sábado, 7 de janeiro de 2012

Um tiro pela culatra


A imagem, de forte apelo visual, generaliza a exceção e atinge indistintamente todos os PMs, bem mais as praças. Porque, pelo desleixo do corpo, e em vista da proposital deselegância da farda, não é difícil concluir que o ator se traveste de praça (parece um cabo PM) e não de oficial. Nem vou falar da algema, a degradante imagem e a polêmica do seu uso falam por si. 1 E em sendo veiculado o cartaz num jornal de grande circulação (não sei se apenas no O Globo), por esta hora a má ideia já alcançou o mundo, e na segunda-feira a imagem do PM algemado, “essencialmente mau”, será a do pai de qualquer criança filha de PM a enfrentar na escola a inevitável indagação: “É seu pai?”
Enfim, o cartaz induz à falsa ideia de que o PM, modo geral, é potencial criminoso a ser algemado, mesmo fardado, deste modo desonrando a corporação (primeiro plano) e a família (segundo plano). É fácil imaginar a reação negativa que a infeliz iniciativa deve estar causando na tropa, pois configura um clima ético às avessas diante da contundente informação jornalística: “... o assunto do cartaz não está longe da realidade da tropa. Em 2010, por exemplo, 86 PMs foram excluídos. De janeiro a 8 de dezembro do ano passado, a instituição contabilizou 143 casos.”
A firmeza da informação garante a idoneidade da fonte. Daí ser possível projetar o valor percentual dos desvios de conduta com penalidade extrema (espécie de “justa causa” no mundo civil). Se se considerar que o misterioso efetivo da PMERJ gravita em torno de 40.000 almas no serviço ativo, o índice de desvios de conduta penalizados com o licenciamento disciplinar, em 2010, foi de 0,215%; e o de 2011, 0,3575%. Qual seria hoje a “realidade da tropa” do próprio Sistema Globo ou de outras empresas de grande porte como a PMERJ? É possível comparar esses percentuais com outras instituições? Por enquanto, a minha resposta é não, pois não costuma interessar a nenhuma corporação, pública ou privada, a divulgação desse tipo de informação. Demais, muitas empresas desse porte poderiam apresentar índices de desvio de conduta muito superiores aos da PMERJ (sei de algumas que os desvios de conduta ultrapassam 5% ao ano, mas não sou louco de divulgar quais).
Por outro lado, devo trazer à lide alguns dados confirmadores de que o problema de desvios de conduta nas organizações não é privilégio do Brasil nem da PMERJ, mas questão complexa e objeto de várias pesquisas acadêmicas mundo afora, conforme nos esclarece a Dra. Marta Maria Nogueira Assad (Universidade de Taubaté) e a Mestranda Enivalda Alves da Silva Pina (Universidade de Taubaté) in “Comportamento Organizacional: Uma Discussão Sobre o Desvio de Conduta na Organização e o Clima Ético Organizacional” (VII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br):

(...) Organizações tradicionais, hierárquicas e centralizadoras, buscariam uma cultura ética baseada em regras formais, com orientação para conformidade e controle, ou seja, compliance-based, enquanto organizações com modelos de gestão modernos, descentralizados, baseados em aprendizagem organizacional, com culturas participativas, teriam maior sucesso ao adotar uma cultura ética baseada em valores pessoais, realidade prática e foco na integridade: values-based.
No entanto, não se pode ignorar a difusão de comportamento moralmente questionável nas organizações de hoje. Robinson e Greenberg (1998) 2 expõem uma estatística preocupante no ambiente das empresas. Estes autores relatam que 75% dos empregados já furtaram de seus empregadores pelo menos uma vez, entre um terço e três quartos de todos os empregados já se envolveram em algum tipo de delito, vandalismo ou sabotagem em seus locais de trabalho, mais de 40% das mulheres já foram assediadas sexualmente no trabalho, quase 25% dos empregados admitem terem conhecimento do uso de drogas ilícitas por parte de seus colegas de trabalho e cerca de 7% dos empregados já foram ameaçados de violência enquanto trabalhavam.
Os impactos financeiros decorrentes destes comportamentos são enormes. Robinson e Greenberg estimam que os custos anuais para as organizações atinjam mais de quatro bilhões de dólares devidos ao furto dos empregados; e mais de quatrocentos bilhões de dólares por vários tipos de comportamento fraudulento. Estes dados referem-se a pesquisas realizadas em empresas norte-americanas.

O exemplo grafado demonstra que o problema é mais profundo do que conseguem supor os mentores do autofágico e espetaculoso cartaz, que contraria a Ciência Administrativa e abalroa a lógica do Planejamento Organizacional, que tem no homem “basicamente bom”, a ser motivado positivamente (desculpe-me pela possível redundância), um dos principais fatores de inovação para garantir um ótimo clima organizacional. Sem mais aprofundar conceitos, o cartaz inventado pela PMERJ e pela ASSINAP vem na contramão da “Transição de Valores” proposta por Paulo Roberto Motta & Geraldo Ronchetti Caravantes in PLANEJAMENTO ORGANIZACIONAL – DIMENSÕES SISTÊMICO-GERENCIAIS – FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS (FGV) – Assessoria Gráfica e Editorial Ltda. – Porto Alegre, RS, 1979, pág. 52:

Como se vê, o cartaz vem na contramão de tudo, até da Declaração Universal dos Direitos do Homem, posto ferir indistintamente a dignidade do PM enquanto ser humano, cidadão, chefe de família, e detentor do direito de ser minimamente respeitado. E é exatamente por ser “impessoal” que a mensagem agride todos os PMs e seus familiares, especialmente as crianças, não importando se as pessoas que preenchem o cartaz com seus corpos são ou não reais aos olhos de terceiros, mero detalhe, pois ficção e realidade são lados da mesma moeda. É só lembrar o efeito danoso dos “fictícios” livros e filmes “tropa de elite”...



1. INFORMATIVO JURISPRUDÊNCIAL Nº 9 – STJ – EMENTA: PENAL. USO DE ALGEMAS. AVALIAÇÃO DA NECESSIDADE. A imposição do uso de algemas ao réu, por constituir afetação aos princípios de respeito à integridade física e moral do cidadão, deve ser aferida de modo cauteloso e diante de elementos concretos que demonstrem a periculosidade do acusado. Recurso provido. (STJ, Recurso em Habeas Corpus nº 5.663/SP (96/0036209-2), rel. Min. Willian Paterson, DJ. 23.9.96).

2. ROBINSON, Sandra L. & GREENBERG, Jerald. Employees behaving badly: Dimension, determinants and dilemmas in de study of workplace deviance. Journal of Oraganizational Bahavior, New York, v.5, p1-30, 1998.

15 comentários:

amepm disse...

Emir,
Como sempre, voce traduz muito bem tudo que diz respeito a PMERJ, seu olho clinico de Escritor nao lhe deixa fugir da linha.
Sua fã incondicional

Mari Torres!

Paulo Xavier disse...

Somos uma sociedade hipócrita e eu faço parte dessa sociedade. Gostamos de querer tapar o sol com a peneira, jogar o lixo pra debaixo do tapete e torcer pra que a corda arrebente...só do lado mais fraco. Um cidadão que oferece uma cervejinha pro "guarda" não tem moral pra apontar seu dedo sujo pra ninguém, mas é o que mais se vê por aí. O nome ideal para essa foto seria ESCULACHO.
Esse tema é rico e eu mesmo teria dezenas de fatos pra contar aqui, alguns recheados de covardia, mas a Dona Prudência me manda calar. Mais por receio de outra covardia do que enfrentar quem quer que seja.
Parabéns Cel Larangeira, matando a cobra e mostrando a cobra morta. Pena que alguns preferm não ver.

Claudio teles disse...

Parabéns pela sua postagem!

Anônimo disse...

Cel o que falta para o Sr. comprar essa briga os PM vão segui-lo é melhor o Sr. que tem moral e o respeito da tropa, tem conhecimento politico e sabe como fazer, parar isso, do que alguns desse aventureiros de plantão ou da queles que com muita boa vontade vão fazer uma marola, e dão margens e força ao governo por não saber como se faz.
Não vou juga-lo mais esta mais do que na hora de reagir em favor da PM. Posso ver uma grande passeata dos PM e BM com o Sr. a frente e junto o Governador Garotinho e todos os amigos.

Anônimo disse...

Sr. escrevi no anonimato, e o blog permite, poque não posso aparecer Infelizmente, preciso permanecer assim. Digo desde já que não sou o tal da sua postagem eu a vi depois da solicitação de sua ajuda para os PM.
Mais o pedido de ajuda é valido por que sei que se existe uma pessoa talhada para orientar os PM esse é o Sr.. Deus lhe proteja.

Emir Larangeira disse...

Prezado anônimo

Não se preocupe. Não sou contra o anonimato a não ser quando utilizado para ofender. Foi o caso específico daquele anônimo cuja postagem evitei por ser grosseira e decidi reagir. Participar anonimamente é natural, um recurso de proteção que merece o meu respeito quando construtivo. É o seu caso. Agradeço a participação e o incentivo. Abraços.

Lúcio Andrade disse...

AO tomar conhecimento deste malfado cartaz que teria como escopo sacudir ou chamar a responsabildade os possiveis ppmm, envolvidos em crimes , pois para ser algemado nao seria uma modesta transgressao disciplinar ou eufimisticamente, um desvio de conduta ,ocorre que o impulso do gestor geral nao cercou-se de um estudo de cunho comportamental , por profissionais da area , seguiu o " r quero" ,tomando esta decisao contraproducente e desagregadora em termos de pmerj , bem mais irradiando-se para outras forças coirmâs , desta feita , o tiro no pé será certo como a morte, pois pelo que temos visto o descontentamento é geral, despensa-se as consideraçoes juridicas sobre o absurdo que foi estampar um pm , como se fosse um criminoso contumaz ,indduzindo o publico externo a pensar que todos nós somos suscetiveis a condutas criminosas e sem valor moral e familiar ,a preservar o que me surpreende é a falta de orientaçao juridica do cmdogeral, em nao antever este desastre na nossa já combalida e corroida imagem publica, de cel a sd , envolvidos condutas danosas a briosa , como costuma-se materializar os despachos das corregedorias nos casos em especie tratados ,sic ferindo o pundonor policial , por que ele,que quiz dar o exemplo simbolico ,nao expos um destes oficias superiores enrolados em açoes criminosas, em fatos de grande repercursao nacional.sinceramente, isto é horror, se vê esteriotipado como criminoso em potencial e a nossa familia e nossos amigos como ficam, o judiciario e a promotoria nunca exibiram seus magistrados e procuradores criminosos , segundo, a desembargadora ELIANA CALMON, a magistratura teria virado um covil de bandidos de toga.na pm é sempre assim , o bandido por tradiçao e autoproteçao de quem julga , sao os praças. permita a redundancia este cartaz é " nojento" .é o meu desabafo.

Emir Larangeira disse...

Prezado anônimo
O cartaz lembra a teoria do “bom garoto” que bate pancada no pivete e recebe o aplauso de um único expectador (puxa-saco de ingresso gratuito) a formar plateia tão rarefeita no ambiente teatral que só se ouve o silêncio dos lugares vazios, entre uma batida e outra de duas mãos desgraciosas. É o máximo aplauso que o cartaz merece, ou seja, pior que a mais estrondosa vaia.

SGT PM SERGIO(VETERANO) disse...

MAIS UMA VEZ PARABÉNS MEU COMANDANTE,O SENHOR PROVA SER DIGNO DE DEFESA DOS POLICIAISM MILITARES!!!!

Luiz Monnerat disse...

Prezado irmão de farda, de sangue e de espírito Larangeira,

o teu posicionamento, traduzido neste texto, é de uma profundidade admirável! Você nos pediu, no blog do Jorge da Silva, para postarmos aqui os nossos comentários lá publicados. Contudo, não existe a mínima necessidade. Seria chover no molhado, pois você esquadrinhou todo o problema de forma magistral, para não dizer esquartejou o bicho feio até virar recheio de pastel! Além do mais, os comentários que foram postados revelam a afinação perfeita da recepção da mensagem, e é isso que interessa. Não foram barulhos de uma claque, foram suspiros que, aqueles que sabem conduzir e liderar homens, como você já provou saber,chegam a emocionar e tentar até em pensar investir contra os moinhos que existem a nos assombrar sempre, estejamos onde estivermos, em qualquer tempo e lugar.Pois, os nossos quixotes interiores nunca morrem, apenas adormecem...
Parabéns. Roma locuta!
Luiz Monnerat

Emir Larangeira disse...

Caro irmão Monnerat

Agradeço a sua intervenção, aliás, sempre com o gosto do mel, que os amantes da arte literária se deliciam. Não vou acrescentar mais nada, pois, tal como está no blog do mestre Cel Jorge da Silva, você, sim, esgotou o assunto.

Beijos no seu coração e nos corações da família!

Emir

Luiz Monnerat disse...

Caro irmão, estou colando aqui o comentário meu publicado pelo Jorge da Silva, a respeito do cartaz, cf vc solicitou:

Imagino que o comentário do Renato Esteves (no blog do Jorge da Silva) deve ter mexido com os brios de todos, inclusive com os dos que bolaram a tal campanha. Pobre, de fato. Tão pobrezinha quanto o nível do conceito atribuído pela população à briosa corporação: lá no fundo do poço, e pior, opinião dentro e fora das suas fileiras. O máximo que poder-se-ia extrair dessa campanha seria como um exemplo de despudorado e ridículo reforço ao que os petralhas estão agora e de forma risível denominando como malfeito. Um verdadeiro anacoluto para desorientar os já tão desorientados filhos desta terra que já foi chamada de Santa Cruz! Quase - quase um: come tudo pra ficar bonito! Ou: se fizer pirraça, o bicho-papão vem ‘ti’ pegar ! Pois, de tão fraca, quase infantil!
Não faz muito tempo – e tempo da ‘ditadura’ – um PM que apresentasse um preso algemado era tido como agressão grave aos direitos humanos, agora, nem se pensa mais na ‘farda’ – fardado você não pode, ou não podia, andar nem de guarda-chuva! -, nos símbolos, graduações… muito menos nas tais prerrogativas, que viraram sinônimos de privilégios. Então, dizer o quê ? Já chegaram a enfiar um coronel PM em Bangu I !!! Imaginem o que não podem fazer com um Cabo PM, um Soldado PM ! Daí considerarem naturalmente uma obra prima esse vergonhoso cartaz, verdadeiro assédio moral 'coletivo'… certamente não quiseram gastar dinheiro com um profissional de Comunicação… pois ‘nóis é qui intende disso, sem frescuras, papo direto, PM pra PM…’ No tocante à falta de respeito com a nossa legislação específica é bom nem tocar agora… haja espaço para isso… Mas, um toque foi dado com muita precisão pelo Renato lembrando os variados vencimentos percebidos dentro das fileiras com base em gratificações disso e daquilo, cizânia pura semeada em meio ao trigal ! (Agora, nos últimos dias anunciaram a invenção até de um ‘acelerador’ de promoção, verdadeira orgia administrativa, para contornar a insatisfação da tropa com os piores vencimentos do Brasil dentre as PMs co-irmãs!!! E será que não pensam que os PMs visualizam a sua situação verificando como estão os inativos? O sonho de todos é a inatividade sem penúria!)
Contudo, pessoalmente concordo com o comando que considera o atual grande problema da corporação uma questão de brio, ou melhor, de baixa-estima, que é o contrário, mas que não vem ao caso agora discutir. Entretanto, o negócio pode ser formulado considerando uma tropa vivendo no limiar da subsistência, com uma arma legalizada na mão, olhando para os lados e só enxergando porcaria vindo de todas as direções e alturas. É esta situação que lhes dá (aos Pms) consciência que formam um grupo social diferente… que é, sem nunca ter sido… que pode, sem nunca ter conseguido… que, afinal, tem a obrigação de levar tudo no peito, da maneira que vier, e que nada disso tem a menor importância para a vida de cada um deles, para as suas famílias, etc. Pois bem, daí é que surgem as quadrilhas, as milícias, etc. que olhadas por outro prisma dão recibo de incompetência para a corporação e o governo, pois conseguem aquilo que a ‘corporação’ e o governo não têm conseguido até agora: se impor de fato numa área. O que existe por aí é perfumaria, com o nome de UPP! Porém, o mais sério desajuste atual da PMERJ, de uma maneira geral, esbarra numa coisa que talvez alguns possam até torcer o nariz quando ouvirem isso: a proletarização constante e acelerada do efetivo da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro! O quê? Por quê? Já é outro assunto.
Abraços,
Monnerat.

Cb BM Meireles disse...

Com todo o respeito ao sr. Monerat: a "orgia administrativa" apenas mudou de lado com essa "aceleração" da queda do intertício. Tenho 13 anos hoje no CBMERJ, com a "aceleração" vou a Terceiro Sgt BM, repito com a queda do intertício assinada pelo governador Sérgio Cabral no último dia 10 de janeiro. Porém, o então Segundo Ten BM Cristiano na época em que ingressei no CBMERJ em outubro de 1998, hoje já é Ten-Cel BM. Note, que o mesmo de outubro de 1998 a hoje janeiro de 2012, em um intervalo de 13 anos, o mesmo já foi promovido 4 patentes, e, eu, com esta "orgia administrativa" consegui 2 graduações além da de Sd BM. A questão plano de carreira na PMERJ e CBMERJ é muito mais complexa. Em específico ao CBMERJ, se for realizada uma estatística, aposto - sem medo, que o quantitativo de Oficiais BMs estão ficando administrativamente insustentáveis. A regularidade de concursos para Sds BMs é infinitamente desproporcional ao de Oficiais que todo ano acessam a academia. Não dá pra discutir tal assunto sem ver realmente a realidade demanda de serviço. A cada dia mais acumula-se serviços e funções no CBMERJ, fato inviável em termos de boa qualidade de serviço a ser prestado a população.
Bem, em relação ao cartaz, mostra uma das justificas de ano passado nós BMs termos sido presos quando em protesto, justamente as covardias e injustiças que nos são impultadas. Falar em salário nem precisa, é mais que sabido da parte de todos, principalmente da cúpula do governo. Nossos regulamentos, CPM, e, leis afins, "alicerçados" nos porões da ditadura militar são uma desavença a dignidade humana.
OBS: Segundo tenho informação, este cartaz foi o estopim da movimentação pró-paralização na PMERJ com apoio do CBMERJ.

Emir Larangeira disse...

Prezado coirmão Meireles

Pelo que depreendi, o TCel Monerat criticou a medida da redução do interstício não por ser contra ela, mas por entendê-la insuficiente, como você provou no seu argumento. Creio que, no fundo, você ambos chegaram à mesma conclusão, ou seja, a "orgia administrativa" é exatamente isso porque não resgata plenamente o seu direito e o direito de muitos outros numa comparação direta, como a sua, com o companheiro citado, o que bem demonstra ser a redução do interstício mais um casuísmo. Na PMERJ, há muito a antiguidade virou pó. Sou do tempo que a antiguidade era efetivamente posto. Fui soldado PM numa época em que o cabo PM era realmente um superior hierárquico a ser como tal respeitado e admirado por sua experiência profissional. Hoje, infelizmente, está tudo embolado na PMERJ e no CBMERJ. Não há um plano de carreira que respeite a antiguidade, que, por si mesma, é mérito de esforço despendido ao longo de muitos anos, e de riscos reais de morte em muitas situações que os de menor tempo de serviço, mesmo diplomados nas universidades, não experimentaram, ou seja, o gosto amargo do perigo. Achar que a escolaridade é fator superior à antiguidade é ignorar os suores e as lágrimas choradas por muitos companheiros mortos em serviço, é olvidar a perda da saúde dos mais velhos por conta da insalubridade enfrentada ano após ano.
Como você bem situou, o plano de carreira é bem mais complexo, sim; eu diria que ele simplesmente inexiste. É preciso corrigir essas distorções abrangendo o todo da tropa e não somente uma parte que, mesmo sendo atendida, não está ainda com a sua dignidade resgatada como deveria.
Apenas à guisa de esclarecimento, o Cel Monerat é um dos mais ardorosos defensores das praças que conheci na PMERJ. Há na carreira dele exemplos surpreendentes de coragem ao se colocar ao lado de sofridas praças atacadas pela injustiça. Pode conferir com o pessoal da PMERJ que o conhece! Se o CBERJ e a PMERJ tivessem um comandante-geral como ele, você já seria coronel há muito tempo, tal como o seu companheiro!

Muito obrigado por sua importante contribuição!

Anônimo disse...

Atenção PMS: Antes de fazer greve, respeitem mais o cidadão. Prestem um serviço melhor para sociedade. Vcs tiveram quase 40% de aumento e ainda falam em greve.
Hoje recebo um email intitulado “comando de greve da PMERJ” avisando para não sair de casa e nem levar as crianças para escola. Isso é terrorismo. Quem tem de fazer greve é a sociedade.