Tão antigo e
secular
Na peneira em mãos
rudes
As pedrinhas a
separar
Dos grãos de areia
opacos
Vi uma pedra
invulgar
Um diamante a
lapidar.
XI
Experimentei a
surpresa
De sentir o
diamante
Dentro de mim a
brilhar
Mesmo só em
devaneio
De alguém a procurar
A pedra mui
preciosa
Tão difícil de
encontrar.
XII
Pensei então em
mim mesmo
Como estando a
garimpar
Usando a mente e as
mãos
Para, enfim, a
pedra achar
Mas a mente se
apagou
Minhas mãos
esvaeceram
Me sobrando o
coração.
XIII
Aí então percebi
Que o amor não tem
mente
Não tem lógica nem
razão
Está oculto num
canto
De lá do fundo da
alma
Eis aí o diamante
Que se chama
emoção.
XIV
A descoberta da
pedra
Em anos de muito
garimpo
Finalmente veio à
tona
Por via do coração
Esta máquina do
amor
Que se move
independente
Dando vida à
emoção.
XV
É a máquina de
Deus
Que une o homem à
mulher
Palpitando a emoção
Nada mais pode
haver
É obra do Criador
É a Sua Obra-Prima
Igual ao seu coração!