sexta-feira, 15 de maio de 2026

 

Comunidade de Rio das Pedras: oásis ou miragem?

 

(Por Emir)

     Outro dia fui levado pela curiosidade à famosa localidade de Rio das Pedras, comunidade carente situada na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Trata-se de uma mistura de favela com periferia precariamente urbanizada, abrigando cerca de 90.000 (noventa mil) moradores, ou seja, uma população maior do que muitas cidades brasileiras, duas vezes a Favela de Acari.

     Fui à noite, numa quinta-feira. Cheguei em torno de 21h. Enquanto andava do estacionamento até o restaurante, famoso por receber políticos e autoridades públicas; em muitas fotos expostas em orgulho pelo proprietário, fui observando tudo. Pude também perceber o fervilhar de gentes humildes e bares apinhados de ex-policiais (em sua maioria PMs), alguns dos quais até me cumprimentaram em cortesia. Notei a descontração dos passantes, em contraste com os olhares ariscos dos policiais, todos à paisana e aparentemente à vontade. Lugar, com certeza, pra bandido nenhum se arriscar a tomar em valentia. É suicídio!... Bem, cheguei e achei interessante o restaurante: telhado pintado em azul, lugar simples, sem luxo, porém bem cuidado.
     Sem dúvida, Rio das Pedras é localidade segura e pululante. Apesar do adiantado da hora, o comércio estava a pleno vapor: bares, mercados, quitandas, lojas etc. Igualmente notei um esquema de transporte alternativo funcionando em primor. Enfim, uma autêntica cidade plantada na capital e vigiada por policiais civis e militares sob a liderança de um policial civil famoso no lugar. Veio-me inevitavelmente a indagação: "Por que ali é assim, enquanto outras favelas se veem sitiadas por marginais da lei?"

     Logo concluí que os policiais civis e militares, por conta própria (não sei em que número), tomaram para si a defesa da localidade e obtiveram êxito. Ocuparam o terreno antes do inimigo (ou teria sido depois?), seguindo o velho ensinamento de Sun-Tzu. Antes ou depois, todavia, a realidade é que eles estão lá dia e noite e qualquer pessoa, desde que identificada como não-bandido, pode circular livremente em total segurança. Percebi esta sensação no semblante dos transeuntes, como já afirmei.

     Mesmo assim, não posso negar que minha curiosidade foi além da observação epidérmica daquela tessitura social ímpar. Desconheço até então a existência de alguma pesquisa antropológica ou sociológica feita ali. Não sei se permitiriam... De qualquer modo, vi-me ante uma situação inusitada sob o ponto de vista legal: o monopólio do uso da força exercido por agentes públicos por conta própria. Mesmo sendo policiais, estão ali como pessoas físicas, não representam o poder público do qual fazem parte.


     Lembro-me de situação mais ou menos semelhante na Favela Para-Pedro, 
pelos idos de 1989. Situada na área do nono batalhão, a comunidade, hoje sitiada por traficantes do CV, não permitia a proliferação de bandidos no seu meio. Havia lá um grupo de moradores (não-policiais) exercendo a vigilância a ferro e fogo, com muitas mortes por eles patrocinadas, claro que jamais assumidas. Eram considerados "heróis" pela comunidade e a lei era a do silêncio...

     Destinei atenção especial à favela porque bandidos a tentaram tomar à força, inclusive assassinando parte do tal "grupo de proteção" e expulsado o seu líder, um nordestino minúsculo e raquítico conhecido pelo apodo de Menininho. Aliás, de "menininho" ele nada tinha: matava feito cão danado, segundo os surdos comentários de favelados que o idolatravam, mas não respondia nem a inquérito policial. E não me houve forma de garantir à comunidade que o batalhão prestaria uma segurança à comunidade melhor que a do nordestino. As gentes faveladas até que confiavam em mim, mas diziam que em pouco tempo eu não mais estaria comandando o batalhão e os bandidos tomariam a favela. Era melhor pra eles, então, manter o tal "grupo" em ação permanente na localidade, em vez da PMERJ. Não aceitei. Mantive o policiamento dentro da favela e o tal "grupo" recolheu-se em "forma cística".


     Tinham razão, todavia, os moradores: deixei o comando e não muito tempo depois a favela ficou sem proteção. Os bandidos a invadiram, matando os integrantes do tal "grupo". Menininho desapareceu e até hoje corre à boca miúda que ele "vendeu" a favela para os traficantes, pondo na bandeja seus desavisados parceiros. Enfim, não resistiu ao chamamento do ouro: "Embora a autoridade seja um urso teimoso, muitas vezes, à vista de ouro, deixa-se conduzir pelo nariz." (Shakespeare).

     No Rio das Pedras, a segurança é formada por policiais civis e militares, portanto um pouco diferente do modelo que constatei existir na Favela Para-Pedro. Mas fico aqui me indagando se erradicar o tráfico, como de fato lá ocorre, inclui também a prevenção e a repressão de outras modalidades de crime, principalmente os decorrentes de conflitos familiares, bebedeiras e outros motivos afins. Quem sabe não seria interessante estudar e comparar ocorrências policiais registradas na delegacia policial e no batalhão da área com outros lugares favelados controlados por bandidos? Ah, é bom que se diga, não vi nenhuma viatura policial transitando nas imediações...


     A indagação procede, sim, pois é de se esperar que as relações entre os micropoderes que ali interagem são convergentes, mas podem ser conflitantes, o que implica a necessidade de um poder maior para desempatar as contendas sociais (e comerciais) que decerto devem ocorrer. Também importa considerar que neste mundo capitalista em que vivemos os negócios mais disputados às vezes não se situam no campo da legalidade, embora aceitos pela população. Destacaria dois temas que vêm polarizando a opinião pública (ou publicada): a fiscalização das máquinas caça-níqueis e do transporte alternativo, podendo-se ainda sublinhar o combate à pirataria, a vigilância sanitária etc.


     É claro que sustentar um grupo tão seleto de policiais, que não residem na comunidade, mas a controlam com inegável eficiência, deve custar caro. Afinal, eles arriscam suas vidas a troco de quê?... Eis uma situação curiosa e pouco clarificada: quanto deve custar à comunidade local (e à sociedade) sustentar uma milícia mais poderosa que qualquer "bonde" de bandidos ou qualquer esquema oficial de policiamento? Será que o custo/benefício dos cidadãos favelados é real? Será que estamos diante de um oásis comunitário ou somente de sua miragem?...

     Eu, particularmente, observador apenas superficial do fenômeno aqui resumido, creio que é melhor ter um sistema funcionando assim do que depender a comunidade carente (e vale o raciocínio para todas) da proteção e do beneplácito de traficantes, estes, que não podem evitar confrontos com a polícia e com bandos rivais. Também se deve admitir que a maquinaria governamental não provê as necessidades básicas da população periférica, que, por sinal, vive assolada por tiroteios. Entretanto, sinto que há necessidade de se conhecer o conteúdo do fenômeno, sua parte invisível e profunda, para se aprovar a iniciativa ou rejeitá-la com argumentos sólidos. Vejo como precipitação concluir, sem conhecer a fundo, e desde a sua origem, o fenômeno que se impõe como fato concreto desde há anos na comunidade de Rio das Pedras.

     Há, com efeito, muitas indagações a serem formuladas, pesquisas de campo a serem desenvolvidas, para se concluir contra ou a favor do inusitado modelo sopesando sua legitimidade em contraposição à legalidade. Depois disso, aí sim, será até possível entender a presença constante de políticos e autoridades públicas reverenciando os "xerifes da comunidade", legitimando precipitadamente o modelo de segurança informal e estranho ao mundo jurídico-policial. Será que as autoridades que frequentam assiduamente o lugar sabem o que estão fazendo? Pois a presença delas no local implica a legitimação de um fato social fora do comum, embora o grupo de policiais se demonstre eficiente e eficaz naquilo que se propõe, ou seja, manter a comunidade livre de marginais. Mas a questão não se prende apenas nos fins informalmente traçados e atingidos; antes, deve-se conhecer em profundidade os meios utilizados para tanto. Só então se saberá se o que se vê é oásis ou miragem...

     Digo, no meu caso, que gostei do que vi, mesmo restrito ao círculo maior que encerra toda aquela comunidade. Neste círculo epidérmico, voltado para o ambiente geral, sem dúvida se percebe uma sensacional segurança. Mas faltam à comunidade investimentos governamentais. E se poderia aqui também pensar em investimentos particulares promovidos por incorporadores, empreiteiras, comerciantes etc. Afinal, a região cresceu para atender às classes média e alta graças aos favelados que vieram de longe para construir os milhares de luxuosos condomínios verticais e horizontais que rodeiam a comunidade de Rio das Pedras em imponência.


     Se ali fosse lugar dominado pelo tráfico, é certo que outros crimes graves, como sequestros, roubos de veículos, assaltos e quejando seriam imediatamente acrescidos ao tráfico e perturbariam deveras a tranquilidade do asfalto rico. Portanto, e para evitar que a tentação profetizada por Shakespeare um dia vença o ânimo dos protetores da comunidade e eles abandonem o barco depois de conquistado, não seria demais que os ricos se preocupassem mais com os "abaixo da linha de pobreza" que com suor mal pago edificaram seus milionários patrimônios. Pois de uma coisa tenho certeza: da mesma forma que a maquinaria governamental jamais erradicou o tráfico e suas consequências em lugar nenhum (não é fácil vencer um inimigo bem instalado no terreno), também os traficantes jamais conseguirão retirar à força os protetores de Rio das Pedras. Mas, se um dia conseguirem, ali será a uma paradoxal reedição da "Cidade de Deus", que, na verdade, deveria ser chamada de "Cidade do Diabo"!


     
     

 

 

A HISTÓRIA DE CASTRIOTO


(por Emir Larangeira)

 

 

 

CENÁRIO DA ÉPOCA (Campos dos Goytacazes – Niterói/RJ)

 

 

 

O soldado Silva nasceu em 1825, disso ele tinha quase certeza, pois assim lhe dissera o nhonhô da casa-grande. Era conhecido na Caserna da Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro como o “Velho PM”.

Silva venceu os anos e muita coisa viu em mais de cento e dez primaveras que contava ou pensava contar. Desfrutou, também, a oportunidade de conviver com pai e mãe, avôs e avós, vindos da África, ou de ANGOLA, ou MOÇAMBIQUE ou CONGO e TALVEZ DE LUANDA, todos de longe no tempo, porém mortos, como seus irmãos mais velhos, que ficaram no corte da cana-de-açúcar e foram enterrados debaixo de algum verdejante canavial. Não importa, “Os mortos ficam bem onde caem.”, como disse um dia seu irmão de cor mais importante das letras – Machado de Assis.

Ele, autodidata, aprendeu a ler e escrever ainda criança, com a ajuda do filho do nhonhô.

Muitas coisas seus ancestrais viram, sentiram e lhe contaram antes da partida definitiva de seus espíritos para os Campos da África. Mas, na verdade, ele nascera nos Campos dos Goytacazes, em meio ao trabalho árduo dos negros da senzala, como ele, no cultivo e no corte da cana-de-açúcar.

Trabalho duro e suado, a jararaca e a coral lhe ameaçando os pés, o pico, a morte de muitos na tenra idade ou em qualquer tempo da vida. Cobras traiçoeiras serpenteando nervosas nos canaviais à procura de gentes para matar, bastando nelas pisar. Muitas, porém, morreram esmagadas debaixo de pés calejados na rudeza nascida do atrito da carne bruta com o chão, pés negros e nus que amassavam até os mais duros espinhos.

Assim era a planície de muitos caminhos riscando passagens entre imensos canaviais que se perdiam no horizonte, as pontas roçando o céu. Tudo muito verde, até que o fogo surgisse queimando os quadrantes da cana no ponto do corte e matando as cobras.

A cana empretecida da fuligem caía aos montes no talho de amolados facões, muitos facões, alguns que vinham do tempo da escravidão. A escravidão acabara, mas o trabalho sistemático do corte da cana nem parecia tomar conhecimento. Nada mais havia a fazer. A abolição não mandara ninguém de volta à única liberdade que conheciam: as savanas da África. Como antes, ficaram todos a decepar a cana esperando a morte chegar.

Muitos eram os negros nos canaviais. Batiam os primeiros raios solares na terra úmida e lá estavam eles, em sombras opacas, no vaivém e no sobe e desce dos fios amolados e ferozes ceifando a plantação. Comiam lá mesmo a ração: a farinha, a rapadura, a carne-seca; comiam cobras e caças pequenas; comiam peixes pescados ou agarrados à mão em riachos. Sobreviviam pensando na África, nos antepassados e na liberdade perdida.

Aos dezessete anos, Silva rumou para outros mundos. Saiu da roça campista a caminho de Niterói, capital da Província do Rio de Janeiro. Veio vencendo caminhos distantes, o tempo escorrendo, a mula cansada, porém valente. Viu a Mata Atlântica perene, colada ao céu azul, e pensava na liberdade. Vinha em busca de outra vida num lugar melhor; porém, viveu em meio ao povo sofrido, do mato, pegando trilhas, buscando a cidade, buscando trabalho, buscando na coragem um incerto futuro. Ele era um desse povo que trilhava na incerteza saindo do nada para o desconhecido.

Finalmente chegou e passou defronte do Quartel da Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro; e ouviu a corneta... O coração disparou. A farda cáqui, os botões, as guarnições de couro, bonés enfeitando os soldados. Seria um deles?... Sim, vendeu a mula, entrou no quartel e não mais saiu. Assentou praça ainda jovem, no tempo do laço caçando soldados, a maioria aprisionada “a pau e corda” (expressão cunhada na caserna da Guarda Policial da Província, como eles diziam, e ficou na História da que seria um dia a PMRJ.

No remoto RJ era assim: o Velho PM nasceu e cresceu predestinado a servir como futuro Guarda Policial da Província. Em chegando, foi olhado nos dentes e no corpo como se fosse cavalo bravio, tal como se lhe estivessem medindo a idade. Ele era, porém, jovem e forte, criado na caça, na pesca, no melado, na farinha, e na rapadura. Nadava no rio Paraíba, por isso tinha ombros largos, braços e pernas fortes. Comia robalo pescado na isca da minúscula aletria. Se cavalo ele fosse, seria corredor de grandes distâncias. Foi assim que o Sargento Cedro o fitou e lhe disse:

— Vosmecê é homem forte! Será bom soldado!

Ele, o Velho PM, ingressou na Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro em 1846, antes dos feitos heroicos do 12º de Voluntários da Pátria, nos idos de 1865 a 1870 e do não menos ilustre João José de Brito, tenente-Coronel Comandante da Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro.

 

“[...] Outro fato histórico que teve participação importante da Polícia Militar foi o conflito iniciado em 1865 contra o Paraguai, no qual o Brasil formou com Uruguai e a Argentina a chamada Tríplice Aliança. Na época, como o país não dispunha de um contingente militar suficiente para combater os cerca de 80 mil soldados paraguaios, o governo imperial se viu forçado a criar os chamados “Corpos de Voluntários da Pátria”. Por ordem do presidente da província do Rio de Janeiro, o Corpo Policial fluminense envia contingente de 510 homens, sob a designação de 12º Corpo de Voluntários da Pátria, a comando do tenente-coronel João José de Brito, o qual partiu para o teatro de operações em 18 de fevereiro de 1865. Os feitos heroicos deste corpo de voluntários chegaram ao ponto de o governo argentino homenageá-lo, em 4 de abril de 1867. Seus membros, a partir de então, serem conhecidos como treme-terra [...].” (PMERJ – Wikipédia)

 

 

Antes do Tenente-Coronel EB João José de Brito, comandava a Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro o então capitão do EB João Nepomuceno Castrioto, já General e depois alçado a Brigadeiro na sua reforma. Foi o primeiro comandante; assumiu o posto em 11 de junho de 1835. Como capitão combateu na Bahia, em 03 de junho de 1874. Segundo a História, foi seu “batismo de fogo”, a comando do seu mentor, Luiz Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias. 

Num tempo anterior, o ilustre Capitão João Nepomuceno Castrioto participou na guerra da Cisplatina: conflito entre o Império do Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata (atual Argentina), que durou de 1825 a 1828, tendo como objetivo controlar a região da Cisplatina, que hoje é o Uruguai. Foi Castrioto o heroico comandante de tropa na Revolta dos Liberais de 1842, combatendo em Minas Gerais e São Paulo, - Liberais que intentavam a Independência, - e, além disso, atuou num árduo trabalho visando à libertação dos escravos oriundos da África e aportando em Mangaratiba e algures.

Silva, o “Velho PM”, curioso, ouvia tudo, quem lhe contava era um desses guerreiros que fora à Guerra do Paraguai na viagem de navio e no lombo do burro socando o chão, seco ou molhado, acampamentos de caminho, prostitutas e gado de corte seguindo a tropa, tendo como Bússola o Sol. Ele, como os outros, eram homens do mato, da luta de sobreviver na natureza: nada sentiam, eram fortes; cada qual levava o bornal cheio de balas, fuzil no ombro e baioneta armada. E, na cinta, o facão afiado de cortar cana...

Ninguém pensava morrer, só nas batalhas, nas vitórias e nas verdades aumentadas ao bel-prazer das mentiras... Aos vencedores as honrarias e os créditos, e até aos mentirosos (“Ao vencedor as batatas” – M. Assis).

O valente sargento Cedro era um honrado defensor da pátria. Ele falou do Sargento Pardal, heroico graduado, responsável pela guarda da centenária Bandeira Nacional. Silva o ouvia atentamente. Se fosse à guerra, medo não teria! E lhe veio o nome de guerra, herdado do Nhonhô da Casa-Grande: Silva!... Anotaram o seu nome, Sebastião da Silva. Ele dizia, somente dizia, porque certidão não havia, era apenas um papel dado pelo Nhonhô que ficara patrão no lugar do pai ao fim da escravidão.

As batalhas da guerra o empolgado sargento Cedro as contava, foram infernais. Ceifaram vidas e vidas, não deixaram paraguaios adultos de pé, muitos meninos morreram, até as mulheres morreram, a maioria violentadas. Guerra infernal, batalhas terríveis e sangrentas: em Curuzu, Curupaiti, Corrientes, Lomas Valentina, Humaitá, Cerro Corá e muitas outras. Corpos caíam com vísceras expostas ao corte da baioneta ou no retalhado do facão, o mesmo que antes cortava a cana doce como o mel.

O facão era a alma daquelas gentes antes escravas e depois de investidas como soldados. Sangue, muito sangue nas águas dos rios e riachos. E veio a vitória, suada e sangrenta, porém a vitória, e veio o heroico retorno nos braços da glória, e veio a promoção! A mancha do dedo no papel era a assinatura. Assim Cedro chegou a sargento, medalhas de herói enfeitando o peito, colocada por seu Comandante, Tenente-Coronel João José de Brito. Ele, Silva, fascinado, tudo ouvia.

No quartel, Silva assentou praça como cavalariço do comandante, Capitão João Nepomuceno Castrioto, permanecendo nesta faina até Castrioto deixar o comando, depois de 25 anos. O seu cavalo, Crioulo dos Pampas, baio e forte, era o melhor. Porém, havia o medo das ruas, das gentes que passavam, e ele, Silva, sentindo falta do mato, da cana, e da vida selvagem onde encontrava a paz. Na verdade, a caserna era seu refúgio. Ali ele ficava e de lá não sairia; para ele era assustador. Mas depois de um tempo saiu em aventura das moças que se mostravam a dinheiro. Mas logo tornava à Caserna, e o tempo escorria moroso.

Muitos milicianos ele viu passar, sentado no banco daquele quartel, de onde pouco saiu; viu muitos heróis de batalhas fratricidas em solo pátrio. Na reserva da tropa, no quartel, ele ficou. Antes, ajudava na faina diária, superiores agradados, fazia o mesmo em vício de escravo. Foi quando começou a ouvir a história do seu valoroso comandante: o Brigadeiro João Nepomuceno Castrioto (Nome de Guerra: Castrioto).

O General Castrioto teve o seu nome gravado no portal da caserna principal, homenagem que venceu os tempos e lá está até os dias de hoje (ano de 2025). Mas outras aventuras reafirmavam o seu nome no portal, até seguir para inúmeras aventuras que lhe poderiam vir de caminho.

Ainda na virada do século, muito depois de proclamada a República, houve intentonas, revoluções e outras insurgências entre irmãos. Ouvia-se dizer das guerras mundo afora, que foram travadas muito longe da Caserna “Treme-Terra”. E aconteceram vários episódios, muitos alegres, alguns jocosos, outros dramáticos, e tragédias também!...

Nesse estádio do tempo os soldados da Guarda Policial do Rio de Janeiro eram ainda caçados “a pau e corda”: gentes de todas as lonjuras e de todos os naipes, porém miseráveis e sem destino. Já os de família rica e letrados vinham como voluntários e eram imediatamente nomeados oficiais, dependendo de suas habilidades. Esta era a cultura reinante no militarismo pátrio daqueles tempos.

A Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro era a mãe gentil que surgia na hora da luta pela vida, que começava no isolamento do mundo familiar e terminava no quartel e nas batalhas. Mas a tropa treinava e trabalhava vendo avançar o progresso e as batalhas, e a morte geralmente em lutas desiguais. Afinal, “os mortos ficam bem onde caem.”

Esta é parte da história do ilustre capitão Castrioto, saudoso ajudante-de-ordens do patrono do Exército Brasileiro, Luís Alves de Lima e Silva [Duque de Caxias], que foi comandante-chefe das tropas brasileiras na Guerra do Paraguai, de 1864 a 1870.

Duque de Caxias, era respeitado e admirado por todos devido à sua coragem e determinação. Foi ele quem indicou, por mérito, o Capitão Castrioto, seu ajudante-de-ordens, como primeiro comandante da Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro.

A respeito do Barão de Caxias, - de quem Castrioto, fora muito próximo, - ressalta-se que Duque de Caxias, excelente estrategista, muitas vezes lutava com a tropa na linha de frente, como de fato o fez no arraial de Santa Luzia, já Marechal de Campo, pois é o que afirma o Coronel EB e historiador Carlos Roberto Carvalho Daroz: “No combate de Santa Luzia, o Barão dirigiu pessoalmente uma carga de baioneta contra os revoltosos”.

Com efeito, fazer referência a Luiz Alves Lima e Silva - alçado Duque de Caxias, sua maior honraria da nobreza - é como acrescentar vitórias e mais vitórias em seus diversos combates, razão pela qual é o digno patrono do Exército Brasileiro. 

Mas agora retornaremos ao nosso herói Castrioto na sua escalada política.

Tornemos ao miliciano Silva, que tudo ouvia com admiração, da boca de muitos veteranos, a igual trajetória do Capitão Castrioto, que, ao ser reformado como Brigadeiro, acumulara em sua história de vida uma intensa atividade política. Tudo começa em 1835, quando foi escolhido por Duque de Caxias para comandar, por 25 anos ininterruptos, a Guarda Policial do Rio de Janeiro, depois denominada PMRJ, esta que, finalmente, após 1975, foi unida à Polícia Militar do Estado da Guanabara e tornou-se a atual PMERJ.

Como já aqui narrado, Castrioto ingressou na vida militar incorporando-se ao Exército Brasileiro, alcançando o posto de Capitão. Diretamente ligado a Luís Alves de Lima e Silva (o Duque de Caxias) foi por ele indicado para comandar a recém-criada Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro, sendo posteriormente reformado como Brigadeiro, em 14 de março de 1861, e substituído pelo capitão Tomaz Gonçalves da Silva.

Castrioto atuou no combate ao tráfico de escravos no litoral e na pacificação das Províncias de São Paulo e Minas Gerais, estas, protagonistas das Revoltas liberais contra o Governo Imperial controlado por Conservadores, tendo como força a elas desfavorável um Militar denominado Duque de Caxias.

À frente da tropa fluminense, nessa comoção intestina de São Paulo, estava o capitão Castrioto. Porém, passado o tempo, - e capitalizando todas suas ações bem-sucedidas na Caserna e na Política, - faleceu em sua fazenda de San’Anna, cuja sede ficava na Freguesia do mesmo nome, em Niterói, no dia 11 de junho de 1874.

Durante 34 anos de política ele ocupou o cargo de Deputado Provincial da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, e de Deputado-Geral representando o Imperador na Província, na 10º Legislatura, pelo Partido Conservador. E, ao término de sua carreira, alcançou o posto de Brigadeiro, ocasião em que foi agraciado com a Ordem de São Bento de Avis, no grau de Comendador; do Cruzeiro, no grau de Cavaleiro, e da Rosa, e a medalha da Guerra da Independência.

Como político, o nome do Brigadeiro Castrioto ainda hoje é cultuado pela extinta PMRJ. Há uma Escola Estadual com seu nome no atual Ponto Cem Réis de Santana, em Niterói; há um nome de rua num importante bairro (Barreto), também em Niterói; também há, com seu nome, um bairro na cidade de Petrópolis, além de importante acervo histórico guardado no museu da PMERJ, no Rio de Janeiro, onde está a Bandeira Centenária da PMRJ na Guerra do Paraguai.

Toda esta história está anotada em livros diversos, na memória e nas vivências de outros tantos Policiais Militares na Caserna General Castrioto, onde viveu o nosso herói - o Velho PM (africano liberto e praça-de-pré ou miliciano, ou soldado ou “Treme-Terra”) todos a contar histórias e lendas sobre o comandante Castrioto.

Hoje, depois de tantos anos, o passado da tropa não é facilmente alcançado, o que impõe narrar esta história para a posteridade, iniciando-se por sua resumida história de vida:

 

Incorporado ao Exército Brasileiro, foi alçando ao posto de capitão ajudante-de-ordem de Duque de Caxias.

Foi como chegou ao Comando da Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro – 1835/1869. Este ilustre brasileiro nasceu em 16 mai 1801 e faleceu em 11 de junho de 1873. Seu batismo se deu aos 04 anos, no dia 23 de julho de 1805, na Igreja Nossa Senhora do Carmo da antiga Sé, Rio de janeiro (Fonte:familysearch.org.).

Sua primeira esposa: Francisca de Assis Castrioto, com quem teve quatro filhos. Um dos seus filhos se tornaria não menos ilustre que ele. Tratava-se do nacional Carlos Frederico Castrioto, advogado, promotor de justiça, juiz municipal, delegado de polícia, deputado provincial, deputado geral, ministro da Marinha e senador pelo Partido Conservador. Como o pai, era católico, e, também como o pai, tornou-se militar e político.

 

RESUMO HISTÓRICO

 

“Em 14Mar1861, o Presidente da Província do Rio de Janeiro assinou o seguinte despacho: ‘O Presidente da Província do Rio de Janeiro tomando em consideração o que lhe requereu o Tenente-Coronel do Estado-Maior do Exército, João Nepomuceno Castrioto acerca da impossibilidade de continuar no serviço do Corpo Policial, em consequência de sua avançada idade, resolve conceder, e efetivamente concede, ao mencionado, reformado no posto que exerce de Comandante-Geral do sobredito Corpo Policial, por contar no mesmo posto mais de vinte e cinco anos de serviço, como provou por documento. Palácio da Presidência, em 14 de março de 1861, Ignácio Francisco Silveira da Motta.

O Ten-Cel João José de Brito assumiu o Comando-Geral do Corpo Policial. No mesmo ano de 1861, Castrioto requer sua reforma do Exército. Foi reformado em 05Jul1863, no posto de Brigadeiro.

A Fazenda de Sant’Anna, sua propriedade, deu origem ao atual bairro do Barreto, em Niterói, onde há uma rua com o seu nome.

A Caserna General Castrioto, na Av. Feliciano Sodré nº 190, era o QG da Polícia Militar do antigo estado do Rio de Janeiro. Pelos Decretos nº 2.988 de 05Dez1946 e 4.823 de 07Set1954, Castrioto foi instituído Patrono da Polícia Militar do Rio de Janeiro e da Escola de Formação de Oficias daquele estado, criada em 01Set1953. Pelo Decreto nº 5.728 de 17Jun1982, foi instituída a Medalha Prêmio Brigadeiro Castrioto para agraciar o 1º colocado no Curso de Formação de Soldado da PMERJ.” (crédito: Imprensa do Exército)

“Ainda durante as regências é criado o Município Neutro da Corte, por meio do Ato Adicional datado de 12 de agosto de 1834. Entre outras disposições, ele separa a cidade do Rio de Janeiro da província, deixando a o Corpo de Guardas Municipais Permanentes sediado no Rio de Janeiro de ter responsabilidade pelo policiamento do atual interior e baixada fluminenses. (Fonte: Wikpédia)

Em 14 de abril do ano seguinte, é instalada uma força policial denominada Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro, por meio da Lei nº 16, promulgada pelo presidente Joaquim José Rodrigues Torres, sediada em Niterói, com efetivo autorizado de 241 policiais. (Fonte: Wikpédia)

Seu primeiro comandante foi o capitão João Nepomuceno Castrioto, indicado pelo major Luís Alves de Lima e Silva, então comandante dos Permanentes e futuro Duque de Caxias, tendo essa Guarda entrado em combate em diversas oportunidades, como nas Revoltas Liberais de 1842, quando lutou em Minas Gerais e São Paulo. Fonte: Wikpédia)

Após seu primeiro ano de criação, com esforços das câmaras municipais e do recém instalado governo provincial, já contava a Guarda Policial com destacamentos em Angra dos Reis, Campos dos Goytacazes, Cantagalo, Itaboraí e Valença.” (Crédito: histórico publicado pela PMERJ).” (Fonte: Wikpédia)

“O Conselheiro, Dr. Carlos Frederico Castrioto, nasceu em 17 de setembro de 1833, seu pai, João Nepomuceno Castrioto, tinha 32 anos e sua mãe, Francisca de Assis Castrioto” (idade não apurada), contou quatro filhos. (crédito - Wikpédia).

“Castrioto nasceu em 16 de maio de 1801, em Niterói, Rio de Janeiro, Brasil; seu pai, Antônio José Castrioto, tinha 34 anos e sua mãe, Anna Joaquina Da Silva Sandoval, tinha 35 anos. Castrioto teve pelo menos 1 filho com Iria Maria Da Conceição. Ele faleceu em 11 de junho de 1874, em sua cidade natal, com 73 anos, e foi sepultado em Niterói, Rio de Janeiro, Brasil.” (crédito – family search)

 

NOME DE SANTO – (crédito; WIKPÉDIA):

 

“O nome Nepomuceno procede de Neopomuk, uma cidade de Boêmia, na Tchecoslováquia. Em 1383 foi São João Nepomuceno ali martirizado, por ordem do Rei Venceslau IV. Posto que o Santo lhe recusou manifestar os pecados da rainha Joana, sua esposa.

Sobrenome ibérico de procedência religiosa, derivado de São João Nepomuceno (1345-93), mártir cristão morto em Praga, República Tcheca, no século 14.” (crédito Familysearch - https://ancestors.familysearch.org › GMSD -392” 

 

BRAZÃO DA FAMÍLIA CASTRIOTO

 

 

 

190 ANOS DA CRIAÇÃO DA GUARDA POLICIAL DA PROVINCIA DO RIO DE JANEIRO.

 

Em 14 de abril de 1835, o Dr. Joaquim José Rodrigues Torres, futuro Visconde de Itaboraí, primeiro Presidente da Província do Rio de Janeiro, criou a Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro, posta sob o comando do Capitão João Nepomuceno Castrioto. Em 1844, passou a se chamar Corpo Policial da Província do Rio de Janeiro. Em 1865, a força policial foi enviada para a guerra contra o Paraguai, formando o 12.º Batalhão de Voluntários da Pátria (depois 44.º Corpo de Voluntários), apelidado de "Treme-Terra". Em 1889, passou a se chamar Força Militar do Estado do Rio de Janeiro e, em 1947, Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Em 1975, foi extinta, ao se fundir com a Polícia Militar do Estado da Guanabara, dando origem a atual Polícia Militar fluminense. A Caserna General Castrioto, na Av. Feliciano Sodré, 190, em Niterói, é o antigo quartel da Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro. Antônio Seixas, no Grupo História Fluminense.

BIBLIOGRAFIA

 

1          - Textos do site Wikipédia gerados pela PMERJ e outros decorrente de pesquisa.

2          - Revoltas liberais de 1842: O Império Consolidado – Daroz, Carlos Roberto Carvalho

3          – https://facadeprata.com

4          - Junior, Celso Posas – O último Dia – Ed. Itapuca – Niterói/RJ 2017

3.5       Assis, Machado - Memorial de Aires – 1908 – Ed. MEC - Ficção - Domínio Público.

6. Paiva, Bernardo Guimarães – Escrava Isaura – Ficção - Ed. Vermelho Marinho, - Usina de Letras – Ed. Estronho (Marcelo Amado) - 2009.

7. Armitage Jonh – História do Brasil – Vol. 142 – Livraria Senado – Ed. Casa Smith, Elder – Londres – 1836.

8          - Texto da PMERJ nos 186 anos da extinta PMRJ – Casa Militar – 14/04/ 2020 - Google.

9          - Guerra do Paraguai: a ação de Caxias – Mapa do Site (crédito) – Escola na Cultura Digital – 20/01/2025.

10 - Do Prado, Francisco Silveira. A Polícia Militar Fluminense no Tempo do Império. Imprensa do Exército. Rio de Janeiro, 1929. Do Prado, Francisco Silveira. Histórico da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Oficinas Gráficas da E.P. Washington Luiz. Niterói, 1929.”

9 - Larangeira, Emir Campos. Velho PM – Ficção, “à clef” (“à chave”) como literatura compromissada com a verdade dos fatos - texto do autor: hipotético cenário histórico – Ficção - 2007.

 

 

CORAÇÃO DE DIAMANTE

 

(por Emir)

 

I

 

Certo dia me arrisquei

A rabiscar um cordel

Como se fosse receita

Num pedaço de papel

Me bastando imaginar

A rima de versos soltos

Em palavras a granel.

 

II

 

O assunto, eu não sabia

De inspiração dependia

Eu tinha de esperar

Que o sopro do Divino

Me viesse a despertar

Pois forçar não me cabia

Isto não é poetar.

 

III

 

Esperei com paciência

A inspiração me soprar

Trazendo-me a ideia-força

Para levar ao papel

Os versos já alinhados

Em palavras endereçadas

A formular um cordel.

 

IV

 

Não nego, porém, todavia,

Que desanquei o assunto

Que primeiro veio à baila

Emergindo em urdidura

Nada mais que influência

Da mídia controladora

Dos tempos da ditadura.

 

V

 

Lavei então minha alma

Dos vícios impertinentes

Abri a porta da cuca

Dei asas ao pensamento

Energizei a caneta

E fui riscando o papel

Aliviando o tormento.

 

VI

 

Mas o assunto não veio

O tema despedaçou

Como bolha de sabão

Ao rés do chão espocou

As letras se me fugiram

De minhas mãos escaparam

E assim se apagou.

 

VII

 

Porém não desanimei

Comecei tudo de novo

Com os papéis amassados

Virando bolinhas no chão

Mas mesmo caindo ao acaso

Surgiu sem régua ou compasso

A fonte que me inspirou.

 

VIII

 

Eu vi, sim, no arabesco

De bolinhas de papel

A forma do coração

Tão perfeito e alinhado

 E se nada me faltasse

A virar inspiração

Cabia-me dentro da mão.

 

IX

 

Pus-me assim a divagar

Sobre o amor verdadeiro

Em forma de diamante

Bruto, desengonçado

Sem brilho, dentro do rio

Às pedras se misturando

Para não ser encontrado.

 

X

 

E mesmo assim o garimpo

Tão antigo e secular

Na peneira em mãos rudes

As pedrinhas a separar

Dos grãos de areia opacos

Vi uma pedra invulgar

Um diamante a lapidar.

 

XI

 

Experimentei a surpresa

De sentir o diamante

Dentro de mim a brilhar

Mesmo só em devaneio

De alguém a procurar

A pedra mui preciosa

Tão difícil de encontrar.

 

XII

 

Pensei então em mim mesmo

Como estando a garimpar

Usando a mente e as mãos

Para, enfim, a pedra achar

Mas a mente se apagou

Minhas mãos esvaeceram

Me sobrando o coração.

 

XIII

 

Aí então percebi

Que o amor não tem mente

Não tem lógica nem razão

Está oculto num canto

De lá do fundo da alma

Eis aí o diamante

Que se chama emoção.

 

XIV

 

A descoberta da pedra

Em anos de muito garimpo

Finalmente veio à tona

Por via do coração

Esta máquina do amor

Que se move independente

Dando vida à emoção.

 

XV

 

É a máquina de Deus

Que une o homem à mulher

Palpitando a emoção

Nada mais pode haver

É obra do Criador

É a Sua Obra-Prima

Igual ao seu coração!