Cá pra nós, onde está a "ironia" a não ser a da cabeça do repórter global?...
A mudança de comando do 6º BPM poderia ser normal, se antes não houvesse a notícia de que o Cel Príncipe foi um dos comensais na homenagem a Garotinho pelo transcurso dos seus 50 anos, havida no Restaurante Porcão do Flamengo. Vingativo e despótico, Sérgio Cabral não seria capaz de suportar tamanha “traição”. Portanto, esperava-se a qualquer momento que o Cel Príncipe fosse por ele retaliado, claro que com a cautela de não “fritá-lo” tão descaradamente... Deram-lhe o comando do 9º BPM, Zona Norte, considerado internamente como “legião estrangeira”, “presente de grego” que recebi no passado, mas que muito me orgulhou e ainda me orgulha: é um batalhão de heróis a liderar por décadas as estatísticas de letalidade do PM em serviço. Não sei se ainda hoje encabeça essa lista trágica, morte de PM não é tão divulgada.
A insinuação do Cel Príncipe sobre o “escoteiro” pode ter múltiplas leituras. Uma delas seria seu simples ufanismo em virtude de ser ele comandante do batalhão da Tijuca e combatente destemido, de modo que o Morro do Borel e adjacências já estavam dominados antes de o BOPE e o BPCh lá chegarem. Afinal, com o anúncio antecipado da ocupação, a PM nem precisou bater palmas para entrar, a porta já estava aberta. Portanto, a alegórica insinuação do Cel Príncipe pode ter visado tão-somente a exaltar a eficiência e a eficácia da tropa do 6º BPM no combate ao tráfico em sua área de atuação, desmitificando-o antes do anúncio da “ocupação político-policial”. Talvez quisesse o Cel Príncipe lembrar às autoridades e à opinião pública que a missão já estava cumprida pela tropa do 6º BPM antes de ser iniciada a festiva ação das Unidades Especiais, já que não houve nenhum confronto. Nada mais que isto...
Contudo, interessava ao despeitado governante, – que quer ver todo mundo no seu chinelo em circunflexão resignada, – retaliar o ilustre comensal de Garotinho maldosamente anunciado como um futuro comandante-geral pelo Jornal EXTRA. Maliciosa especulação com roupagem de “queimação”, o fato provocou a reação de Garotinho no blog dele, por sinal com inteira razão, porque ele anteviu a vindita do adversário político que tão bem conhece. Ora, para o Cel Príncipe, um senhor guerreiro, tanto faz que ele comande aqui ou ali ou até mesmo nada comande. Ele não carece de provar nada a ninguém em lugar nenhum. Mas a saída dele não deve ter sido consequência do singelo comentário, que não visou a nada além de desmoralizar os bandidos. Na verdade, há no poder um destemperado governante que desde muito passou das medidas em relação à manipulação da segurança pública, bem mais da PMERJ, com fins prosélitos e nitidamente eleitoreiros. A reação desse governante era esperada: retaliação política do coronel Príncipe a partir de orquestração do maior interessado nas UPPs: O Sistema Globo.
Esclareço que sou assumido admirador do Cel Príncipe e de todos os "Caveiras", inclusive do "Caveira nº 37". Não tenho procuração nem sou amigo íntimo do Cel Príncipe. Externo esta opinião por vontade única e porque entendo que tudo acontece a partir do sucesso do referido coronel no episódio do sequestrador morto, e mui bem morto, por um atirador de elite do 6º BPM, estando ele, Cel Príncipe, no comando direto da bem-sucedida ação policial. Experiente intramuros, a ocorrência acompanhada pela grande mídia produziu-lhe inevitável exposição pública, mas apenas constatando o seu reconhecido valor profissional.
Lembra-me o ditado do “quanto maior o coqueiro maior é o tombo”... Porque a positiva exposição pública do Cel Príncipe, que não é dado a aparecer em mídia alguma, deve ter incomodado a muitos vaidosos de dentro e de fora da corporação. Bastava, a partir daí, haver qualquer fato adverso para desestabilizar o seu comando e a sua pessoa. E lhe bastou comparecer, a convite, ao jantar em homenagem a Garotinho, e com certeza não foi o comentário sobre o “escoteiro” que o derrubou do comando do 6º BPM com direito ao despeitado discurso midiático do governante. Este, sem dúvida, ficou incomodado com o concorrido jantar de seu adversário político, para o qual fui também convidado, e me senti honrado em sê-lo, e prazerosamente compareci. Para azar do concorrente, havia lá, sim, muitos oficiais da PMERJ e do CBMERJ, ativos e inativos. Mas eu não tenho comando para perder ou ganhar nem guardo o temor de retaliações, já passei da idade.
Apesar de tudo, e por outro lado, não posso deixar de afirmar que receber o comando do 9º BPM é grande honraria. Não é demérito algum. Trata-se de área das mais violentas do Rio e sempre carece de comandantes capazes de entender aquela sofrida tropa. E ninguém melhor do que o Cel Príncipe para ocupar aquela cadeira de comandante à altura do seu valor pessoal e profissional. Portanto, e provavelmente sem saída – o discurso do governante descortina sua má intenção –, o comando-geral da PMERJ destituiu do 6º BPM o coronel especial, o respeitado “Caveira” que não falou nada demais, apenas comeu em lugar e hora errados, e lhe conferiu o honroso comando do 9º BPM. Esta é minha visão e minha versão dos fatos, “palavra de escoteiro”!...















