sábado, 30 de janeiro de 2010

Eia!...Eia!... Chegou o Carnaval!

Foto do jorna EXTRA


Foto do Jornal O DIA

A sambista tenente PM Fem

Tudo é festa, menos para a PMERJ, que se enfia em regime de sobreaviso ou prontidão e trabalha duro nos dias de folia. Entra Carnaval, sai Carnaval, e a cena se repete... Não desta feita! Nesse Carnaval de 2010 há a grande novidade: uma mulher, tenente PM Fem, devidamente autorizada, segundo o noticiário, será rainha de bateria de uma Escola de Samba. E aqui está o epicentro da polêmica que sugere ser ao menos interessante: tem-se a tradicionalista e bicentenária corporação militar estadual, que outrora punia o infrator disciplinar até com pranchada – sua cultura apolínica; mas, concomitantemente, servia cachaça à tropa como complemento alimentar em dias festivos – sua cultura dionisíaca. E neste cenário confuso emerge do anonimato a moça boazuda que gosta de brincar o Carnaval e está convidada a ser rainha de bateria, propondo-se a cumprir as regras artístico-narcisistas da função, incluindo-se, talvez, tapa-sexo. Sim, como a nossa Eva do Adão. Nada de mais além do fato de ser a sambista tenente da briosa. Desta feita, porém, a farda será o seu corpo nu tremeluzindo em lantejoulas e outros brilhos carnavalescos...
A curiosa circunstância põe no foco da atenção da tropa uma inevitável situação: como será a escala de serviço dela, já que nos dias momescos a escala é tão apertada que nem oficial escapa. E se a sambista estiver escalada de serviço no dia/noite do seu desfile? A escala normal a que seria submetida será alterada ou será ela dispensada para facilitar sua empolgada pretensão? Bem, tudo isto é superável. Basta o comandante dela ajustar o tempo e... Pronto!... Lá estará a PM Fem caindo na gandaia, sendo apreciada por multidões, não mais por ser uma bela mulher, lugar-comum na nossa terrinha apinhada de mulheres lindas, mas por ser uma lídima PM Fem. Claro! Sim! Sim! Por ser PM Fem!... O que levará à mesa do café, do almoço, do jantar e dos drinques intramuros e extramuros dos quartéis a indagação: “Isto é normal ou anormal?”
Não! Sim!... Não? Sim?... Não é anormal? Nem normal?... Ora, é apenas inusitado, e talvez a corporação não esteja preparada para tanta liberalidade. Ademais, seus regulamentos decerto deixarão a moça à beira de um abismo, porque ela estará marcada para o resto do seu tempo na PMERJ, esta que, por sinal, é arraigada às suas tradições monárquicas, imperiais e republicanas e tangida por um militarismo que, por esta hora, está de nariz torcido. Por isso me vem uma ponta de dúvida quanto à normalidade do fato, mesmo que o comando-geral, – submetido aos mesmos regulamentos tacanhos, – tenha autorizado a moça a cumprir o seu “sonho de uma noite de verão”. Ah, pode ser que sim, pode ser que não, a autorização, se houve, tornou normal a pseudoanormalidade. Mas, futuramente, pode de haver cobrança e pagamento!... A sambista-tenente-pm-fem tornar-se-á devedora não se sabe de quanto, de quê ou de quem.
Quanto a mim, vejo a decisão do (a) tenente PM Fem com uma dúbia visão: a da arte que envolve a festa, – e a arte não pode e nem deve ser cerceada num país democrata, – ou de puro narcisismo; pois, enquanto a Escola de Samba conta uma história no samba-enredo, e as alas fantasiadas seguem encenando-o em fantasias múltiplas e anônimas, e a bateria cumpre sua tarefa de fazer marchar a Escola de Samba, a rainha de bateria se destaca por sua fama anterior: atrizes, modelos etc. Ou então são mulheres das comunidades referentes às Escolas de Samba, claro que possuidoras de dotes dionisíacos...
Bateria e rainha são unas; eis a conta: 1+1=1; e, deste modo uno, Fermatiano e inversamente Globalístico (o todo maior que a soma das partes: 1+1=3), ambas percorrem a pista de desfile e cumprem suas finalidades. A da bateria é garantir a harmonia do samba e a empolgação dos foliões, e espectadores, e telespectadores, e jurados, e ouvintes, e da mídia em geral. A da rainha de bateria é empolgar essa galera toda sem receber nota (grau) alguma. Quanto ao cachê... Com ou sem, – e mesmo assim, – a rainha de bateria tornou-se tradição em todas as Escolas de Samba. Isto não se discute: ela é instituição carnavalesca.
Vistos etc., a questão passa a ser moral e ética, e por esta via decorre a indagação fundamental: “É possível conciliar samba e farda?” O meu lado artista diria que sim; o meu lado militar estadual tenderia ao não, porém parcimonioso. Com efeito, um dilema traduzido por duas escolhas no mínimo polêmicas. Se a corporação proibir a moça de desfilar, acrescerá ao seu currículo mais um gesto tacanho, o que não interessa à sua já desgastada imagem pública. Por outro lado, a corporação existe bem mais para proibir que para permitir no seu dia a dia e deve fazer jus a essa imagem desagradável. Mas, se a corporação permitir, os críticos de plantão questionarão o absurdo e o final da história tende a ser desagradável. Como sempre... Aliás, cabe a indagação: “Por que a corporação tem de permitir ou proibir?” (Pergunta que ouvi do Cel Jorge da Silva em boa hora, ao trocar ideias com ele sobre o assunto deste texto ainda em construção).
Cá pra nós, seria o fato um absurdo ou apenas inusitado? Ora bem, que fique também a indagação no papel para respondê-la o prezado leitor. Porque, na minha idade, nem mais sei como opinar; para mim, mulher é quase que poste quando não me injeto testosterona (tcs, tcs, tcs). Em opinando, porém, talvez eu sucumbisse aos dogmas do militarismo, – aos quais me submeti nem tão docilmente assim, – e crucificaria a PM Fem... Ah, nem tanto assim! Parece inveja... Afinal, discordei e discordo de muitos dogmas corporativos e ignorei outros tantos nos velhos tempos. Então, numa boa, e jogando para a platéia, acharia ótimo o inusitado e aplaudiria a sambista... Não! Não! Não vou de A nem de B! Deixo com vocês...
Que dilema!... Mas meus olhos desfocados, que a terra há de comer, apreciarão vesgamente a sambista sem lembrar a PM Fem. Ou, mesmo cegueta, eu abraçarei ainda mais Dionísio enxergando em feiticismo a PM Fem sambando fardada... Hum, olha eu me entregando aí, gente!... Porque, para mim, salvo melhor juízo, o inusitado é que tem transformado o mundo. No fim de contas, inusitados e sonhadores foram Einstein, Da Vinci, Galileu e tantos outros cientistas, escritores, poetas e compositores que romperam dogmas em seus momentos fugazes da vida, nos quais a juventude e a beleza se inserem e são vencidas num átimo.
Por falar em dogmas, será a “sambista tenente PM Fem”, por seu gesto, crucificada e tornada mártir? Vale a causa um tostão?... E se ela estivesse, com fantasia politicamente correta, tocando bumbo na bateria da mesma Escola de Samba? Teria a atenção de alguém? Sim? Não?... Não é, na essência, o mesmo comportamento tão comum entre militares federais e estaduais que lá estão enfiados anonimamente? Ó folia! Que aproveitem todos! E, por mim, que a moça vá reinar e sambar! Quero ver o espetáculo, com ou sem “a” tenente-sambista-rainha-de-bateria em cena... Pior (já imaginaram?) se fosse “o” coronel (anônimo) a rebolar em frenesi no alto de um carro alegórico... Hum... Será que existe algum militar federal ou estadual com essa vontade enrustida?... Ah, deixe estar, espero que ao fim e ao cabo do espetáculo carnavalesco não haja nenhum “castigo-espetáculo”, e, por conta do Carnaval, Apolo e Dionísio se abracem e sambem deveras!...

3 comentários:

Rose Mary M. Prado disse...

Ou quem sabe uns bopeanos semi-nus,com boinas pretas, em um carro alegórico?
Não seria má idéia! He,he,he.

Paulo Xavier disse...

Ou talvez, a corporação quebrasse o rigor do regulamento e fazia dessa novidade tão badalada pela mídia, uma aproximação com o povo. Quantos marmanjos não vão babar ao verem passar essa bela mulher-PM toda sensual?

Val disse...

Ou quem sabe, talvez, algumas Pm fem, fazendo jus ao que recebe no final do mês, mesmo que não faça valer o risco que estão correndo, utilizasse da sua imagem para o que é realmente importante, zelar pela nossa segurança.


# VAL # CBMERJ 3.8