CORAÇÃO DE DIAMANTE
(por Emir)
I
Certo dia me
arrisquei
A rabiscar um
cordel
Como se fosse
receita
Num pedaço de
papel
Me bastando
imaginar
A rima de versos
soltos
Em palavras a
granel.
II
O assunto, eu não
sabia
De inspiração
dependia
Eu tinha de
esperar
Que o sopro do
Divino
Me viesse a despertar
Pois forçar não me
cabia
Isto não é poetar.
III
Esperei com
paciência
A inspiração me
soprar
Trazendo-me a
ideia-força
Para levar ao
papel
Os versos já
alinhados
Em palavras
endereçadas
A formular um
cordel.
IV
Não nego, porém,
todavia,
Que desanquei o
assunto
Que primeiro veio
à baila
Emergindo em
urdidura
Nada mais que
influência
Da mídia
controladora
Dos tempos da
ditadura.
V
Lavei então minha
alma
Dos vícios
impertinentes
Abri a porta da
cuca
Dei asas ao pensamento
Energizei a caneta
E fui riscando o
papel
Aliviando o
tormento.
VI
Mas o assunto não
veio
O tema despedaçou
Como bolha de
sabão
Ao rés do chão
espocou
As letras se me
fugiram
De minhas mãos
escaparam
E assim se apagou.
VII
Porém não desanimei
Comecei tudo de
novo
Com os papéis
amassados
Virando bolinhas
no chão
Mas mesmo caindo
ao acaso
Surgiu sem régua
ou compasso
A fonte que me
inspirou.
VIII
Eu vi, sim, no
arabesco
De bolinhas de
papel
A forma do coração
Tão perfeito e
alinhado
E se nada me faltasse
A virar inspiração
Cabia-me dentro da
mão.
IX
Pus-me assim a
divagar
Sobre o amor
verdadeiro
Em forma de
diamante
Bruto,
desengonçado
Sem brilho, dentro
do rio
Às pedras se
misturando
Para não ser
encontrado.
X
E mesmo assim o garimpo
Tão antigo e
secular
Na peneira em mãos
rudes
As pedrinhas a
separar
Dos grãos de areia
opacos
Vi uma pedra
invulgar
Um diamante a
lapidar.
XI
Experimentei a
surpresa
De sentir o
diamante
Dentro de mim a
brilhar
Mesmo só em
devaneio
De alguém a procurar
A pedra mui
preciosa
Tão difícil de
encontrar.
XII
Pensei então em
mim mesmo
Como estando a
garimpar
Usando a mente e as
mãos
Para, enfim, a
pedra achar
Mas a mente se
apagou
Minhas mãos
esvaeceram
Me sobrando o
coração.
XIII
Aí então percebi
Que o amor não tem
mente
Não tem lógica nem
razão
Está oculto num
canto
De lá do fundo da
alma
Eis aí o diamante
Que se chama
emoção.
XIV
A descoberta da
pedra
Em anos de muito
garimpo
Finalmente veio à
tona
Por via do coração
Esta máquina do
amor
Que se move
independente
Dando vida à
emoção.
XV
É a máquina de
Deus
Que une o homem à
mulher
Palpitando a emoção
Nada mais pode
haver
É obra do Criador
É a Sua Obra-Prima
Igual ao seu coração!
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