quinta-feira, 30 de julho de 2026

 PMERJ - QUANTITATIVO VERSUS QUALITATIVO

 

Esse dilema é antigo. No início dos tempos, quando havia armas de neutralização individual, prevalecia a ideia de que quanto maior em efetivo o exército, mas chance ele tinha de combater exércitos menores. Porém, aos poucos os povos beligerantes inventaram armas capazes de abater o inimigo coletivamente, predominando então a qualidade em detrimento da quantidade. E as guerras foram dizimando populações inteiras e escravizando aqueles que se rendiam nessas guerras cruentas e banais, geralmente visando à ampliação de territórios ferazes e com proteção natural de colinas (comandamento) e de obstáculos a ampliarem a defesa contra invasões inimigas.

 

Era assim, e hoje, de certo modo, é assim, o narcotráfico exumou o passado e ressuscitou a estratégia de conquista de territórios para comercializar drogas e para se proteger de policiais e de rivais (facções). Demais disso, a qualidade se aprimorou e hoje existem armas leves e capazes de produzir danos à distância, assim como de aprestos, facilitando a existência e a sobrevivência de exércitos irregulares, também denominado paramilitares, tendo como objetivo maior a conquista e a ocupação de novos territórios capazes de conter o aparato policia estatal.

Sim, pouca coisa mudou, a não ser o fato de que os aprestos de guerra e a sofisticação das armas garantem a hegemonia territorial e a conquista velada o visível de novos territórios com a população já conformada em mudar de mando por aqueles que venceram por serem mais fortes e sofisticados, ou seja quantitativa e qualitativamente supridos em vista do dinheiro acumulado.

A questão é como vencer tal poderio particular e criminosos com os efetivos e meios situacionais estatais, não se podendo negar que há muito tempo há excesso de infiltrados marginais em grupos humanos estatais aos que denominamos polícia ou equivalentes detentores de outros nomes e finalidades mais profundas, como, - e só por exemplo, - a Receita Federal.

 

Enfim, nada mudou de lá para cá, nem aqui nem no mundo globalizado em que os problemas sociais são os mesmos, só alterando a gradação em função de maior ou melhor sofisticação. Pior ainda é que o poder marginal se apresenta mais forte e ágil para atacar ou para se defender do aparato estatal que tenta controlar esse fenômeno nada agradável à sociedade, esta sim, que pretende ser conformada e que o Estado seja mais interventivo, a ponto de aceitarem os grilhões de uma tirania qualquer. Na realidade, há no mundo e aqui no Brasil o predomínio de forças ostensivas e ocultas de um poder marginal vencedor.

E mais uma vez se indaga: como a sociedade e seu estado vencerão esse poder marginal já ostensivo e estruturado, que não apenas se defende, mas ataca o Estado, matando gradativamente e neutralizando pela corrupção a instituição estatal que existe para controlá-lo ou combatê-lo?

Eis o problema cuja solução depende de escolhas certas de pessoas dispostas a dar uma basta nessa desordem estrutural e conjuntural, que afeta os povos do mundo e um Brasil bem mais para indefeso do fortalecido em agentes de segurança pública atuando como sistemas fechados que incomodam mais do que garantem (ou pretendem garantir) uma segurança individual e comunitária como indispensável componente da ordem pública?

Arrisco-me aqui a dizer que os atuais sistemas políticos (partidos e pessoas filiadas), que só olham para os seus umbigos e contas bancárias a garantirem sua permanência na tessitura social, ficando os novos candidatos a cargos eletivos absolutamente anulados e alvos da discriminação geral dos acovardados membros do que designamos como sociedade. Mais agravado por um sistema quantitativo de tropa (virtuais eleitores) em detrimento de um sistema qualitativo que permita mais atenção ao agente de segurança pública atualmente tornado “gado pronto para o abate” e não um ser humano detentor de direitos: à vida, à saúde física e mental, à proteção social estendida à família etc. Por derradeiro: enquanto o homem (agente da segurança pública) não receber um tratamento condigno por parte da sociedade, enquilhando esse homem for mais vaiado que aplaudido, não haverá ordem pública que atenda à sociedade como um todo, pois é esta a que mais o apupa no seu dia a dia.

 

 

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