DANDO A CESAR O QUE É DE CESAR
“FORÇA ESPECIAL” E “SERVIÇO POLICIAL”
Não estamos aqui subestimando
a tropa regular, que é valorosa e corajosa na missão de proteger a população no
seu cotidiano. Doutrinariamente, chama-se tal função de “Serviço de Segurança”.
O BOPE e o Batalhão de Choque são corriqueiramente chamados de “Forças de
Segurança”. Tem-se assim a ideia de “serviço” e de “força”, com a segunda
complementando a primeira e a PMERJ dependendo de ambas para preservar e /ou
restaurar a ordem pública.
Muita gente não sabe da
história da PMRJ no antigo Estado do Rio de Janeiro. Na verdade, toda cultura
de combate das PPMM foi ensinada pelas Forças Armadas, estas que, desde os
tempos remotos, possuíam suas “Forças Especiais”.
É assim nos exércitos de todo
o mundo. Essa tropa de elite sempre moldou sua estrutura tendo como paradigma
algum talento individual reaproveitado para tornar o homem uma máquina de
guerra. Por exemplo: muitos caçadores experimentados se tornaram “atiradores de
escol” por terem vocação para atirar com precisão. Nas artes marciais também se
reaproveitou especialistas. E, depois de muito treino individual e coletivo, o
homem combatente se tornou especial, daí a denominação de “Forças Especiais”,
que seria o BOPE ou outro nome. No caso dos Treme-Terras, era esse grupo de
abnegados oficiais, graduados e praças denominados “Demônios Verdes”, e poderia
ser outra denominação, mas o espírito era o mesmo, herdado das Forças Armadas
Brasileiras.
Enfim, admirar o BOPE e sua
tropa de elite é mais que justo! Porém, também é justo que a tropa regular que responde
por uma importante gama de serviços à população, - que vão da administração de
conflitos ao exercício diário de combates, muitos até corpo-a-corpo, - seja
igualmente homenageada. Por isso, uma tropa (combate) complementa a outra
(serviço policial), e vice-versa.
É assim que tudo funciona, malgrado
a malícia de alguns jornalistas ao noticiar a promoção por bravura do atual
comandante do BOPE, Cel PM Marcelo Corbage, associando-a à morte de 121
facínoras do CV como se fossem boas pessoas. Não são! São bandidos e mereciam
morrer e queimar no inferno.
Por outro lado, é um alento
notar que a segurança pública vem sensibilizando o político a arrastar
combatentes para a política eleitoral, demonstrando respeito ao conhecimento e
à coragem desses homens que labutam na segurança pública. Isto significa
valorização do trabalho de todos na segurança pública, esta que,
historicamente, resume o trabalho policial. No fim de contas, o vocábulo
“polícia” deriva do grego “polis” (cidade), indo a outro vocábulo também
derivado do grego “politeia” (governo da cidade) e pelo latim politia
(administração/governo), sendo matéria de domínio público.
Claro está que a escolha e o
interesse de muitos policiais, sejam civis ou militares, seja pela vontade de
colaborar na valorização do policial neste momento tão conturbado da vida
nacional, estadual e municipal. Como muitas vezes eu insinuei, estamos diante
de “um caso de polícia”.
Eis uma explicação simples da
presença de policiais civis e militares na política, pois há muitos políticos envolvidos
com marginas e bradando sobre a inutilidade ou violência da polícia. É
portando, alentador, que muitos policiais tentem se arriscar em candidaturas e
muitos políticos os convidem a montar estruturas eleitorais, como ocorre hoje
no RJ.
Devo aqui dizer, na condição
de pré-candidato e por ter estreado num mandato de deputado estadual na
legislatura de 1991/1994, que internamente me regozijo com isto e torço por
todos os pré-candidatos, independentemente de ideologia. Porque, para nós, “ideologia”
é a “defesa do cidadão e de sua família”, seja ele de esquerda ou de direita.
Porque somos nós os catalizadores desta difícil relação política neste país em
franca transformação. Na política somos policiais sem armas, porém dispostos a
mudar a vida do cidadão e de sua família por meio do poder legiferante.
Que o nosso exemplo seja
seguido por muitos!
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