sábado, 21 de fevereiro de 2009

Sobre a liberdade

Novos tempos!... Tempos de liberdade!



Apraz-me deveras ver surgir a cada dia um novo blog de policial expondo idéias, criticando, elogiando etc. Claro que os companheiros mais antigos, muitos ainda em atividade e avessos à modernidade, não percebem a força da blogosfera, cuja interface une como poderoso ímã as pessoas com a mesma linha de pensamento, mesmo pertencentes a instituições diferentes e espalhadas Brasil afora. Na verdade, muitos até se comunicam com o exterior ou são observados por interessados em estudar o fenômeno policial brasileiro. Em contrário, os nativos da aldeia tupiniquim insistem em aplicar regulamentos disciplinares ou criminalizar os que manifestam seus pensamentos como nos permite a Carta Magna.
Curioso é que muitos políticos, antes situados na posição de estilingue, agora não suportam ser vidraça. Apelam para a autoridade do cargo a tentar calar à força do muque a voz dos internautas. Mas é como malhar ferro frio: a turma está indo em frente e abrindo seu espaço de fato e de direito. E não há ameaça, ferrão, espada, fuzil, grade ou outros modos de vigiar e punir que consigam deter a difusão das idéias, não que sejam boas, excelentes, formidáveis; algumas, na verdade, são até muito ruins, outras são injustas. Contudo, o que está em jogo é a liberdade de expô-las. Não importa se terão utilidade para aqueles que temporariamente estão a comandar o espetáculo político. Logo não mais estarão e os internautas lhes saberão dar o devido troco disseminando suas maldades e impedindo que retornem ao poder. Porque o poder do internauta é eterno! Como bactéria necessária à saúde social, os internautas proliferam a mais e mais. É claro que para esses temporários do poder político a proliferação é vista como praga a ser eliminada do contexto de seus interesses inconfessáveis.
Ah!...
Novos tempos!... Tempos de liberdade!
Tempos de conquista e exposição livre dos contrastes e contradições. Não é fácil ser internauta. A diferença entre o poder do burocrata e o poder do internauta é que o primeiro é apenas legal. O poder do internauta é, sobretudo, legítimo. O internauta não “tem” um blog. Ele “é” o blog. E o que “é” não morre, porque são poucos os que podem bater no peito e dizer “eu sou”, mesmo que nada “tenham”. Os que “são” não se preocupam em “ter”. Vivem a liberdade do “nada a perder”: as idéias “são”, e, por conseguinte, não se perdem jamais. Depois de gravadas, vencem os tempos e vão à eternidade. Balzac dizia que “a vida militar exige poucas idéias”. Enganou-se! A vida militar e o rigor dos regimentos policiais impedem que boas idéias sejam difundidas, mas elas existem e a prova aí está: a grandiosa blogosfera policial. A vida militar, mais até que a policial, quer “corpos dóceis”, mas o homem que veste a farda ou ostenta um distintivo é corpo e alma como qualquer homem. E sua alma finalmente encontrou o portal da liberdade: a internet.
Novos tempos!... Tempos de liberdade!
Por isso, nós, internautas, vamos em frente, abrindo picadas para os mais novos. Vamos sangrando nossas mãos, rasgando nossa pele nos espinhos das incompreensões e da sede vingança dos poderosos que detestam a liberdade, embora a apregoem como “bandeira de luta” na política. Ah, que nada! São sacripantas! Fazem gestos e feições treinadas! Como diria o mestre Machado de Assis, são “metediços e dobradiços”; vivem para si e não para o outro. Mas cá estamos nós, internautas de plantão, a observar com independência esses finórios, prontos a lhes dar uma surra nas urnas. Afinal, somos esbanjadores de idéias e também votamos; e somos chatos, sim! E estaremos sempre a policiar os maus para sugerir aos eleitores que não mais votem neles. É direito nosso! Faz parte dos novos tempos, dos tempos de liberdade, que defenderemos nem que seja a muito suor e sangue!
Ó novos tempos!... Viva a liberdade!... Alegria! Alegria!... Viva a liberdade!
Como os dias pedem, cantemo-la, pois, em ritmo de carnaval...


Hino da Proclamação da República*



Seja um pálio de luz desdobrado.
Sob a larga amplidão destes céus
Este canto rebel que o passado
Vem remir dos mais torpes labéus!
Seja um hino de glória que fale
De esperança, de um novo porvir!
Com visões de triunfos embale
Quem por ele lutando surgir!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

Nós nem cremos que escravos outrora
Tenha havido em tão nobre País...
Hoje o rubro lampejo da aurora
Acha irmãos, não tiranos hostis.
Somos todos iguais! Ao futuro
Saberemos, unidos, levar
Nosso augusto estandarte que, puro,
Brilha, avante, da Pátria no altar!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

Se é mister que de peitos valentes
Haja sangue em nosso pendão,
Sangue vivo do herói Tiradentes
Batizou este audaz pavilhão!
Mensageiros de paz, paz queremos,
É de amor nossa força e poder
Mas da guerra nos transes supremos
Heis de ver-nos lutar e vencer!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

Do Ipiranga é preciso que o brado
Seja um grito soberbo de fé!
O Brasil já surgiu libertado,
Sobre as púrpuras régias de pé.
Eia, pois, brasileiros avante!
Verdes louros colhamos louçãos!
Seja o nosso País triunfante,
Livre terra de livres irmãos!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!


* Música: Leopoldo Miguez (1850/1902)
Letra: Medeiros e Albuquerque (1867/1934)

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