sexta-feira, 15 de maio de 2026

 

CORAÇÃO DE DIAMANTE

 

(por Emir)

 

I

 

Certo dia me arrisquei

A rabiscar um cordel

Como se fosse receita

Num pedaço de papel

Me bastando imaginar

A rima de versos soltos

Em palavras a granel.

 

II

 

O assunto, eu não sabia

De inspiração dependia

Eu tinha de esperar

Que o sopro do Divino

Me viesse a despertar

Pois forçar não me cabia

Isto não é poetar.

 

III

 

Esperei com paciência

A inspiração me soprar

Trazendo-me a ideia-força

Para levar ao papel

Os versos já alinhados

Em palavras endereçadas

A formular um cordel.

 

IV

 

Não nego, porém, todavia,

Que desanquei o assunto

Que primeiro veio à baila

Emergindo em urdidura

Nada mais que influência

Da mídia controladora

Dos tempos da ditadura.

 

V

 

Lavei então minha alma

Dos vícios impertinentes

Abri a porta da cuca

Dei asas ao pensamento

Energizei a caneta

E fui riscando o papel

Aliviando o tormento.

 

VI

 

Mas o assunto não veio

O tema despedaçou

Como bolha de sabão

Ao rés do chão espocou

As letras se me fugiram

De minhas mãos escaparam

E assim se apagou.

 

VII

 

Porém não desanimei

Comecei tudo de novo

Com os papéis amassados

Virando bolinhas no chão

Mas mesmo caindo ao acaso

Surgiu sem régua ou compasso

A fonte que me inspirou.

 

VIII

 

Eu vi, sim, no arabesco

De bolinhas de papel

A forma do coração

Tão perfeito e alinhado

 E se nada me faltasse

A virar inspiração

Cabia-me dentro da mão.

 

IX

 

Pus-me assim a divagar

Sobre o amor verdadeiro

Em forma de diamante

Bruto, desengonçado

Sem brilho, dentro do rio

Às pedras se misturando

Para não ser encontrado.

 

X

 

E mesmo assim o garimpo

Tão antigo e secular

Na peneira em mãos rudes

As pedrinhas a separar

Dos grãos de areia opacos

Vi uma pedra invulgar

Um diamante a lapidar.

 

XI

 

Experimentei a surpresa

De sentir o diamante

Dentro de mim a brilhar

Mesmo só em devaneio

De alguém a procurar

A pedra mui preciosa

Tão difícil de encontrar.

 

XII

 

Pensei então em mim mesmo

Como estando a garimpar

Usando a mente e as mãos

Para, enfim, a pedra achar

Mas a mente se apagou

Minhas mãos esvaeceram

Me sobrando o coração.

 

XIII

 

Aí então percebi

Que o amor não tem mente

Não tem lógica nem razão

Está oculto num canto

De lá do fundo da alma

Eis aí o diamante

Que se chama emoção.

 

XIV

 

A descoberta da pedra

Em anos de muito garimpo

Finalmente veio à tona

Por via do coração

Esta máquina do amor

Que se move independente

Dando vida à emoção.

 

XV

 

É a máquina de Deus

Que une o homem à mulher

Palpitando a emoção

Nada mais pode haver

É obra do Criador

É a Sua Obra-Prima

Igual ao seu coração!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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