sexta-feira, 6 de maio de 2016

RIO EM GUERRA - MAIS PMs MORTOS EM FAVELAS COM UPP

“Só nos resta/ Em festa sanguinolenta/ Sob a traidora rosa / O áspide esconder.”
(Alexandre Herculano)



UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) é sigla pomposa do que hoje se pode ser considerar o maior de todos os estelionatos políticos do RJ, só perdendo, talvez, para aquele outro havido durante a Guerra do Paraguai, época em que os senhores dos escravos os mandavam para morrer em lugar de seus filhos, com promessa escrita da liberdade a ser concedida no retorno triunfal. Mas a maioria dos “escravos-guerreiros” ficava insepulta no solo onde os violentos combates eram travados.

Hoje não é muito diferente, já que a falta de mercado de trabalho é o principal senão o único motivo de jovens cariocas e fluminenses se entregarem à esperança de liberdade financeira, mesmo que mínima. Daí ingressarem na PMERJ, vindos de todos os recantos do RJ, e indo parar nas tais UPPs, não sem antes serem bafejados por discursos eufóricos de autoridades e estudiosos alinhados à esquerda, dando-lhes o “salvo-conduto” da probidade ainda "não contaminada pelos PMs mais velhos", e adrede agraciando-os com o título de “espartanos sem vícios" que vieram “salvar as comunidades do jugo dos traficantes".

Os traficantes, porém, só encenaram a retirada, sublinhando-se a do Complexo do Alemão em cena televisiva grotesca: um bando de pés de chinelo correndo morro acima e morro a abaixo, para deleite de todos da sociedade e ufanismos fardados na entrada do imenso complexo favelado ainda tão inexpugnável como antes e ostentando sua vitoriosa bandeira vermelha com a sigla CV (vermelha não por acaso)...

E, se não bastasse o vermelho da bandeira e da ideologia criminosa (“Paz, Justiça e Liberdade”), há agora o vermelho do sangue dos PMs manchando o azul da farda e o chão batido ou enlameado das favelas supostamente pacificadas pela implantação célere de UPPs antes da Copa do Mundo, mas que, por conta da realidade da derrota para o banditismo, não logrou alcançar em euforia as Olimpíadas.

E o mais grave de todos os problemas causados por esse desgoverno de quase dez anos: a finalidade última não foi alcançada, e tudo se resume atualmente a um Nada em termos de pacificação. Pois as UPPs não passam de Nada em se tratando de vitória contra o crime, e de um Tudo em se tratando de derrota banhada em sangue de PMs mais uma vez usados pelos senhores da decisão ao badalar de qualquer sino conclamando-os à morte, tais como os “300 de Esparta”.

Tal situação nos inspira a sublinha do belo e trágico poema do grande poeta contemporâneo Salgado Maranhão, Prêmio Jabuti de Poesia, a mim dedicado talvez retratando minha tristeza ante a realidade deste mundo louco e alimentado por um tresloucado e cínico poder:

Farda

(Salgado Maranhão)


Melhor se se chamasse fardo,
em vez de farda, – esse travel
cheque para o sacrifício –
a defender o indefensável.

Melhor se se chamasse alvo:
mural da ira acusadora
contra os próprios personagens
que lhe julgam protetora.

São, normalmente, pretos, pardos,
Pobres, sobras de etnias:
gente fabricada em série,
que ao perder, tira se outra via.

E prossegue o ritual
desse espetáculo de horrores,
de Caim matando Abel
numa guerra sem vencedores.

E prossegue essa torrente
 do sangue que não socorre,
o drama de ser ver morrer,
do lado de onde sempre morre. 

3 comentários:

Wilton Ribeiro disse...

Pena ferina, continência padrão, amor pela sua Tropa. Este é o Cel PM Emir Larangeira. Prossiga irmão, temos que mudar esse quadro de extinção PM. Demônios Verdes sempre. Selvvva !!!!

Anônimo disse...

Excelente texto.

LeoJandre disse...


Aproveitam-se da ingenuidade e dos sonhos dos mais jovens e novos para alimentar uma politica e estratégia dolosas camuflando demagogia eleitoreira faminta por cargos e verbas.
Dependemos da voz sensata e experiente de quem comprovou na vida profissional a competência e honradez elevadas.
Grato por ser nosso interlocutor.