sábado, 26 de junho de 2010

Que baita empate!

Como eu torci pelo empate entre Brasil e Portugal! Ou pelo empate entre Portugal e Brasil, tanto faz, afinal, somos todos “patrícios”, ora, pois, pois!... Não cabia resultado outro que não fosse zero a zero; fosse um a um, não teria a graça, não haveria o perfeito ajustamento de ascendentes e descendentes que adentraram o campo sem garra ou dentes para ninguém se machucar. O jogo foi de amores mútuos, exceto quanto ao Felipe Melo e seu rival, Pepe, briga de brasileiros: não deve ser considerada. De resto, o empate foi perfeito. As traves que acolhiam os goleiros estavam sob efeito de mágica. A bola jamais entraria para balançar suas redes simplesmente porque ou a baliza diminuía ou a bola crescia o suficiente para não entrar no retângulo nem com vaselina. Nos momentos de perigo, em que os torcedores abrem demais os olhos ou fecham-nos e acabam não enxergando nada nos dois casos, bola era como o pé dum gigante e a baliza, meia de bebê: impossível de se encaixar um na outra. E o jogo foi de cabo a rabo uma fuga do resultado adverso, e bastava ser um a um para ser adverso na luta entre consanguíneos. Eu, cá comigo, bisneto de portugueses de pai e neto de português de mãe, torci pelo zero absoluto. Ora, pois, pois! Querem o quê? Como torcer pelo Brasil ou por Portugal? No meu caso, o único resultado a me deixar alegrinho era exatamente zero a zero; e o Dunga, para mim, passou a ser o melhor técnico de todos os tempos da seleção canarinho (cá pra nós, mais para seleção pardal, passarinho urbano que borra na cabeça da gente em colaboração aos pombos. Coitadinhos... Vieram de lá aninhados na “Casa do Caralho” das naus lusitanas). O “canarinho” do Dunga parecia o “raio de sol” machadiano pulando dentro da gaiola em movimentos repetidos entre a água e a comida na porta do Belchior... Resta esperar para ver se ele balançará as “asas da liberdade” e alçará aos céus, como no final da história, para vencer a única seleção que encanta o mundo até agora: a do papá Diego Maradona: a Argentina. Cá pra nós, parece-me que é hora de hispano-americanos abocanharem a taça. Que sejam, então, os mestres do tango! Porque até para torcer pra “seleção pardalzinho” do Dunga (a seleção é dele, como ele categoricamente afirma) está difícil. Rezar aos santos também não adianta: o papá Dieguito disparou na frente em rezas inalcançáveis por outros e salvas de beijos e abraços nos seus niños. Se tentarem, parecerão seus imitadores e tudo soará falso. Portanto, com todos os santos ao lado dos argentinos, e os craques portenhos dando espetáculo de futebol-arte e vencendo, não há muito que esperar do futebol-burocracia do Dunga e suas retrancas modorrentas. A não ser que Deus seja efetivamente brasileiro e o “milagre” de 1994 se repita, com o Lionel Messi isolando a bola na batida do pênalti decisivo...


domingo, 20 de junho de 2010

Feliz coincidência







Quem pratica a literatura compromissada com a realidade presente, antevendo o futuro, costuma viver momentos de glória. É o que os franceses designam como literatura “à clef”, constatando que não é tão simples separar ficção de não-ficção, duas situações que andam como se uma fosse o corpo e a outra, a sombra, ou vice-versa.
Eis que no ano de 2003 publiquei um romance com o título “Cidadela Contemporânea”, trazendo como subtítulo “a tirania do tráfico”, conforme se vê na capa aqui reproduzida. O texto pode ser acessado, impresso ou apenas lido no meu site (www.emirlarangeira.com.br), já que a edição está esgotada.
Não posso negar a minha satisfação de ver a matéria igualmente destacada, cujas partes aqui postei, ressaltando a foto com o título e a imagem do “refúgio do crime”. A reportagem (sensacional!) assinada pela jornalista Ana Cláudia Costa, primor de investigação jornalística, resume a realidade atual e confirma minhas apreensões anteriores, não apenas as ilustradas no romance, mas em sucessivos artigos postados no meu blog.
Longe de este comentário significar crítica às UPPs (agora o “mistério” do “cartão postal” está desvelado pelo próprio Jornal O Globo), e certo de que a PMERJ, a PCERJ e a PF são capazes de agir em quaisquer lugares com a coragem de sempre, considero natural que tenha havido a migração dos bandidos para o Complexo do Alemão, tão certo como entendo que eles, os bandidos, ao lerem a magnífica reportagem de Ana Cláudia Costa, buscarão antes do ataque policial (não tenho dúvida de que ocorrerá) outras “cidadelas” para “refúgio”, o que, aliás, e como manda a “arte da guerra”, não se deve evitar: deve-se dividi-los para enfraquecê-los, e é melhor que eles se dispersem antes do ataque para evitar confrontos sangrentos em prejuízo (CERTO) de inocentes.
Vejo a reportagem sem espanto e em incontida alegria. Ela representa a confirmação das minhas impressões anteriores e bem antigas, e, para a polícia, trata-se dum belo golpe de propaganda como arma de guerra. Por essa hora, os bandidos, – que sabem muito bem ler e escrever, e erram aqueles que pensam que a polícia lida com analfabetos armados e destreinados, – os bandidos estão esgotando os exemplares de O Globo nas bancas da região. Esta será a matéria mais lida pelos facínoras no dia de hoje. Creio até que neles produzirá uma total desconcentração em vista do jogo do Brasil contra a Costa do Marfim. Na verdade, lá pelas três da tarde eles estarão nervosos, tomando “neosaldina” e se preparando para receber algum ataque de surpresa no momento do jogo. Não lhes custa crer nesta possibilidade, e os jogadores famosos, frequentadores assíduos do perigoso lugar, que se cuidem!
Quanto a mim, vou comparando em êxtase a capa do meu livro com o título da matéria que trouxe à realidade vocábulo tão expressivo nos tempos remotos: a “cidadela”.

Bom domingo!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Sobre a crítica

Não raramente sou questionado por evitar críticas a outras corporações atuantes na segurança pública. A resposta é simples: creio, em princípio, que cada qual deve cuidar do seu próprio quintal antes de avaliar o do vizinho. E, mesmo que este se apresente feiíssimo, devemos observar primeiramente o nosso, pois nele sempre haverá o que destruir para reconstruir, isto no mínimo. Daí é que me prendo à PMERJ (o meu quintal), não sem me ufanar por saber que minha tão malfalada corporação, se cruzar os braços em resposta às duras críticas que recebe, o ambiente social se tornará vulcânico. É como na relação intrínseca entre a saúde e a doença. Só damos valor à saúde quando adoentamos. É assim também com a ordem e a desordem: só valorizamos a primeira quando a segunda nos atinge, e o primeiro remédio que nos surge é a PMERJ. Se ela não funcionar, aí sim, virão os tratamentos seguintes: a PCERJ, o Ministério Público, o Poder Judiciário, o Sistema Carcerário etc. Com efeito, no corpo humano, a saúde se digladia com a doença; no corpo social, a ordem se confronta com a desordem. São as eternas tendências à entropia dependentes de ajustamentos em direção à homeostase.
Manter a saúde é se prevenir contra a doença; manter a ordem é se prevenir para não ocorrer a desordem. Se não houver prevenção, a doença ou a desordem poderão imperar até fazer morrer o corpo físico ou o corpo social. Não são poucos os exemplos de ambos (doença e desordem). A morte cessa a doença individualmente, mas a epidemia é capaz de produzir mortes físicas e sociais concomitantemente (doença acrescida de desordem). Enfim, doença e desordem é que devem ser o foco precípuo do indivíduo e da sociedade. Como nos ensina o estudioso Cel PM e Professor Jorge da Silva, devemos administrar a insegurança, para evitá-la ou minimizá-la, num processo dinâmico e infinito. Sim, a PMERJ administra a desordem para que a ordem predomine. Trata-se de uma guerra sem fim, desdobrada em batalhas em que a ordem vence aqui e perde ali, e sempre por um triz porque a desordem é teimosa...
Creio até que ficaria mais bem posto se a PMERJ fosse denominada “polícia de administração da desordem pública”. Porque o nosso labor cotidiano incide sobre a desordem. Onde há ordem não há a necessidade de polícia alguma, e muitíssimas vezes a ordem predomina sobre a desordem ou a esta se adapta, legitimando-a e tornando-a ordem sem intervenção policial. Afinal, como diz com sabedoria a Carta Magna, a segurança pública (garantia da ordem pública) é dever do Estado e responsabilidade de todos. Nesta última prescrição constitucional se incluem o cidadão, lar, a escola, a igreja e demais segmentos sociais cumprindo seus papéis. Enfim, seria a sociedade convivendo saudavelmente, sem o Estado intervindo nas liberdades individuais e coletivas ou fazendo-o no seu mínimo. Seria a sociedade se administrando a si, definindo o que é ordem e o que é desordem, antes de o Estado exercer o seu papel coercitivo em vista de uma “ordem” não legitimada pela sociedade a que serve ou deveria servir, por sinal, sempre exagerando na vigilância, na punição e na espoliação dos cidadãos... O Estado deveria, sim, ser o fomentador do desenvolvimento, invertendo o sentido contínuo da frase “Ordem e Progresso”, contida no Pavilhão Nacional, para “Progresso e Ordem”...
Mas, não! Antes de ser estimulada, a sociedade é vigiada e punida por diversos organismos estatais policiais e não policiais. Os cidadãos vivem cercados de impedimentos e afagados por autorizações que soam como proibições. Porque, quanto se autoriza alguma coisa, presume-se certa vontade anterior de proibi-la, o que por si só encerra a ideia da vigilância e da punição como um sistema de tocaia... Sim, porque a sociedade, para viver em paz e harmonia, trabalha e entrega grande parte do seu suor ao Estado. Portanto, nada que o Estado faça em benefício do cidadão é favor; pelo contrário, é obrigação, para a qual é mui bem remunerado. E entre os organismos estatais que mais cumprem a sua parte devolvendo serviços à sociedade, a PMERJ se destaca, o que não significa dizer que esse nosso quintal está bem-cuidado. Na verdade, não está funcionando tão a contento, assim como nenhum outro serviço público pode afirmar excelência no Brasil. No caso da PMERJ, aceitar e corrigir falhas significa avanço no sentido de prestar o melhor serviço público. E corrigir falhas é um processo contínuo...
Se o serviço público, de um modo geral, é ruim, o que há de excelente é publicidade tornando-o “bom” aos olhos e ouvidos ingênuos do povo. E é assim porque a publicidade penetra a mente do indivíduo isoladamente e produz o efeito pretendido. A publicidade trabalha o “rebanho” por meio da influência de cada “ovelha”. Portanto, a publicidade, nesse sentido, é um mal social. E, em se tratando de publicidade paga pelo Estado, via contribuinte, é um mal social maior, pois o que se propaga é a falsa verdade. Ou a mentira! Jamais a verdade!... No mundo particular, igualmente, a publicidade vende porcaria, e o povo, afetado por mensagens que atingem o emocional individual, compra-a, joga-a fora e torna a comprá-la. A má publicidade é uma desgraça!
A PMERJ faz pouca publicidade do seu bom serviço. Ela substitui ou complementa muitos serviços assistenciais como regra operacional inevitável e não difunde esta suada contribuição para o bem-estar da sociedade. Daí é que as falhas são maliciosamente noticiadas pela mídia. Afinal, não se trata de publicidade paga pelo Estado, mas de acontecimentos individuais desmoralizantes, que se generalizam midiaticamente, tornando o todo, que é bom e até excelente, algo ruim. O perigo disso é o círculo vicioso, pois o policial cumpridor dos seus deveres não recebe a aprovação da mídia e acaba entendendo que “ser ruim é a regra”. E muitas vezes, revoltado, não insiste no bom serviço, que, por sinal, é pessimamente remunerado. E o círculo gira no sentido inverso do desejado pela PMERJ e pela sociedade. E tudo termina mal, mesmo que comece bem aos olhos e ouvidos do povo afetado pela má notícia. Mas é assim o mundo: ele pertence à versão e não ao fato; ele pertence à aparência e não à realidade. A PMERJ trabalha com a realidade, e faz grande esforço para bem cuidar do seu quintal, embora aparente não fazê-lo por culpa da má publicidade propagada pela mídia sensacionalista e amante do “Cidadão Kane”...

domingo, 13 de junho de 2010

Sobre as UPPs: eis, finalmente, a origem de tudo!



Venho desde o início da implantação das UPPs tentando entender a verdadeira motivação delas. Na realidade especulando sobre a escolha dos locais cuja decisão estava em mistério, embora na superfície do meu raciocínio aflorasse a certeza de que não poderia ser nada além da preparação de um cenário favorável aos grandiosos espetáculos internacionais (Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016). Sem embargo, dois eventos desportivos maravilhosos e mais importantes do planeta. Mas a ocultação desses motivos permitiu deduções várias, do mesmo modo que a improvisação dos alojamentos dos PMs alocados em UPPs (contêineres) sugere ainda algo temporário e restrito à falsa ideia de que a PMERJ erradicou o tráfico de drogas nesses lugares, o que não é verdade, as ações repressivas nas favelas ocupadas por UPPs reforçam esta conclusão: o tráfico continua insistindo em funcionar, claro que sem a ostentação das armas, que não foram apreendidas na sua totalidade, e sem a audácia dos traficantes, que não foram presos: entraram em “forma cística” ou migraram para outros lugares.
Quanto à migração, nada demais, a arte da guerra, desde Sun Tzu, ensina que não se deve acuar o inimigo sem lhe deixar rotas de fuga. Inimigo acuado costuma redobrar suas forças e reagir violentamente contra o oponente, havendo até o risco de vencer uma batalha já perdida. Portanto, a ação operacional da PMERJ na conquista dos espaços predeterminados e a sua ocupação estão em conformidade com a estratégia, a tática e a operacionalidade da tropa em combate similar aos encetados contra guerrilheiros em zona conflagrada. A diferença é que agora é contra “narcoguerrilheiros”. Enfim, a PMERJ demonstra sua máxima competência como tropa de combate, ou seja, como “força de segurança”, sua principal vocação carimbada com o gesto máximo da Bandeira Nacional cravada no topo da colina conquistada, e logo abaixo e ao lado a flâmula da tropa vencedora. Mas a ocupação social por outros organismos governamentais até agora não passou de falácia, o que vem obrigando à PMERJ improvisar algumas aproximações comunitárias incipientes enquanto aguarda as demais intervenções estatais, se é que ocorrerão.

A lógica das ocupações finalmente veio à tona, assumida pelo mesmo jornal (O Globo) que vem defendendo e propagando positivamente as UPPs, claro que com mais interesse econômico-financeiro que social. Fosse este último, seria o caso de indagar como será resolvido o problema (idêntico) em milhares de favelas, em todo o RJ, ostensivamente dominadas por tráfico armado ou por milícias. Como elas serão atendidas pela PMERJ concomitantemente com o policiamento do asfalto?... Afinal, a Constituição do Estado do Rio de Janeiro condena todo tipo de privilégio ou de discriminação, como se lê (sic):

“Art. 9º – O Estado do Rio de Janeiro garantirá, através da lei e dos demais atos dos seus órgãos e agentes, a imediata e plena efetividade dos direitos e garantias individuais e coletivos, mencionados na Constituição da República, bem como de quaisquer outros decorrentes do regime e dos princípios que ela adota e daqueles constantes dos tratados internacionais firmados pela República Federativa do Brasil.
§ 1º – Ninguém será discriminado, prejudicado ou privilegiado em razão de nascimento, idade, etnia, raça, cor, sexo, estado civil, trabalho rural ou urbano, religião, convicções políticas ou filosóficas, deficiência física ou mental, por ter cumprido pena nem por qualquer particularidade ou condição.
§ 2º – O Estado e os Municípios estabelecerão sanções de natureza administrativa, econômica e financeira a quem incorrer em qualquer tipo de discriminação, independentemente das sanções criminais previstas em lei.
§ 3º – Serão proibidas as diferenças salariais para trabalho igual, assim como critérios de admissão e estabilidade profissional discriminatórios por quaisquer dos motivos previstos no § 1º e atendidas as qualificações das profissões estabelecidas em lei.
Art. 10 – As omissões do Poder Público na esfera administrativa, que tornem inviável o exercício dos direitos constitucionais, serão supridas, no prazo fixado em lei, sob pena de responsabilidade da autoridade competente, após requerimento do interessado, sem prejuízo da utilização do mandado de injunção, da ação de inconstitucionalidade e demais medidas judiciais.”

Agora eu afirmo: a PMERJ, com seus membros sob juramento individual, em tropa formada perante a Bandeira Nacional, e com o risco da própria vida, deve resguardar os direitos fundamentais dos cidadãos e jamais discriminá-los ou privilegiá-los quanto ao exercício dos direitos constitucionais. A segurança pública é um desses direitos textualmente citados na Carta Magna, cabendo ao Ministério Público fiscalizar o cumprimento das normas constitucionais (sic):

“Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: (...)

IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. (...)
Art. 127. O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. (...)
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: (...)”


Insisto que não sou contrário às UPPs. Não gosto, todavia, de vê-las mitificadas; isto é um perigo futuro, pois não me será estranho a imprensa passar do elogio à crítica (sua real inclinação), desde que não mais se interesse por UPPs. Mas agora não me há mais dúvida de que as UPPs e a transferência do BOPE se incluem no tal “cartão postal” citado pelo Jornal O Globo. Haveria na “insinuação global” alguma tocaia em andamento?... Por outro lado, foi bom ter sido assim, porque, pelo menos, acabou-se a especulação do óbvio, ainda que induza a matéria em destaque certa intenção de “tirar o corpo fora”... Seja como for, permanece em mim a certeza de que tudo se resume ao cenário de uma peça teatral cujos ingressos ficarão restritos a somente uma parte dos interessados em assisti-la: estão excluídas as demais comunidades assoladas pelo tráfico e acrescidas de armas e traficantes deslocados das comunidades ocupadas por UPPs, em nítido privilégio destas poucas e discriminação daquelas muitas outras. Ou seja, a maioria da população favelada não conhecerá jamais nenhuma UPP, por uma razão simples: “O formato segue a função.” E o formato da PMERJ é e continuará sendo insuficiente para seguir tão gigantesca função...
Esta máxima estratégica de Louis Sullivan*, que, em outras palavras, significa que a estrutura deve atender aos objetivos traçados, jamais será suprida pela esforçada corporação mantenedora da ordem pública. Porque, nem gastando todo o orçamento estadual é possível transformar o território do RJ num “cartão postal globalizado” (apenas trocadilho). Afinal, aumentar os meios materiais e humanos (estrutura/formato) para atender otimamente a esse objetivo (função) de ocupar todas as favelas do RJ com UPPs, e policiar eficazmente o asfalto, ainda generalizando o privilégio remuneratório destinado a algumas poucas UPPs e a alguns poucos PMs a elas destinados como “especiais”, é impossível.
Aliás, nem se pode falar em “alguns poucos PMs”, pois há municípios com milhões de habitantes que não são privilegiados nem com metade do efetivo já alocado nas “poucas UPPs”. Enfim, o que prevalece é o privilégio de poucos em contraposição à discriminação de muitos, com o poder estatal olvidando a Carta Magna e seus ditames democráticos na base do L'Etat c'est moi... No fim de contas, a Copa do Mundo e as Olimpíadas, hoje, são mais importantes que os “interesses sociais e individuais indisponíveis” (com a palavra o Ministério Público...). Ah, e esse pessoal amante dos maus exemplos ainda critica os abusos do regime militar... Mas estou satisfeito por saber que desde o início não me enganei ao especular exatamente o que agora emerge na nota jornalística: a verdade do “cartão postal”! Resta agora aguardar o futuro e torcer para que a PMERJ saia elegantemente da “sinuca de bico” em que se meteu. Porque os acertos serão do governo e os erros, tão-somente da corporação. Aliás, como sempre...


*
Sullivan. L. H. (1988): The Public Papers (Ed. Robert Twombly). Chicago and London: Chicago University Press.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Crítica sobre a estratégia da PMERJ

Há críticas que não raramente atingem pessoas. É difícil criticar obra nascida de ideologias ou dogmas de poderosos. Há sempre a paternidade dela defendida com o ardor de propriedade passada em cartório, em especial se a obra acertar o gosto geral das pessoas e interessar aos mandatários políticos. Excluo desta apreciação as más obras propagadas como boas por meio de manobras publicitárias. Como observava Maquiavel: “Os homens em geral julgam pelo que veem, e não pelo que experienciam.” Falo de obras (experimentais ou tidas como definitivas) que mereçam críticas, boas ou ruins, mas sempre com intento construtivo.
Sei, afinal, que a dinâmica do mundo moderno nos exige destruir para construir o novo ou reconstruir o velho. É normal esse comportamento na gestão de coisas públicas ou particulares. As voltas, viravoltas e reviravoltas de decisões fazem parte do jogo da vida em sociedade e devemos estar preparados para corrigir rumos. Acontece, porém, que a crítica à obra às vezes ofende seus mentores porque estes erradamente a personalizam. No cenário político, isto é comum. O político, no fundo, sente-se como o “Rei-Sol” Luiz XIV: defende seus acertos e não admite críticas, em especial quando exercita despoticamente o poder (L'Etat c'est moi). Ele quer sempre exibir boas qualidades e ocultar as más... E quem o critica passa a ser adversário, no mínimo, ou inimigo em sua extrema vaidade. Já o servidor, civil ou militar, – eventualmente subordinado ao mando político, – deve estar atento às críticas, aceitando-as ou rejeitando-as, porém jamais as tornando “pessoais”, a não ser que encerrem no conteúdo alguma ofensa. Mas se a crítica for à obra, ela resume um direito do contribuinte, mesmo que seja, ao fim e ao cabo de sua avaliação, considerada sem fundamento, o que também é normal.
Feitos os devidos reparos, vejo com certo ceticismo o militarismo praticado na corporação da qual faço parte desde 1965. Tudo continua como dantes: superior hierárquico na PMERJ não admite crítica de subordinado, no máximo aceita alguma sugestão para se demonstrar “democrata”. Na PMERJ, o superior “sempre tem razão”, embora em muitos casos o seu desempenho intelectual seja deplorável ao longo dos cursos obrigatórios e da carreira continuada. O invólucro elegante iguala-o e lhe oculta a inata estupidez. Vale o poder representado pela legalidade do posto ou do cargo muitas vezes conquistado à custa de puxa-saquismo, a ponto de um repetente de Academia de Formação de Oficiais ser alçado à “legítima” condição de comandante-geral, como ocorreu faz pouco tempo. Ora, repetir ano num curso remunerado e com dedicação exclusiva, com média ponderada mínima de aprovação igual ou superior a cinco, é de doer. Na verdade, repetência em situação assim deveria gerar a imediata exclusão da corporação e o mau aluno deveria, ao longo da carreira, responder gravemente por seu baixo rendimento escolar, a não ser que prove sua competência intelectual em cursos seguintes. Mas não é assim que a banda toca. Afinal, num ambiente coletivo pautado pela meritocracia e pela aparência, o usual é que “a árvore oculte a floresta”, parodiando um provérbio alemão.
Li outro dia uma gratificante referência do comandante-geral da PMERJ, Cel PM Mário Sérgio (de quem sou sincero admirador, embora nem sempre com ele concordando), ao Cel Carlos Magno Nazareth Cerqueira, morto em circunstâncias imerecidas. O Cel Cerqueira era um homem de paz e idealista. Possuía formação acadêmica de psicólogo e era emérito pesquisador. Alçado à condição de comandante-geral no primeiro momento brizolista, elaborou com sua assessoria um Plano Diretor para a PMERJ com o foco na Integração Comunitária. Todavia, para conquistar esse objetivo, dentre muitos outros, ele sublinhou o HOMEM PM como o principal objetivo a ser trabalhado no campo das atitudes para mudar comportamentos. O Plano Diretor não era um instrumento de intervenção aleatório e distante da teoria. Tratava-se de trabalho fundamentado na Teoria Geral da Administração (Desenvolvimento Organizacional, Teoria de Sistemas etc.), instituindo um sistema composto de vários subsistemas conceituais a serem praticados em benefício da globalidade do labor miliciano no cumprimento da missão constitucional de manutenção da ordem pública. Na verdade, o Cel Cerqueira idealizara para a PMERJ uma mudança comportamental de “força de segurança” para “serviço de segurança”.
Com um romantismo talvez quixotesco, ele cria no sucesso da empreitada ao iniciar o seu comando. Com o tempo, porém, percebia-se que a resistência à mudança era tão tamanhona que o Plano Diretor foi ficando esquecido: sobre o Boletim da PM que o publicou foram empilhados os seguintes, dia após dia, mês após mês... Foi quando eu, atuando na PM.5, e não menos quixotesco, peguei o texto e trabalhei no sentido de editá-lo em livreto para difusão dos pensamentos nele contidos, nova chance de convencimento da oficialidade que se mantivera indiferente ao seu conteúdo. No mínimo... Bacharel em Ciências Administrativas, claro que me empolguei com o Plano Diretor. Via nele a bússola que faltava para romper a resistência às mudanças, verdadeiro escudo que protegia das turbulências a mesmice eternizada. A cultura interna, porém não permitiu mudar comportamentos por meio de mudanças de atitude, o que em Planejamento Organizacional costumamos designar como “mudança evolucionária”. Ninguém desejava se arriscar em “mares nunca dantes navegados”.
Apesar da resistência surda e muda, os cursos obrigatórios ganharam nova roupagem e o conhecimento trazido de fora foi aos poucos penetrando nos jovens oficiais, e a cultura tacanha do militarismo foi cedendo lugar a novos conhecimentos das áreas humanas e sociais, embora contestados por quem já se livrara desses cursos obrigatórios que antes eram apenas pró-forma... E bastou o comando do Cel Cerqueira acabar para muitos que o viviam a bajular mostrassem a verdadeira cara: a Integração Comunitária pretendida pelo Plano Diretor tornou-se alvo de chacota interna e passou a ser apodada de “interferência comunitária”, pejorativo alardeado aos quatro cantos por quem detinha novos mandos internos. E do avanço feito em direção ao “por que fazer as coisas” retrogradou-se ao “como fazer as coisas”...
Tornamos à estaca zero, ou, pior ainda, instituiu-se na PMERJ o cisma do “fodão” versus “bundão”, significando “operacional” versus “administrativo”. Esta ruptura não permaneceu na teoria. As retaliações trovoavam e as facções contrárias ao Cel Cerqueira atacavam-no o quanto podiam. E nesse péssimo clima organizacional em que o passado dos “bundões” parecia ter perdido a guerra para o presente dos “fodões”, o Cel Cerqueira reassumiu o comando-geral da PMERJ. Mas ele não era o mesmo... Não era mais quixotesco... Chegou zangado e descrente, e o abismo aprofundou tanto que hoje não enxergamos o seu fim
A PMERJ ainda se ressente desses tempos complicados que fortaleceram o indevido: as facções internas. Porém, se antes o divisionismo interno era grave, hoje tende a ser ameno. No passado, a bússola se perdeu num campo magnético desnorteado. Deste modo, sobrou para os oficiais superiores de hoje a solução do grave problema conjuntural interno e confesso que não sei se tal intento será alcançado porque continuamos obedecendo às mesmas leis e regulamentos de antanho. Não abandonamos ainda o nosso modo tacanho de ser. Ou de ter... Os novos tempos exigem uma “mudança revolucionária” (Trata-se, em Planejamento Organizacional, de mudança de comportamento impostos por novas leis, para que não confundam com “motim” ou algo semelhante).
Entendo que os oficiais de hoje possuem as melhores condições para sepultar o passado. O Cel Cerqueira venceu num ponto importante: rompeu a cultura da mesmice dos bancos escolares internos e atualmente há uma oficialidade culta não apenas nas teorias avançadas da segurança pública, mas também nas áreas humanas e sociais. Hoje o coronel é o tenente de ontem que combateu e estudou. Reúne as duas condições antes separadas por pejorativo: é “bundão” (administrativo, estudioso) e é “fodão” (combateu o crime na linha de frente do risco extremo). Não há mais o divisionismo pernicioso de outrora! Desapareceu das ironias internas a figura do “policiólogo”! Hoje o estudioso tem vez e é respeitado. O resto do resto do resto ficou para trás...
Atualmente, há certa uniformidade de pensamento (conhecimento) e de ação, boa hora de elaborar um corpo doutrinário próprio, independente, flexível e compatível com a mutável realidade do ambiente social do Estado do Rio de Janeiro. É hora de sepultar leis e regulamentos anacrônicos, ainda vergonhosamente copiados do Exército Brasileiro em época de II Grande Guerra ou de regime militar desconfiado da gente. Isto não mais vigora. Portanto, é hora de mudar tudo, mesmo que, – parodiando o Dr. Beltrame a imitar a máxima de Josef Stalin, – se quebre alguns ovos para fazer a omelete... Porque antes, com o emaranhado de quadros dissidentes e facções várias no serviço ativo, não era possível unir a oficialidade. Hoje é possível, a oficialidade é toda do Quadro I, portanto bastante homogênea em seus conceitos e práticas. Momento melhor para implantar uma nova doutrina de ação para a PMERJ não existe. Claro que, como um sistema conceitual passível de revisão e aprimoramento constante.
Pena que o Cel Cerqueira não esteja mais entre nós para constatar que aquela quixotesca mudança de atitudes por ele sonhada vem ocorrendo gradativamente, e ele não mais estaria a lutar contra seus ilusórios moinhos. Por outro lado, entretanto, a dinâmica da política e dos “principados” hodiernos traz Maquiavel de volta com toda a força. É fácil constatar em UM LIVRO BOM, PEQUENO E ACESSÍVEL SOBRE ESTRATÉGIA (Chris Carter e outros – Porto Alegre: BOOKMAN. 2010), que lembra o livreto (Plano Diretor da PMERJ) esquecido em algum arquivo ou jogado no lixo: “(...). E por isso a representação daquilo que um príncipe faz (em termos modernos, cobertura pela imprensa, planos estratégicos, relatórios anuais, proclamações de objetivos, manipulação da informação, etc.) acaba se tornando mais importante do que a própria realidade. A retórica cria a realidade; a aparência é mais importante do que a ação.”
Evitar esse danoso fenômeno somente será possível se a PMERJ emergir da mesmice e partir corajosamente para uma nova polícia e um novo policial, resumo do sonho do Cel Cerqueira e Grande Objetivo do seu (dele) Plano Diretor. Para tanto, basta agir silenciosamente intramuros enquanto a política dá as cartas do lado de fora, o que é inevitável por não existirem boas leis, bons regulamentos e uma Doutrina de Polícia de Manutenção da Ordem Pública tão firme e inabalável como o é a Bíblia para os cristãos. Por enquanto, na verdade, só existem bons homens e boas armas. Falta acrescentar a cultura da mudança de cenários de atuação, como sói ocorrer no teatro em que o cenário perdura na medida certa da interpretação dos atores. E assim, com novos cenários e novas interpretações, os atores PMs ora farão sucesso, ora serão criticados ou até apupados. Mas seguirão se redescobrindo e se atualizando ante as novas realidades sociais, de modo a receber a máxima aprovação popular. Não custa sonhar com isso...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Sobre a “novidade” das UPPs

Expulsão e desarmamento de traficantes em favelas não são novidades operacionais na PMERJ. Há anos acontecem. Em 1989, por exemplo, enquanto comandante do 9º BPM, na Zona Norte, pude experimentar o modelo numa favela conhecida como “Para-Pedro”, ou “Comunidade da Vila São Jorge”, como preferiam os moradores de lá. Fica no bairro de Colégio, exatamente atrás da CEASA, Central de Abastecimento cuja frente é voltada para a Avenida Brasil, em frente da favela de Acari. Na época, a Comunidade da Vila São Jorge era uma espécie de “estica” do tráfico de Acari, comandado pelo famigerado Cy de Acari, então o mais poderoso traficante do RJ, responsável pela distribuição de 60% da droga consumida no RJ, segundo divulgado na mídia. Herdeiro de Toninho Turco, traficante morto pela Polícia Federal durante a bem-sucedida “Operação Mosaico”, em 1987, Cy de Acari (“mula” de Toninho Turco) tornou-se o único elo entre Colômbia e Bolívia e o tráfico no Estado do Rio de Janeiro. Preso pelo 9º BPM em setembro de 1989, em aventura que conto em livro (Cavalos Corredores – a verdadeira história) disponível no meu site (www.emirlarangeira.com.br), cumpriu dez anos de reclusão em Bangu I. Pouco tempo depois de ser solto, foi assassinado, acabando assim o seu reinado no tráfico.
Mas importa relatar é que durante a “conquista” da favela Para-Pedro e sua “ocupação” por policiamento permanente (o que hoje denominam UPP), um repórter do Jornal do Brasil, sem que ninguém soubesse, instalou-se como “morador” na comunidade por quinze dias. Deste modo independente, observou a realidade da favela sem a ostentação armada do tráfico e testemunhou a alegria dos moradores libertados do domínio de traficantes. Sua experiência foi noticiada em largo espaço pelo JB e deve ser fácil localizar a matéria junto ao referido noticioso. Importa ainda afirmar que, ao retornar o Brizola (muitos policiais deturpavam a ordem dele de a polícia respeitar o cidadão favelado para lhe tirar proveito omitindo-se...), a primeira providência do novo comandante do 9º BPM foi desativar o policiamento permanente, devolvendo a favela aos traficantes numa bandeja dourada. Pior ainda, os bandidos retornaram matando muitos moradores que acreditavam na permanência da ocupação e a aplaudiam. Pagaram com a vida o preço da efêmera cidadania. E a lei do silêncio fez o resto, e até hoje eu penso que meu “protótipo de UPP”, mesmo funcionando a contento, foi extinto porque nasceu em lugar errado...


Foto no interior da Favela Para-Pedro (TCel Larangeira e Dr. Wilson Vieira, Delegado Titular da 40ª DP)


Portanto, UPP não é novidade. Só o nome, realmente significativo, midiático em todos os sentidos. Reforça na palavra “pacificação” o seu conteúdo político, mesmo assim ambíguo, porque não se sabe que “pacificação” é exatamente essa. Em especial porque há muitos maus exemplos de “pacificação” no mundo passado e presente: Iraque, Afeganistão, Vietnã, Índia, Tibet etc. (e mesmo no Brasil, onde a “pacificação” custou a morte de milhares de índios e quilombolas). Como dizia Maquiavel, os fins justificam os meios... E agora a Faixa de Gaza talvez retrate o melhor exemplo da “profecia” embutida no primoroso “post” de Jorge da Silva (www.jorgedasilva.blog.br): “FLUXO E REFLUXO DA VIOLÊNCIA NO RIO DE JANEIRO”.
Porque não há como represar seres humanos. Um dia a enxurrada poderá ser pior que as últimas tragédias de deslizamento de terra cujos mortos não estão catalogados na exultante estatística de homicídios dolosos ou culposos perpetrados pelo Poder Público (estadual e municipais), no mínimo em razão da omissão dos seus serviços destinados a impedir construções irregulares e interditar locais perigosos antes da tragédia (o assunto não está esquecido: o Ministério Público está mui bem cobrando responsabilidades governamentais...). As centenas de mortes estúpidas em Angra dos Reis, na Capital e em Niterói são suficientes para desmoralizar essas estatísticas de diminuição de homicídios, sem embargo do fato de não sabermos em que circunstâncias (isoladas e espaciais) eles ocorreram. Só vale a comparação do tempo anterior com o tempo presente e nada mais a mídia necessita para aplaudir aqueles que lhe garantem polpudas verbas oficiais publicitárias. Ou seja, continuam a pôr o estatístico na fogueira com uma pedra de gelo na cabeça para que, na “média”, tudo termine bem...

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Injustiça

O twitter anônimo, conhecido como "bocadesabão", cometeu uma grave injustça contra a Major Médica, Dra. Myriam Broitman, Chefe do Serviço de Urologia do HCPM-Rio. Ou por maldade ou desinformação, a notícia é falsa e precisa ser desmentida. Tivesse (ou tivessem) o autor (ou autores) do referido twitter um mínimo de vergonha na cara, pediria (ou pediriam) desculpas. Assim o faço porque não sei se me refiro ao (aos) autor (autores) do twitter no singular ou no plural. Seja como for, ou sejam como forem, não passam de velhacos sem corpo ou sombra, fofoqueiros destrutivos e ignóbeis. Ou então serão tão sérios que desmentirão a mentira produzida contra a dedicada Dra. Myriam Broitman, observando o texto dela que recebi em e-mail e estarei repassando para milhares de amigos da blogosfera que comigo interagem.


"Caros amigos
Não sei o motivo da divulgação via "radio corredor" e "boca de sabão", que eu fui punida com 15 dias de cadeia pelo meu Diretor e que eu pedi demissão da PMERJ. Saibam as bocas de Mathildes(com th mesmo, é mais chique) QUE EU NUNCA FUI PUNIDA, nem pelo meu Diretor nem por ninguém, e que hoje, ao depor na DAL numa averiguação na qualidade de TESTEMUNHA, coisa normal e corriqueira na PM, levei minha ficha disciplinar, que de tão limpa parece que foi banhada em água sanitária mega forte. Acredito que a criatura que está espalhando tal absurdo deva necessitar de tratamento psiquiátrico intensivo e/ou otorrinolaringológico. Desse jeito, esta pessoa será reformada como SINA e/ou surda. Vale ressaltar que NÃO TENHO A MÍNIMA INTENÇÃO DE PEDIR DEMISSÃO, pois estou feliz por ter sido promovida a Major e porque gosto da PMERJ(com todos os defeitos da Briosa) e cumpro com muita honra, força, compromisso e vibração positiva a minha missão como Chefe da Urologia do HCPM, servindo e protegendo, curando os companheiros pacientes quando possível, aliviando o sofrimento sempre, conforme o Juramento de Hipócrates preconiza desde o dia 12/12/1986, quando recebi meu Diploma de Médico. Tenho orgulho de ser Policial Militar e de ter uma ficha disciplinar impecável. Portanto solicito a todos que ao ouvir esta sandice disseminada pela "imprensa marrom", desconsiderem-na."

MAJ MED MYRIAM BROITMAN

terça-feira, 1 de junho de 2010

Sobre o alerta global

Fonte: Jornal O Globo de 1/6/2010




O alerta global lembra-me uma conversa entre Zorô e Zará:






- Sabe, irmão Zará, outro dia vi meu filho fazer papel de bobo ao brincar com o filho de um ricaço lá na praia.
- Tinha de ser na praia, né, Zorô? Pra juntar pobre com rico... Foi calção rasgado?
- Não enche, Zará! Meu filho tava de sunga... Bem, aquela que comprei no camelô, lá em Madureira...
-Comprou, Zorô?... Hum...
- Pô, Zará!... Tá certo, num comprei; ganhei na mão grande... Fazer o quê? Eu lá tenho grana pra gastar um quilo de feijão com sunga?...
- Tá certo, Zorô! Fez bem! Eu também tomo na mão grande alguma coisa da irregularidade. Também, quem tem que combater a irregularidade não combate e fica o povo todo olhando pra nós, fardados, pensando que a irregularidade é problema nosso. E as pessoas já saem falando baixinho: “Corruptos!...” Num é assim?...
- É mesmo, Zará! Tudo cai na nossa conta por causa da farda. Então...
- Mas conta a história da praia... Que houve com seu filho, Zorô?...
- Vou contar, Zará... O menino riquinho chegou com um cordão apinhado de bolas de aniversário, muitas bolas coloridas, fazendo o maior sucesso, a gurizada pedindo as bolas e ele rindo e negando. Aí meu filho, com uma canequinha de água e sabão nas mãos e um talo de folha de mamoeiro, começou a produzir no sopro umas bolhas. A gurizada, com raiva do riquinho, veio pegar as bolhas de sabão. Eram muitas, mas, quando os moleques pegavam as bolhas, elas sumiam no ar... O riquinho, de longe e segurando a penca de bolas coloridas, morria de rir...
- E aí, Zorô? Que aconteceu?...
- A molecada, irritada com meu garoto, quase que bateu nele. Cheguei a tempo de evitar. Eles então correram até o riquinho para tentar ganhar uma bola de borracha. O riquinho, de sacanagem, soltou o barbante e lá se foram as bolas coloridas para os céus... E sumiram...
- Sumiram não, que bola de borracha não desmancha. Elas foram poluir o ambiente em algum outro lugar, enquanto as bolhas de sabão não causaram nada demais...
- Verdade, eram de detergente biodegradável.
- O seu filho tava certo. O riquinho, com toda a educação, poluiu o ambiente.
- Então, Zará, eu fiquei pensando nas UPPs. Elas se parecem com as bolhas de sabão e os barracos e os bandidos, com as bolas de borracha. Mesmo depois de a bola espocar, fica o pedaço dela entupindo tudo. Mas mesmo assim, todo mundo prefere bolas de borracha: são mais bonitas e duradouras. As bolhas de sabão são efêmeras... Parecem sólidas e estáveis, mas desmancham no ar...
- Engraçado, Zorô, essa frase me lembra algum filósofo...
- Será? Num sei... Falei por falar...