sexta-feira, 15 de maio de 2026

 “A FORMA SEGUE A FUNÇÃO” (Louis Sullivan)

 

Faz tempo, desde a governança do Brizola, quando ele tornou a PMERJ secretaria de Estado, que a anomalia estrutural a afeta sobremodo. Tudo porque Brizola não quis pedir permissão ao Exército para escolher o comandante geral da corporação.

Ora, a lógica estrutural de Sullivan define muito bem o cotidiano das pessoas e das organizações, em qualquer situação, seja na cidade ou no campo. Se atentarmos bem para o significado da frase do arquiteto americano, ela está em tudo que existe no mundo, pois assim ele funciona. Afastar-se dessa lógica, significa uma grande possibilidade de errar o alvo.

Transferindo a lógica estrutural para o sistema de segurança pública, observa-se a  forte interferência política no poder instrumental dos organismos que o compõem e uma tendência à entropia. Porque faz tempo que a interferência política vem instituindo deformidades que se tornaram eternas e afastaram o sistema de segurança pública de sua principal finalidade na manutenção da ordem pública.

São importantes os desvios estruturais desses organismos da segurança pública, tornando-os ineficientes e ineficazes como um todo. Com o foco voltado para a precípua finalidade dessas estruturas (sistemas), observa-se que não há nenhuma ciência a escorar essas mudanças, porque todas decorrem de “achismos políticos”, inevitavelmente danosos, porque afetam a regularidade do sistema como um todo, este que está longe de ser “ótimo” (“o todo maior que a soma das partes). Coloco no plural porque há necessidade da revisão estrutural de todos.

Vamos aos exemplos, sem atentarmos para objetivos políticos, o que agora é moda. Analisemos as UPPs, inventadas por Beltrame e abraçadas politicamente por Sérgio Cabral Filho, uma deformidade estrutural, que, em vez de ser sepultada, mantêm-se até hoje por falta de coragem e por desconhecimento dos administradores do Estado. Sim, haja efetivo jogado fora nesse programa político custoso e ineficiente.

No rastro desse absurdo estrutural vem o programa “Segurança Presente”, outra aberração, na medida em que o policiamento ostensivo normal é atropelado por viaturas enfeitadas por prefeituras e distorção da remuneração dos “peixes”, a incomodar o todo e a estimular desvios de conduta. É também problema para a já carcomida hierarquia e disciplina, na medida em que esta base estrutural se tornou referência negativa para a tropa regular. Pior ainda é o RAS, que quase permite igualar um major a um soldado, postos a trabalhar juntos como se a hierarquia e a disciplina, base do “militarismo” não existisse. Soube disso em Niterói, onde também vi, pessoalmente, um sargento acompanhado de um cabo da segurança presente...

São exemplos marcantes esses desvios de finalidade, dentre outros a serem corajosamente analisados, eis que quebram a regularidade no emprego da tropa, péssimo exemplo de administração atual que tende a se desmoronar no futuro. O crime organizado agradece por essa desorganização do sistema destinado a controlá-lo.

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