quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Sobre as maracutaias no judiciário da China...




Como o título diz tudo, e o povo já sabe, prefiro falar dos meus fantasmas...


De uns tempos para cá tenho visto fantasmas ou sentido a presença deles em torno, em baixo ou acima de mim; enfim, nas dimensões possíveis e impossíveis que conhecemos ou pensamos conhecer. Não são poucos, os meus fantasmas. São pequenos, grandes, médios, todos com uma essência boa, fresca, receptiva... Hum... Não são fantasmagóricos, parecem-me, como eu disse antes, receptivos, e aí mora o problema... Porque me sinto amigo íntimo deles, tenho vontade de abraçá-los, mas, quando o faço, apenas envolvo meus braços no ar vazio onde eles pairam divertidamente e ziguezagueando como os meus infantis planadores de papel. Ó tempo ingrato! Por que passa tão rápido na vida da gente?...
Será que meus fantasminhas me visitam com segundas intenções?... Não sei. Nada falam, mantêm-se com aquele sorriso no canto de uma boca torta que parece ser a característica dos fantasmas. Mas são tão simpáticos, alegres, voam para lá e para cá, não sossegam um instante, e me fazem presumir ser a vida de fantasma somente feita de alegrias. Também não se cansam. Aparecem de dia, de noite, de madrugada, não lhes importa se o sol brilha ou se as trevas dominam o ambiente. Creio que tentam me convencer ser a vida fantasmagórica uma boa pedida. Eu não acho!...
Contudo, não posso evitar a visão permanente, ou insistente, dos meus fantasmas. Já apelei para rezas e orações, patuás e mandingas, águas de cheiro e tudo mais que possa satisfazer os fantasminhas e fazê-los desaparecer do meu caminho, que pretendo seja longo nesta vida material. Não quero saber de “mundo melhor” do outro lado. Prefiro sofrer por aqui durante um bom tempo ainda. Mas os fantasmas me forçam a lembrar do fim, imprimindo-me a sensação de que terei um bom fim... É verdade que também os tentei prender numa garrafa a imitar a lenda do “Gênio da Lâmpada”. Conversa! Eles atravessam o vidro tais como os neutrinos perpassam bilhões de quilômetros da espessura do chumbo.
Outro dia, ou noite, quase que falaram comigo. Excitei-me! Mas, se eles não me falaram a mim, em compensação eu lhes vociferei poucas e boas. Primeiramente, fui com eles educado, carinhoso... Depois então estrilei, de tanto que me incomodaram. Não sei explicar, mas os fantasmas emitem um som que lembra o silêncio. Sim, emitem o som do silêncio enquanto dão voltas, viravoltas e reviravoltas no meu quarto, local predileto deles. Já pensei trocar de quarto para burlá-los, mas concluí por não fazê-lo, eles atravessam as paredes e logo percorrem os lugares em que tento me refugiar. O jeito, então, é conviver com os meus amigos transparentes. Ah, não pensem que são fantasmas significando pessoas que partiram dessa pra outra, espíritos de gentes conhecidas, parentes etc. Nada disso. São apenas fantasmas inominados, sem feições ou trejeitos familiares. Não posso negar que gosto deles. Não são assustadores. Estou a mais e mais me acostumando com a presença deles no meu ambiente de moradia.
Já percebi que eles (ou elas) não me acompanham quando viajo alhures. Creio que moram na minha casa e dela não pretendem sair para nada. Aliás, é nada o que fazem, o que implica concluir que, nada por nada, ficam eles a vagar no ar caseiro sem grandes pretensões ou ambições presentes ou futuras. Isto sugere que vida de fantasma não é tão ruim, embora meio agrilhoada a determinado ambiente. Mas isto é só dedução minha; não há comprovação do que afirmo, não sei para onde eles seguem quando desaparecem dando-me um tempo. Mas a cada desaparecimento deles (e/ou delas) eu sinto saudade. Fazem-me falta. Sinto-me só quando os meus amigos fantasmas evaporam do seu nada para outro nada qualquer, mesmo que por um ou dois dias. Quando voltam, que alegria!
Sei que os de carne e osso, como eu, que me lêem agora, pensarão que maluquei definitivamente. Não pensem assim! Falo sério! Vejo, mesmo, os meus fantasmas quase que diariamente, ou no ar, ou dentro do espelho sorrindo-me receptivamente... Hum... Essa receptividade me incomoda... Penso que me chamam para junto deles. Ah, deve ser impressão. Bem mais me parece, na verdade, que me estão a distrair e a me ajudar a passar o tempo, se é que existe algum tempo neste Universo sem início, meio ou fim. Existe, sim, uma eternidade da qual fazemos parte, ou como gentes de carne e osso ou como... Bem, agora sei, como... bons fantasmas
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3 comentários:

luiz disse...

Cá estamos nós outra vez caro Emir.Bonita são estas palavras de Schopenhauer, é uma lástima que esse grande pensador(o meu favorito),assim como outros grandes pensadores não tenham conhecido mulher.O caso que me trás aqui,é bem outro; Observe http://extra.globo.com/geral/casodepolicia/lopes/. Nesse artigo o coroneleco diz verdades,mas são meias verdades, combina com o artigo escrito acima (confesso que não o li direito), apenas de forma dinâmica), vou direto ao assunto sem mais delongas e botando a cara. Cadê as verdades sobre Marcos Alexandre,Carlou,Cláudio,Jansen et caterva, não vejo ninguém além do "Boca" a mostrar a podridão que impera nessa PM

luiz disse...

Estou esperando sua resposta Sr Emir, não me decepcione.

Emir Larangeira disse...

Prezado Luiz

Já passei da idade para me preocupar em decepcionar ou não decepcionar pessoas. Sigo a minha lógica, dentre elas não ofender ninguém. Não postarei seus comentários ofensivos ou jocosos contra as pessoas que você nominou, mesmo até que com você eu concorde. Mas isto é questão de foro íntimo. Externar alfinetadas pela boca ou grafia de terceiros não se coaduna com os meus princípios. Desculpe-me, mas não mudarei esta minha posição, mesmo que eu o decepcione. Abraços.