segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Marcha Cívica de PMs e BMs

Que maravilha!

Vá em frente, guerreiro Paúl!

Juntos somos fortes!





Sobre as eleições de 2010


"O poder cerca-se de enigmas e de áulicos. De protagonistas e de figurantes que escamoteiam a verdade mediana." (Nélida Piñon)









Num estado excessivamente intervencionista e sua consequente sociedade clientelista, a tendência das pessoas é a de esperar que as instituições governamentais decidam e resolvam todos os seus problemas. É caso do nosso país, que se moldou assim desde o Brasil Colônia, típico território partido em dois estamentos desproporcionais: elite e plebe.
Trata-se de sociedade piramidal, com hierarquia calcada na subalternidade das massas e na arrogância das elites glamourizadas pela mídia: os “famosos”. Unem-se, nesse tipo de sociedade, o poder e o dinheiro. Predominam na telinha da tevê, nas rádios e na mídia impressa o mesmo charme. O consumo é a tônica da vida social, a ostentação ocupa toda a imprensa, não dando espaço para mostrar convenientemente a dura realidade da pobreza e da violência que atingem os menos favorecidos: milhões de almas.
Uma sociedade desse molde é propícia à proliferação do crime em todos os seus matizes e texturas, destacando-se os delitos entre os situados nas camadas mais baixas da sociedade, cuja representatividade em presídios chega a ser grotesca. Cadeia não foi feita para ricos de mesmos nomes de família que se formaram no Brasil Colônia e alcançam os arranha-céus de hoje: o mundo das finanças e das maracutaias gravadas em palavras inacessíveis ao povoléu. Nesse mundo charmoso não há os “da Silva”, “dos Santos”, “de Oliveira” etc.
A ingenuidade do povoléu permite a proliferação de “religiões salvadoras” e de “jogos da sorte governamentais” (se particulares são de “Jogos de azar”) a arrepanhar as míseras moedas que circulam na base da pirâmide social. Assim, e de outras maneiras não menos finórias, o capital vai subindo, degrau por degrau, até se enfiar nas algibeiras já lotadas da elite. Para não se dizer, porém, que todo “jogo da sorte” é governamental, o “quarto poder” ocupa seu espaço a sortear carros e outros prêmios por via de ingênuos telefonemas que pagam o prêmio no primeiro minuto, ou então inventa programas e votações geradoras de altíssimos lucros por meio de telefonemas pagos.
Curioso é que a Igreja Católica, que desde a era Dutra abomina a abertura da jogatina no país, não abre a boca para alardear essa outra jogatina descarada, bem maior do que se aqui houvesse uma sucursal de Las Vegas. Não pode. Perderá a mídia e se isolará em meio aos fragmentos pós-modernos, e acabará comendo a poeira de outras religiões que compram canais de tevê e estações de rádio, ou então adquire horários extensos para anestesiar o povoléu temeroso do inferno e que não quer ser rico. O “Reino dos Céus” não é feito de ricos: “é mais fácil um elefante passar pelo buraco duma agulha”... E os pobres nascem, crescem, se reproduzem e morrem certos da salvação.
Em tempo de eleições, as esperanças renascem em meio à arraia-miúda das migalhas imediatas em troca de votos, hora de a elite dar aos pobres “o que é de Deus” (“Quem dá aos pobres empresta a Deus.”). E haja pó de pedra, manilhas, cestas básicas e quejandos incorporadas muitas vezes ao codinome do candidato: “Fulano da Cesta Básica”, “Beltrano dos Remédios”, “Sicrano da Ambulância”, e por aí retorna uma pequena parte das míseras moedas capitalistas que em pouquíssimo tempo subirão ao pódio das corruptelas licitatórias e novamente circularão entre os ricos e “famosos” de sempre, pois é certo que a casta vem do Brasil Colônia e vencerá os tempos e sobreviverá às mudanças, se houver...

domingo, 30 de agosto de 2009

Sobre a reunião dos Treme-Terras


Ao meu compadre Cel Jorge da Silva


Estou viajando pelas primeiras páginas de um livro de Neiva Vieira da Cunha, emérita Professora da UERJ, Bacharel em Ciências Sociais, Mestre em Sociologia e Doutora em Antropologia, dispensando-se maiores apresentações. O conteúdo, – intitulado “Viagem, Experiência e Memória: Narrativas de profissionais da saúde pública dos anos 30”, – foi premiado no “Concurso EDUSC-ANPOCS, Edição 2004, Área: Antropologia”. A Professora Neiva conta a saga de “os empalhados”, epíteto, segundo ela, criado por sanitaristas aposentados depois de longos anos percorrendo o Brasil com o escopo de mapear e erradicar endemias como a malária, a peste, a febre amarela, e outras como o tracoma, o bócio, a doença de Chagas, a esquistossomose, a bouba etc. Sublinhando Strauss, a autora revela a importância da “vinculação indissolúvel entre o nome e a auto-imagem que se pretende construir”.
Ela narra com entusiasmo e perícia a junção harmoniosa de médicos sanitaristas e funcionários administrativos do Departamento Nacional de Saúde que igualmente mereceram o honroso título (sanitarista). Segundo a autora, o movimento toma força a partir dos anos 30, projetando-se num tempo além da inatividade do grupo. Os indivíduos formadores do grupo, – como eu pude inferir, – estavam unidos por laços psicológicos fortíssimos, em vista de objetivos comuns, meritórios, e não seria demais afirmá-los altruísticos. Em vez de disputas internas, essas pessoas se uniram e atuaram contra as doenças endêmicas, mantendo-se em labor além de suas aposentadorias – um sacerdócio. Com efeito, “os empalhados” não saíram do campo de batalha; em contrário, mantiveram-se unidos além do seu tempo obrigatório.
Sob a ótica da Psicologia Social, não é leviano afirmar que estamos ante um autêntico “grupo psicológico” em todas as suas nuances, em especial quanto à coesão do pensamento servindo como mola propulsora da ação coletiva desses nobilíssimos agentes públicos; muitos deles eram médicos que poderiam estar acomodados em outras especialidades até melhor remuneradas. Preferiram, porém, lutar ao máximo em favor do povoléu nos recantos mais longínquos do nosso torrão natal.
Trago o exemplo para reforçar meu desânimo quando me vejo “des”integrado ao grupo PM, muito diferente do outro que aponto em comparação. Por outro lado, talvez eu seja impelido à rendição ante seu argumento sábio, se aqui fixar como “grupo psicológico” um conjunto de indivíduos PM que me cabe na palma da mão. Mas incorrerei numa falha em relação ao objeto desse pequeno grupamento de PMs concebido em otimismo, porque é certo que a dispersão de alvos entre eles, na nossa profissão, decerto ocorrerá, diferentemente dos sanitaristas. Quiçá em momentos de combate, – com o risco da morte pairando como ameaça indistinta contra um ou mais desse grupo, – quiçá predomine o objetivo comum da sobrevivência unindo cada integrante. Afora tal situação, outra não vislumbro como factível.
É claro que eu gostaria de ser tomado pelo otimismo, tornando-me Cândido ou Pangloss com as graças do iluminista... Isto porque me rendo aos argumentos do meu compadre, amigo e mestre quanto às dissidências “universitárias”. Afinal eu sei, – por doer em minha própria carne, – como as ideologias movem alguns academistas que se autodenominam “acadêmicos” porque conquistaram o título ao modo denunciado por Tomazio Aguirre (“Academicismo: o cemitério das palavras mortas”). Afinal, amigo, fui vitimado por um desses “doutores”. Mas creio que um exemplo não exclui, explica ou justifica o outro, apenas o reforça.
Retorno à ilustre Doutora e Professora Neiva Vieira da Cunha, que se arrisca a transformar sua premiada pesquisa numa narração literária típica da mais lídima “Jornada do Escritor”. Pois a história de vida em grupo que ela garimpou motivou-a a empolgar o leitor. Não há como deixar o livro depois de lhe começar a ler as páginas. Trata-se de eletrizante aventura e decerto cumprirá a finalidade de servir como exemplo aos novos e futuros sanitaristas, demais de pesquisadores do meio acadêmico.
Na verdade, se já antes eu via com invencível pessimismo as relações internas na PMERJ, vejo-as agora, em comparação com “os empalhados”, piores ainda, embora eu reconheça o valor das amizades pessoais, que, felizmente, vêm vencendo muitas barreiras e desestimulando a formação de facções. Porque na corporação existem, sim, facções, não existem “grupos psicológicos”, com todo o respeito que o meu eterno mestre merece de mim. Por outro lado, não deixei de manifestar no meu pessimista artigo os afetos que igualmente observei na reunião dos “treme-terras” (com aspas porque, diferentemente de “os empalhados”, não somos protagonistas do histórico epíteto).
Houve afetos, sim! E admiração, tal como ressaltei no meu artigo ao sublinhar o Cel PM Milto D’Ornelas Moreno, o que eu não o faria em relação a outros tantos que lá estavam, e até ocuparam altos cargos na PMERJ, mas os personalizaram de tal modo que ainda se sentem donos deles. Sim, querido amigo, compadre e mestre, em alguns casos, como disse o mestre de nós ambos Joaquim Maria Machado de Assis: “O alferes eliminou o homem.”

Obrigado pelo comentário. Respondo neste espaço maior devido à sua importância e à minha invencível prolixidade.

Emir

sábado, 29 de agosto de 2009

Sobre o reencontro dos treme-terras



No sábado, 22/08/2009 (data antecipada), os oficiais da antiga PMRJ, remanescentes da Escola de Formação de Oficiais (EsFO), reuniram-se em confraternização na Avenida Feliciano Sodré, Niterói. A motivação não era das melhores: uma espécie de despedida das instalações onde todos estudaram de 1954 até 1975 (ano da Fusão da GB com o RJ).
A área foi vendida para um estaleiro em circunstâncias que desconhecemos. Não nos importou muito, é só um prédio, e ovo espatifado não se desespatifa; aproveitamos então o fato consumado para tentar rever os antigos companheiros, superiores e subordinados, que se formaram naquelas instalações durante três anos de internato, espécie de sessão nostalgia em vista da medida ditatorial que abruptamente sepultou nossos sonhos treme-terras.
Tudo começou por iniciativa da Sociedade Treme-Terra, mais especificamente por intenção do Cel PM Laurílio José da Silva, nosso ilustre presidente e integrante da primeira turma da EsFO. Contudo, colocar em prática o chamamento dos oficiais foi uma das mais árduas tarefas do grupo organizador. Ficou patente o quanto somos desligados uns dos outros; às vezes nem sabemos da morte de alguns bons companheiros; tornamo-nos elos desacorrentados; desconectamo-nos daqueles tempos de formação, aperfeiçoamento e do serviço ativo. As amizades e as inimizades se perderam no tempo...
Durante a solenidade, o espanto: companheiros que me ficaram na memória em juventude pujante me surgiam a mim avelhantados. O tempo passara e eu não o percebera, a não ser por convivência com poucos colegas. A maioria, espalhada pelos quatro cantos do RJ, não vi envelhecer. Guardei na memória a imagem da mocidade deles; muitos foram até meus alunos. Mas, como eu, culminaram vencidos pelo tempo, e não poucos desapareceram precocemente.
Curioso é que não foi difícil notar maior perda de quantidade entre os jovens. A violência urbana os atingira bem mais: morreram assassinados ou em acidentes automobilísticos; muitos enfartaram. Enfim, não nego o meu espanto por perceber a morte rondando a turma ali reunida, talvez em derradeiro momento. Já outros tantos vivos se ausentaram: ou por doença, ou porque não logramos localizá-los, ou não deram importância ao evento.
Sim, faltaram, e assim eu pude confirmar a materialização da nossa cultura divisionista tornada eterna em vista do modelo meritocrático que ainda vivenciamos na profissão. Começa na formação, por classificação em média ponderada e conceitos subjetivos, e segue carreira afora nas promoções por merecimento e antiguidade; em ambos os casos, porém, com os mais novos torcendo para que os mais velhos morram ou passem à inatividade.
E, dentro das turmas contemporâneas, a disputa pelas vagas de merecimento a enturvar amizades e a estimular desafeições. Demais disso, havia e há a ferrenha disputa por prestigiosos cargos internos, estes sempre em menor número que os habilitados a ocupá-los. Enfim, cada um dos oficiais de ontem e de hoje vivencia a hipocrisia ante a inevitável e apertada dança das cadeiras. Precisam bem mais dizer e menos provar que são melhores que seus iguais; saem “queimando o filme” de seus concorrentes em cisma que não se desfaz.
A tônica da convivência é a do mérito mensurado por meio de comparações fundadas em interesses de facções enturmadas no período de formação. Pior é que, mesmo dentro das turmas, há dissidências decorrentes de motivações inconfessas. Enfim, a disputa por espaços de promoção e cargo predomina em detrimento da união em vista do interesse público. O interesse pessoal vence o profissional e a corporação avança para trás...
Os objetivos pessoais intramuros são mais significativos que a missão extramuros. Os interesses individuais ou grupais internos se sobrepõem aos deveres institucionais externos; a pessoalidade prevalece sobre a impessoalidade, esta que se dissimula na hierarquia e na disciplina calcadas de cima para baixo a ferro e fogo. A visibilidade só é alcançada pelos que, em fortuna política de algum membro de sua facção, ocupam os cargos de projeção, em especial os comandos operacionais e o comando-geral.
Tudo se resume à pirâmide em cujo topo os vencedores se postam: os que lograram superar seus companheiros e chegaram à frente e ao alto sem se importarem como os métodos. Mas ficam por pouco tempo no andar de cima e logo desabam ao abismo da inatividade sem poder, feitos ou feitios de mandatário. Substituídos, são apenas números a engrossar a fileira dos esquecidos e malquistos. A maioria merece, com efeito, ser esquecida e malquista, porque não há nenhuma relação de admiração e respeito dos novos pelos velhos, e vice-versa, salvo ínfimas exceções.
Os velhos, na realidade, são ovos espatifados. Jamais se desespatifarão, a não ser nos raros casos de projeção transcendente à carreira original. Por sorte, e modéstia à parte, incluo-me neste caso por conta do meu ofício de escritor a alcançar corações e alguma razão dos que denominamos Público Interno e também de civis interessados em desvelar, por via da literatura que pratico incessantemente, a instituição PMERJ em meio ao ambiente em que vivem. Não sei, todavia, se é melhor ser esquecido ou lembrado. Afinal, não escrevo para que gostem de mim; escrevo o que me vem ao atino e nem sempre sou citado como exemplo a ser seguido. Na verdade, provoco mais que me conformo, e isto é terrível para um sistema formado por gentes que teimam em ser hipócritas com suas próprias gentes e rejeitam a polêmica. Quem tem razão é quem manda e superior não erra...
Ao que me parece, não há como mudar essa cultura do poder imediato a se servir dele mesmo fingindo servir à sociedade. É assim que indivíduos e grupos se vêm revezando ao longo dos tempos, e as turmas se sucedendo, e o histórico jogo de empurra seguindo a sua finalidade aparentemente impessoal e justa, mas que, no fundo, é personalista e injusta.
É lobo devorando lobo; é competição pelo poder, em vez de união em torno de objetivos institucionais voltados ao público destinatário dos nossos serviços. A melhor opinião é a de quem comanda, dirige ou chefia; o bom é quem cegamente obedece; o pior é quem contesta o mando, mesmo que cheio de razão. E a EsFO de hoje, com denominação mais pomposa de Academia Dom João VI, continua a jorrar turmas estimuladas pela mesma cultura divisionista de outrora.
Ah, pelo que vi e senti, essas turmas jamais serão reagrupadas em verdadeira confraternização no fim da estrada. Pois cada turma que avança deixa pedras e espinhos para ferir quem vem atrás igualmente atropelando valores e tornando-os desvalores. Foi o que eu vi e senti, sim, na reunião das turmas da EsFO: poucas gentes comparecendo e mínima interação entre os que se arriscaram ao encontro inédito em meio a alguns emocionantes abraços entre verdadeiros amigos, e admiradores, e admirados. Esses poucos salvaram a pátria!...
Apesar de tudo, valeu! Todos, amigos e inimigos, trataram-se lhanamente, cantaram o Hino da PMRJ em emoção, sem esquecer a letra, deram-se as mãos durante a missa. Muitos chegaram desacompanhados – sintoma de desagregação. Das duas, uma: ou se separaram e vivem em solidão ou não entenderam a importância de levar a família. Para mim, foi gratificante rever companheiros mais antigos e mais novos que eu tratando-me com afeição.
Revi meu comandante de EsFO, Cel PM Milto D’Ornelas Moreno, que me impressionava por sua visão prospectiva e seus conselhos futuristas. Acertou em tudo, exceto no desvelar prévio da Fusão e no fim dos treme-terras. Mas iremos até o último deles tentando congregá-los e abraçá-los, porque este é o Grande Objetivo da Sociedade Treme-Terra.



sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Sobre a Lei Geral das Religiões

"Não cuideis que vim destruir a lei, ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir". (Mateus 5:17).

“Constituição da República Federativa do Brasil

(...)

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

(...)

VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;”

Agressão perigosa à Carta Magna, o precedente da legalização das religiões pelo Congresso Nacional (vide O GLOBO, de 18/08/2009) pressupõe conhecer e reconhecer todas as religiões existentes no mundo, e de algum modo representadas ou a serem representadas por indivíduos ou grupos sociais radicados no Brasil. Entretanto, como as religiões são incontáveis e desconhecidas das pessoas leigas, não há como reduzi-las a uma grade curricular, a não ser que algumas religiões sejam privilegiadas e muitas outras, em consequência, discriminadas.
A CRFB proíbe quaisquer distinções entre cidadãos brasileiros e estrangeiros residentes no país. Isto de pronto inviabiliza o objeto da Lei Geral das Religiões, em especial quanto ao direito que tem o cidadão de não estudar nem professar nenhuma religião, e se manter fiel ao seu próprio credo ou a nenhum credo.
Ora, como ensinar religiões aos que não desejam conhecê-las? Afinal, “laico” é forma erudita de “leigo”, e não se deve deixar de considerar a conotação de “laico” em contraposição a “eclesiástico”, vocábulo que se confunde com “membros do clero, sacerdote, padre” etc., ou “pertencente à igreja”. Tal inferência nos remete à Igreja Católica, instituição interessada ainda hoje em arrepanhar seus “gentios” e abominar contrários como nos tempos remotos das Cruzadas e Inquisições. Volta e meia o Vaticano em sua máxima representatividade escorrega em “atos falhos” e “pede desculpas”...
Lei perigosa, sim, porque trata de “instituições religiosas”, implicando concluir que para receber as benesses estatais da “utilidade pública” a religião há de ser “institucional”, indicando deste modo a real possibilidade de o Estado decidir qual religião é efetivamente “institucional” e, em assim se exigindo, será difícil “legitimar” e “legalizar” uma religião formada por um só indivíduo, Profeta ou Messias... Nesses casos não haverá benesses estatais, porque tal comportamento individual não será considerado como “instituição religiosa”. Por quem?... Ora, é de se supor que as instituições seculares e poderosas terão a palavra final, com o Estado curvando-se a elas, como, aliás, ocorreu com Jesus Cristo, cuja sugestão a Roma (Estado) para crucificá-lo partiu de poderosa “Instituição Religiosa” (Fariseus, Saduceus et cetera).
Reduzir as religiões a uma “Lei Geral”, demais disso gravando que serão elas “instituições”, é consagrar o poder das milionárias religiões ocidentais detentoras de capital e votos de seus “rebanhos”. Por conseguinte, não se trata de ato político sem consequências ruins. Em contrário, há de se esperar a concentração de poder funcionando nos bastidores políticos a massacrar o direito do povo ao laicismo ou a dificultar a prática de uma nova religião como direito individualizado ou institucionalizado. Ser cristão só valerá para quem estiver sob o manto de uma instituição religiosa assim “reconhecida”, um absurdo!
Tema impróprio e estranho... Retornamos aos tempos da escuridão?... Ainda hoje existe a Congregação da Doutrina da Fé como lídima representante do Santo Ofício de outrora. Ainda hoje a intolerância funciona como ameaça aos “gentios” ou aos que professam crenças diversas da abraçada pelo catolicismo e pelo protestantismo, instituições religiosas predominantes no Ocidente.
Sou do tempo em que para entrar na escola estatal (Grupo Escolar) era indispensável apresentar cartela carimbada pela paróquia na saída da missa aos domingos de manhã. Ademais, eu era obrigado a estudar catecismo e assistir à missa dita em latim. Em resumo, eu nada entendia e apenas me irritava por não poder jogar futebol ou brincar de outras coisas naquele horário obrigatório de “salvar a alma”. Será que tornaremos a esses tempos em que o Poder da Igreja Católica era maior que o Poder do Estado?...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Sobre a crítica do Jornal O GLOBO

Como eu venho anunciando, o “interesse global” pelas ocupações pacificadoras em favelas é capaz de atropelar quaisquer ameaças que aparentemente se lhe apresentem. Não há dúvida de que o intento do Sistema Globo é o de garantir máxima segurança no eixo comprometido com a Copa do Mundo. São muitos milhões em jogo e os compromissos comerciais necessariamente passam pela Infoglobo. Não se trata de crítica maniqueísta. É óbvio que a todos os brasileiros interessa haver a Copa do Mundo em solo pátrio no ano de 2014, assim como interessa à PMERJ dar o máximo de si para o evento ser bem-sucedido. Mas não se pode deixar de observar a função social da PMERJ no seu todo. Portanto, a implantação de Unidades Operacionais distanciadas desse eixo de ações pacificadoras em favelas não é tão isolada como parece à primeira vista. Estranha-me, pois, a notícia veiculada no Jornal O Globo de hoje, nos termos em que podem ser lidos (sic):


Em primeiro lugar, a medida anunciada não está “na contramão” de nada. Não é a atividade-meio de uma OPM que inviabiliza o policiamento máximo a ser empregado nas ruas, mas o excesso dela. Na verdade, a PMERJ é estruturada com diversos fins na manutenção da ordem pública e está vinculada a outras incumbências constitucionais e legais como força auxiliar reserva do Exército Brasileiro na Defesa Interna e na Defesa Territorial. Para tanto, é indispensável à corporação manter força reserva e se estruturar em Batalhões Operacionais nos moldes em que a Lei maior e outras leis referentes a obrigam.
Conceber a criação de Batalhões Operacionais como óbice ao aumento do policiamento nas ruas significa defender a contradição. Afinal, o que pretendem da PMERJ? Irradiar policiamento a partir de unidades distantes, de tal modo que o patrulhamento viaje quilômetros até alcançar seu destino?... Ora! Se o modelo estrutural da PMERJ prevê atividade-meio e força reserva para atender a emergências, é para tal alvitre que o Estado tem de suprir a corporação com os meios materiais e humanos. Ou então que se mude o modelo estrutural das Polícias Militares em todo o Brasil a partir da Carta Magna.
A criação de mais dois Batalhões Operacionais nas zonas norte e oeste da cidade, longe de significar “contramão” em relação ao aumento do policiamento nas ruas, segue a saudável ideia da descentralização do policiamento ostensivo. Quanto menor for a área da Unidade Operacional, mais rapidamente o policiamento será irradiado e sua frequência garantida. Portanto, a medida anunciada pela PMERJ está de acordo com a doutrina de emprego eficiente e eficaz da tropa no contexto da missão constitucional da corporação. Que me desculpe a ilustre e competente jornalista signatária da notícia, mas a sua impressão não se ajusta à realidade da instituição!
Claro que, numa avaliação superficial, criar mais dois Batalhões Operacionais pode parecer recuo. Mas, em contrário, é avanço. O que a PMERJ não deve permitir, e assim está agindo, é o excesso de efetivo na atividade-meio, cuja proporcionalidade gravita em torno de 17% ou menos. Por que não há como manter nas ruas o policiamento sem apoio estrutural de retaguarda: a logística. E tal não é privilégio da PMERJ. É só observar no próprio Sistema Globo e verificar que também lá existe sua força de retaguarda, uma impressionante logística a garantir a eficiência e a eficácia dos que se empenham na atividade-fim. Basta atentar para o seu Parque Gráfico e suas estruturas garantidoras da impressão dos jornais e revistas; ou então enumerar os motoristas e as viaturas globais sem os quais o sistema emperra, sem falar em faxineiros, copeiros, porteiros, seguranças, carpinteiros etc. Não sei quantos são os empregados na atividade-meio do Sistema Globo, mas, seguramente, não é diferente da PMERJ e talvez seja uma retaguarda ainda mais gordurosa.
Creio que o Sistema Globo não precisa se preocupar com a descentralização; muito ao contrário, deve aplaudi-la porque significa economia de meios na obtenção de resultados ótimos nas ruas. Absurdo é manter uma área tão extensa como a do 9º BPM (na minha época era de 60 Km2), impossível de policiar irradiando meios de sua distante sede. Isto é problema antigo e grave que parece receber uma primeira atenção.
Criar batalhões significa preparar estruturas físicas para acolher novas frações de tropa e aproximá-las maximamente das ruas e logradouros a policiar. E há de haver retaguarda e força reserva. Isto é garantia de policiamento ininterrupto. Sem retaguarda não há frente de ação que aguente, não só no militarismo como em qualquer outra atividade. De mais a mais, o modelo é esse e não cabe à PMERJ expandir-se a não ser pela criação de novas Unidades Operacionais. É a regra, e a PMERJ simplesmente cumpre-a.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sobre a descriminalização do uso de drogas

Sim ou não?

Vamos atar o usuário de drogas à ponta de uma linha, pondo preso à outra extremidade o traficante, ambos (usuário e traficante) numa espécie de continuum em que, num determinado pedaço da linha, o uso se confunde com o tráfico. Eis talvez por que muita gente se ponha contra a descriminalização do uso de drogas, pois a tendência do traficante é a de se declarar "usuário" mesmo portando quantidade suficiente da droga a desmenti-lo. Isto porque efetivamente há a possibilidade de a polícia subverter o fato contra usuários, tornando-os "traficantes". É o flagrante forjado, de difícil reversão, tal como se complica provar crime contra traficante naquele subjetivo continuum.
A dúvida em relação ao tráfico-uso ou ao uso-tráfico é quase invencível, exceto quando a polícia apreende grandes partidas de droga. Até assim não é simples singularizar traficantes, a não ser que a polícia adrede produza provas com filmagens, gravações etc. Nesses casos, porém, o cenário se torna complexo, já que a investigação criminal costuma render-se à pressão midiática e acelerar seus resultados. Operações policiais aparatosas são então deflagradas, confrontos violentos ocorrem, e o sangue derramado justifica essas ações eivadas de aleatorismo. Reduz-se o traficante, destarte, ao suspeito que aponta a arma para a polícia. Não havendo filmagem a comprovar, parte-se da lógica de que morto não fala para afirmar ou negar a presença da arma ao lado do seu corpo. A arma, geralmente um fuzil de guerra, fala por si só.
Sem dúvida, muitas são as dificuldades a superar em se tratando de separar uso e tráfico de drogas. A subjetividade é de embranquecer os cabelos de promotores e juízes. No fim de contas, recai sobre os ombros deles a decisão sobre fatos inverídicos, embora revestidos da mais eloquente veracidade; daí haver muitos culpados absolvidos e inocentes condenados. Porque é certo que usuários burlam a vigilância da família, e policiais igualmente usuários e reféns do tráfico enganam suas instituições. Afinal, o vício permeia toda a tessitura social.
Tratar usuário como um criminoso a reprimir, em vez de doente a tratar, tem sido a tônica da sociedade brasileira. O preconceito é poderoso, desde que o usuário não seja nosso parente. Em muitos casos, quem se arrisca a discutir a questão cai na malha dos contrários à liberação do uso de drogas e não raro enfrentam acusações de apologia do tráfico. Esse tipo penal é sobremodo ameaçador. Inibe os movimentos a favor da liberação do uso de drogas e tudo fica como dantes no quartel de Abrantes. Mas o assunto sempre torna à mesa das discussões, como nos informa o Jornal O GLOBO de 21/08, sexta-feira:


Bem, vamos aguardar o resultado de mais esta rodada de opiniões sobre políticas antidrogas tendentes à descriminalização do seu uso, com o que eu concordo, desde que feita de maneira responsável e tenha como alvitre tratar o usuário como doente e desestabilizar o tráfico como meta maior. Porque não adianta reduzir o discurso de erradicação do tráfico ao tratamento de viciados. Este é apenas um dos vários fatores concorrentes para a comercialização de drogas, sendo evidente que a repressão ao tráfico, inteligente ou violenta, jamais logrou vencê-lo em lugar nenhum do mundo.
Enquanto o tráfico não for cogitado como problema de mercado influenciado por leis de oferta e procura, não haverá solução para ele. E quando se fala em oferta, o foco se desloca para os países descaradamente produtores de matéria-prima (coca, papoula, maconha etc.) ou de drogas sintéticas, valendo a soberania como escudo da tragédia humana que todos eles provocam. Quanto à procura, é sempre maior que a oferta mundo afora.
Como se vê, isto é assunto deveras complexo. Fico, pois, aguardando o desfecho dessa importante reunião de notáveis, esperando que vença a tese da descriminalização do uso de drogas, porque a repressão jurídico-policial tem sido insuficiente e servido tão-somente para aumentar o valor de mercado das substâncias estupefacientes.

domingo, 23 de agosto de 2009

Sobre as eleições na AME/RJ em 19/08/2009


Não sei por que muita gente, no afã de alcançar objetivos distantes, se comporta como se eles fossem imediatos. Lembra-me o combatente partindo de peito aberto em direção do alvo, porém morrendo antes de alcançá-lo. Ao revés disso, abundam exemplos fundados na ideia dos rios e riachos contornando montanhas, descendo em cachoeiras, tornando-se caudalosos em alguns trechos e, por fim, desaguando mansamente em rios maiores, lagos, lagoas e mares, cumprindo assim sua finalidade. O general norte-coreano Vô Nguyen Giap, estrategista vencedor de guerras contra duas aves de rapina ocidentais (França e EUA), salvo falha de memória dizia que “o rio só atinge seus objetivos porque sabe contornar obstáculos.” O ensinamento serve para essas gentes; serve também para mim.

Insisto no tema em vista da minha participação na campanha da AME/RJ, antigo Clube dos Oficiais da PMERJ, integrando uma chapa (três) que, ao fim e ao cabo, se caracterizou como “chapa treme-terra”. Tudo terminado, o ilustre vencedor, em elegante e-mail a mim endereçado, manifestou uma impressão desfocada da minha verdadeira intenção no contexto da disputa. Isto porque, no dia seguinte ao pleito, ingressei com pedido de exclusão do quadro de associados.

Informei-lhe, em resposta igualmente elegante, que requeri há um ano meu desligamento de todas as entidades para as quais contribuo em contracheque. A motivação foi simples: tive parte da minha remuneração, conquistada ao custo de suor e sofrimento, surrupiada a mando do atual governante, que decerto não sobrevive do magro subsídio (teto) que demagogicamente mantém sem reajuste.

Malgrado o caminho que escolhi (requerimento protocolado na Diretoria de Inativos e Pensionistas da PMERJ) para me livrar dos descontos, que me passaram a fazer falta no orçamento, não vi prosperar meu direito constitucional de não me associar ou permanecer associado a quaisquer entidades (Inciso XX do Art. 5º da CRFB: “ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado.”).

Aproveito então para alertar os companheiros militares estaduais de que não adianta tentar por vias administrativas a exclusão dos quadros de algumas entidades eternizadas em nossos contracheques. A procrastinação chega ao absurdo de muitos associados morrerem e continuarem descontando em favor dessas entidades. Com efeito, os contribuintes, – mantidos na condição de “associados obrigatórios”, – muitas vezes morrem e permanecem gerando receita para alguma entidade: ou além-túmulo ou por conta do desaviso de seus dependentes. Quanto a esse específico disparate, vou tentar provocar na ALERJ, através de algum deputado, uma CPI para apurar quais entidades abusam ao extremo de seus associados mediante golpes de “esquecimento” ou de “engavetamento” dos requerimentos corretamente endereçados, como foi meu caso. Não por culpa da AME/RJ, que fique bem claro! Reitero que requeri à Diretoria Geral de Pessoal da PMERJ. A partir daí, não sei que destino tomou minha petição.

Quanto ao vencedor reconduzido à presidência da AME/RJ, e ao contrário do que ele chegou a pensar e me informar, não fiquei nem estou irado com o resultado. Cabe-me esclarecer aos observadores e participantes da eleição que a chapa três estava na condição de opositora às demais chapas: a dele (um) e a de seu concorrente (dois), esta última liderada por outro não menos ilustre colega que contava com o apoio explícito do Comandante Geral que deixou o cargo antes do pleito. Em 14 de abril de 2009, durante solenidade de aniversário da antiga PMRJ, na sede do 4º CPA, fui sondado pelo líder da chapa dois, pessoa que admiro e respeito, para recuar e apoiar a sua chapa. Não era meu propósito. Não aceitei. E se eu aceitasse?...

A chapa três não se habilitou à eleição com a pretensão de vencer. Seus signatários, – em maioria oriunda do antigo RJ e contando com o Major PM Wanderby, cujo objetivo era se lançar candidato a presidente da AME/RJ mesmo ciente das dificuldades, – seus signatários intentaram também por esta via marcar um protesto em vista do descaso da instituição PMERJ com a antiga PMRJ. Portanto, e que fique evidente, o alvo da nossa reação era e continuará sendo a esquivança da PMERJ em relação à PMRJ. Cabe à AME/RJ uma parcela de culpa nisso, segundo minha ótica particular; não por culpa de pessoas, mas da inegável cultura predominante. Ora, ainda hoje não consta no site da corporação o Hino da PMRJ, embora haja um rol de hinos e canções até de batalhões! Isto, no entender de muitos treme-terras, e até prova em contrário, não ocorre por acaso...

Portanto, a concentração de assinaturas de treme-terras na chapa encabeçada por um lídimo representante da nova geração de oficiais da corporação, o Major de Polícia Militar Wanderby Braga de Medeiros, em vez de derrota, representou importante vitória; em especial a minha vitória por mais uma vez merecer a confiança dos meus companheiros de longos tempos e muitas lutas. Não lhes precisei esmiuçar motivos para recolher as assinaturas. Ilumino-os superficialmente agora, porém sabendo da desnecessidade de fazê-lo. Eles confiaram e confiam em mim porque não viso a interesses menores e pessoais.

Os integrantes da chapa três, viabilizada em tempo mínimo, sabiam não haver condições de vencer dois candidatos poderosíssimos, como eu mesmo admiti em artigo postado no meu blog antes do pleito. No entanto, ficou evidente pelo resultado que, se a chapa três optasse por um dos concorrentes, garantiria vitória menos suada à chapa um, e, à que perdeu (chapa dois), poderia lhe propiciar uma vitória desconcertante. Isto porque, num universo de 1.111 associados, repetiu-se a tendência do pouco comparecimento: menos de 30% em 2007 (280 sócios) e menos de 40% no pleito recente (425 sócios, com 13 sócios errando o voto, perfazendo apenas 412 votos válidos).

Tivéssemos nós, da chapa três, a intenção de disputar para ganhar, talvez bastasse compor com a chapa dois e a sinergia faria o resto. E me arrisco a especular: em havendo o apoio do atual Comando Geral (absolutamente não houve!) a chapa dois poderia ter vencido; a uma porque não haveria oposição da chapa três, ou seja, de nós outros; a duas porque apostaríamos no atual Comandante Geral apoiando a chapa dois ou seríamos pulverizados pelos dois lados da disputa em proporções quânticas. Ou faltaríamos ao pleito. Eis a inegável incerteza...

Sim, a chapa dois poderia ter vencido, pois a apuração indicou o somatório das chapas três e dois (79 + 123= 202) perdendo por apenas 8 votos para a chapa um (210 votos). Em vista disso, creio que cabe ao ilustre presidente reeleito e seus nobres conselheiros a preocupação com o resgate dos associados que não compareceram para votar: o mais grave de tudo.

Depois disso, vejo a necessidade de ampliar o número de sócios adotando uma política mais arrojada de legitimação da AME/RJ como representação classista cuja força se ampliaria sobremodo a partir de 3.000 associados. Sugiro preliminarmente tais medidas, dentre muitas outras, porque aceitei o apelo do presidente para recuar da minha decisão de me desassociar e colaborar com ele para o engrandecimento da AME/RJ, o que almejo sinceramente, desde que os companheiros da antiga PMRJ sejam tratados como autênticos irmãos camaradas.

Aproveito para apelar aos meus companheiros da chapa três que também creditem confiança ao novo momento da AME/RJ. Assim estaremos nos comportando como aqueles rios e riachos lá do início, de preferência sem mais tempestades a torná-los caudalosos...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Sobre a ocupação de favelas pela PMERJ


Em se tratando de PMERJ, tenho muito temor de ufanismos midiáticos temporários enchendo a nossa bola. Vejo sempre o outro lado da moeda: as indefectíveis maledicências da imprensa ao fim e ao cabo de tudo. Refiro-me às reportagens do Jornal O GLOBO elogiando as ocupações em favelas e projetando a imagem (não sei se verdadeira ou falsa) de um impacto formidável na segurança comunitária, até influenciando positivamente no valor de aluguel e venda do casario simples que reflete aos nossos olhos a desoladora paisagem favelada.
Para mim, no fundo, creio que o SISTEMA GLOBO está de olho no lucro com a Copa do Mundo de 2014. E a INFOGLOBO magistralmente faz a sua parte no grandioso lobby, decerto se antecipando no elogio de uma ação que pode efetivamente vingar: as ocupações de algumas estratégicas favelas pela PMERJ têm sido certeiras. Também este segmento da imprensa especula em otimismo sobre o custo material do fabuloso empreendimento, sem, entretanto, ultrapassar os números frios de um dinheiro que não inclui o PM senão como mera quantidade de seres amorfos.


Com efeito, o SISTEMA GLOBO parte do falso princípio de que o PM é otimamente treinado, ganha bem, tem casa própria, come em abastança, vê os filhos estudando em bons colégios, não se desvia na conduta, é bem-visto pela sociedade, pode passear pelas ruas, fardado, com seus filhos nas mãos ou no colo, pode pendurar a farda no varal de sua casa alugada etc. Resumindo, seria um perfeito PM enquadrado na “Teoria Y” (Douglas McGregor, psicólogo social americano), ou, reduzindo ainda mais o raciocínio: o Rio Janeiro, para o PM (somente o destinado a tal alvitre global), seria já agora uma ilha tal qual a Utopia de São Sir Thomas More...
Ora bem, a ocupação está funcionando a contento, é o que o jornal O GLOBO nos informa. Porém, a cada uma que ocorre os traficantes migram para locais desconhecidos. Considerando que a matéria não pode ocupar um mesmo espaço ao mesmo tempo, é de se indagar aonde irão se alojar tantos bandidos “excluídos” de suas “comunidades-homizios”. Mas está certa a PMERJ ao permitir a rota de fuga. Sun Tzu, em sua Arte da Guerra, recomenda não acuar o inimigo, ele se torna forte e perigoso no contra-ataque. Mas chegará o dia em que eles estarão apinhados em algum ponto, serão numerosos e não terão como escapar para outro lugar. E haverá o contra-ataque...
Devo dizer, sem ufanismo, que a primeira ocupação feita em favela ocorreu durante o meu comando à frente do 9º BPM, nos idos de 1989/1990. Consegui expulsar os traficantes da favela Para Pedro, situada em Colégio, Zona Norte. Ocupar é fácil; manter é que é problema. Depois que deixei o comando, e ao mudar o governante (saiu Moreira Franco e entrou novamente Brizola), o novo comandante do batalhão desfez o policiamento que lá permanecia em tempo integral e os traficantes retomaram a favela, promovendo retaliações gravíssimas contra os moradores que antes assumiram a defesa da PMERJ. Eis o perigo!...



Favela Para Pedro - TCel PM Larangeira e Delegado de Polícia Dr. Wilson Vieira

Como projetar esse incerto futuro? Que medidas proativas devem ser implantadas para se evitar reações descontroladas? Aproveito para esclarecer que “proatividade” em Planejamento Organizacional significa “antecipação”, para evitar que a organização seja “reativa”. Não conheço o neologismo “pró-ativo” a não ser por sua conotação de “a favor da atividade”, o que é muito óbvio. O badalado “pró-ativo” não se ajusta muito convenientemente aos princípios da prevenção. A ocupação é medida preventiva (ação proativa) de largo e profundo alcance exatamente para evitar o aleatorismo das ações reativas no seu sentido mais violento (medidas repressivas). O neologismo, portanto, confunde mais que esclarece. Até porque às medidas preventivas (atividades permanentes e proativas: a regra), – que se antecedem às repressivas (atividades eventuais e reativas: a exceção), – todos devem ser “a favor” (“pró-“).
A par disso tudo, o SISTEMA GLOBO presta relevante serviço ao divulgar o bom trabalho da PMERJ. Mostra que nem tudo na corporação é má notícia, e que o PM é gente de carne, e osso, e alma, e espírito. As matérias elogiosas contribuem para elevar a auto-estima do PM e do favelado, e isto é bom em todos os sentidos. Ao vivenciar o drama favelado e servir de amparo aos cidadãos moradores em favelas, o PM sente-se verdadeiramente útil. É diferente de passear a pé, a cavalo, de carro, moto ou bicicleta pelas ruas na prevenção subjetiva, – e de certo modo discutível, – sob a ótica romântica de que o delinquente, em vendo o PM, não praticará seu delito...
Isto seria vero se existisse ao menos um PM em cada rua, quarteirão, bairro, via expressa etc. Impossível! Na favela, a interação é real. De um lado, o protetor, do outro, o protegido, com ambos tocando-se em cumprimento e conversando civilizadamente. Quem dera pudesse ser assim em todas as favelas e no asfalto! Sim, quem dera! Ah, mas não poderia existir, – como de fato existe, – a criminalidade violenta a propor o contrário à convivência social, o que implica considerar muitas escaramuças apenas adiadas enquanto os poderosos traficantes estiverem em “diáspora hodierna”, pelo menos até a Copa do Mundo. E depois?...


Bem, em minha fraca antevisão, – e como a Copa do Mundo ocorrerá em 2014, – há tempo suficiente para ocupar as favelas consideradas estratégicas, em especial as situadas na Zona Sul. Como há 700 favelas no Rio, no mais ou no menos, afora as cidades de seu entorno, os traficantes terão onde se acomodar em meio as suas respectivas facções. Claro que a decisão de acomodação dessas gentes cruéis virá dos grandes fornecedores alienígenas: os produtores da droga em larga escala. Portanto, não haverá problema, exceto para as populações de favelas ocupadas por bandidos, estas que ganharão mais bandidos em vez de ocupação policial, com muitos favelados cedendo suas moradias pelo terror das armas assassinas e se enfiando debaixo de pontes e viadutos. Por outro lado, para o planejamento funcionar a contento, necessário se faz combater milícias, de modo que elas não se proliferem e comecem a expulsar bandidos para lugares já apertados, instituindo assim o perigo da falta de rota de fuga apregoada por Sun Tzu. Sob pressão, as milícias tenderão à estagnação, instituindo uma falsa impressão de vitória da polícia contra uma criminalidade apenas recolhida em sua “forma cística”. Mal comparando, a ação policial seria como uma represa escorando um aguaceiro máximo e tendente a se romper.


É fácil perceber que a segurança pública já atua no campo tático e operacional de seu planejamento estratégico: ocupação de favelas consideradas ícones por sua localização em meio aos ricos, e repressão sistemática às milícias em favelas periféricas. O planejamento é inteligente. Atenderá por alguns preciosos anos ao interesse da mídia e das autoridades internacionais, cujos olhos já estão voltados para a nação brasileira como futura sede da Copa do Mundo. Tudo perfeito! Nem mesmo a mudança de governador, caso o atual não vença a próxima eleição, alterará o planejamento. Afinal, está legitimado pelo SISTEMA GLOBO...
Não há de haver plano de ação melhor que esse. Entretanto, uma ação dessa envergadura, obrigada ao acerto por mais de quatro anos, depende de recursos compatíveis, dentre os quais estão as gentes policiais – a raiz do problema. Pois até agora a insatisfação e a revolta contra o sistema governamental predominam na PMERJ, na PCERJ, no CBMERJ, na SEAP (Agentes Penitenciários) e quiçá na Guarda Municipal da Capital. Trata-se de situação psicossocial desfavorável e cumulada, para não se pensar que tudo é culpa do atual governante, embora ele responda por apreciável quinhão do problema. Vencido tudo isso, haveremos de chegar à Copa do Mundo em condições de assegurar o seu sucesso e muito lucro. Caso contrário... Ora, o futuro a Deus pertence!...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

19 DE AGOSTO DE 2009, DIA DE ELEIÇÕES NA AME/RJ




Hoje é o grande dia! Vou à AME/RJ votar e torcer! Saio agora de casa, não sem antes deixar este registro. Qualquer que seja o resultado, afirmo que valeu a pena. Desde o dia em que o major Wanderby interagiu comigo, – e não faz muito tempo, – não mais paramos. Eu não o conhecia a não ser por acompanhamento de suas andanças guerreando em favor do militar estadual. Depois, fui recebendo insumos em meio às praças dando conta de que o discurso dele era compatível com o seu comportamento em quartéis. Confirmei estar diante de um humanista indomável, coisa rara na PM. Não mais tive dúvidas de que lidava com um idealista por inteiro. Confesso que me alegrei deveras, ao mesmo tempo em que muito me preocupo por saber que defender direitos das praças, principalmente, significa infortúnio pela frente. Mas o inusitado aconteceu em nossas primeiras falas: ele me convidou a fazer parte de um projeto que acalentava: ser presidente da AME/RJ. Ouvi, medi o tempo que faltava para entregar uma listagem contendo a assinatura de 50 associados com mais de um ano de contribuição, e, dentre as 50, ou além delas, haveria de haver 38 sócios com mais de cinco anos de contribuição para composição da chapa. Casuísmo absurdo!
Tempo curto, – e muitas dificuldades à vista, – indaguei do major Wanderby quantos companheiros estavam por ele mobilizados até aquele momento. Ele me respondeu com um desanimado sorriso: “Dois: eu e meu irmão.” Não aguentei também o riso. Lembrei meus tempos de instrutor de “emprego tático da PM” (na cidade e no campo), – o que os verdes-olivas chamavam de “curso de comando e guerra na selva” – e dos perigosos desafios físicos e psicológicos que inventava só para me testar. Enfim, lembrei meus tempos alucinados de tenente e uma coceirinha desafiadora novamente me tomou. Se comparada nossa aflitiva situação com as alegrias das outras chapas (duas), uma apoiada pelo então Comandante Geral, Cel Pitta, e a outra capitaneada pelo atual presidente da AME, TCel Anaide, ambos com seus participantes mobilizados havia muito tempo, no mínimo, parecia suicídio.
Esta era a lógica da disputa: nenhuma. No nosso caso, – apenas três oficiais dispostos a desafiar dois Leviatãs simultâneos, – a lógica se invertia in totum. Veio-me à memória um insólito exemplo a que me reporto a seguir:

“UM CASO DE SUICÍDIO OU HOMICÍDIO: O HOMEM QUE MATOU A SI MESMO CONSIGO PRÓPRIO.
No jantar de premiação anual de ciências Forenses, em 1994, o perito médico-legista Dr. Don Harper Mills impressionou o público com as complicações legais de uma morte bizarra.
Aqui está a história:
Em 23 de março de 1994, o médico legista examinou o corpo de Ronald Opus e concluiu que a causa da morte fora um tiro de espingarda na cabeça. Opus pulara do alto de um prédio de 10 andares, pretendendo suicidar-se.
Ele deixou uma nota de suicídio confirmando sua intenção. Mas quando estava caindo, passando pelo nono andar, Opus foi atingido por um tiro de espingarda na cabeça, que o matou instantaneamente.
O que Opus não sabia era que uma rede de segurança havia sido instalada um pouco abaixo, na altura do oitavo andar, a fim de proteger alguns trabalhadores. Portanto, Ronald Opus não teria sido capaz de consumar seu suicídio como pretendia.
O Dr. Mills relata que "quando uma pessoa inicia um ato de suicídio e consegue se matar, sua morte é considerada suicídio, mesmo que o mecanismo final da morte não tenha sido o desejado." Mas o fato de Opus ter sido morto em plena queda, no meio de um suicídio que não teria dado certo por causa da rede de segurança, transformou o caso em homicídio.
O quarto do nono andar, de onde partiu o tiro assassino, era ocupado por um casal de velhos. Eles estavam discutindo em altos gritos e o marido ameaçava a esposa com uma espingarda. O homem estava tão furioso que, ao apertar o gatilho, o tiro errou completamente sua esposa, atravessando a janela e atingindo o corpo que caía.
Quando alguém tenta matar a vítima "A", mas acidentalmente mata a vítima "B", esse alguém é culpado pelo homicídio de "B".
Quando acusado de assassinato, tanto o marido quanto a esposa foram enfáticos, ao afirmarem que a espingarda deveria estar descarregada. O velho disse que tinha o hábito de ameaçar sua esposa com a espingarda descarregada durante suas discussões.
Ele jamais tivera a intenção de matá-la. Portanto, o assassinato de Opus parecia ter sido um acidente, ou seja, ambos achavam que a arma estava descarregada, portanto a culpaseria de quem carregara a arma.
A investigação descobriu uma testemunha que vira o filho do casal carregar a espingarda um mês antes. Foi descoberto que a senhora havia cortado a mesada do filho, e este, sabendo das brigas constantes de seus pais, carregara a espingarda na esperança de que seu pai matasse sua mãe.
O caso passa a ser, portanto, do assassinato de Opus pelo filho do casal. As investigações descobriram que o filho do casal era, na verdade, Ronald Opus. Ele se encontrava frustrado por não ter até então conseguido matar sua mãe. Por isso, em 23 de março, ele se atirou do décimo andar do prédio onde morava, vindo a ser morto por um tiro de espingarda quando passava pela janela do nono andar. Ronald Opus havia efetivamente assassinado a si mesmo, por isso a polícia encerrou o caso como suicídio...
Interessante, não?”

Enfim, sem corda ou escada para subir a montanha, aceitei o repto e fui à luta sem muita arma, animando a dupla Medeiros. Sem adentrar detalhes, em 08 de junho (prazo fatal) estávamos entregando a nossa lista com 75 assinaturas. Não posso garantir que todos os assinantes compareçam para votar, isto é outra página no desenrolar dessa história que termina (ou começa) hoje. Afinal, para pessoas de idade avançada, assinar uma lista em casa é diferente de sair para votar em lugar distante. Para piorar, hoje a chuva nos ameaça.
Não importa! Vale a animação somente pelo fato de conseguirmos vencer o tempo sem desânimo. Tudo se resumiu na crença de que alcançaríamos o impossível. Eu, de minha parte, confiava nos meus companheiros treme-terras ainda associados. Mesmo enfrentando pesada concorrência do Cel PM Laurílio José da Silva, – treme-terra respeitadíssimo entre nós, – logrei êxito no recolhimento das assinaturas em tempo hábil. Primeira vitória: ninguém cria na possibilidade de uma terceira chapa, – logo vista como “proscrita”, – chegar ao pódio do primeiro desafio imposto pelo sistema. Bem...
Bem... A campanha está feita. O blog que criamos (
http://www.chapaidentidade.blogspot.com/) alcança, neste momento em que parto à votação, 4.671 acessos. Não sei quem, – além de mim e de alguns que mantiveram o blog em atividade, – não sei quem nos visitou. Mas sei que ultrapassamos a marca de quatro vezes o número de associados (1.111); enfim, despertamos a atenção de milhares de pessoas para a sucessão na AME/RJ, algo inédito em se tratando de um sistema que elegeu presidente esse mesmo candidato à reeleição com apenas 200 votos contra 80; ou seja, apenas 280 sócios compareceram para votar no último pleito. Como diria Bóris Casoy: “Isto é uma vergonha!”
Com certeza, mudamos uma regra que se tornara vício até o dia de hoje, isto em tese. No fim de contas, não sei ainda o que ocorrerá na AME neste importante dia 19/08. Pode ser que eu volte decepcionado, não por perder a disputa, mas por verificar que o desinteresse dos sócios por sua entidade representativa alcançou o ápice. Bem, vou parando por aqui. O resto eu conto na volta...

Muito bem, voltei. Perdemos, como esperado; perderam as chapas de oposição; ganhou a chapa da situação. Na verdade, acrescentou dez votos ao seu resultado anterior (200 votos há dois anos): somou 210 votos. A chapa dois, apoiada pelo anterior Comandante Geral, somou 123 votos; a nossa chapa, 79 votos. Foi o resultado, ou seja, 412 votos válidos e mais 13 anulados, supostamente representativos de 13 associados que não souberam votar. Enfim, 425 votos num universo 1.111 associados. Na verdade, perderam os 686 (1.111 – 425) associados que faltaram. Por que insistiram em faltar à eleição? Difícil entender pessoas comprarem religiosamente seus convites, caros, por sinal, e não comparecerem à festa. Tal me lembra Ernesto, personagem machadiano, atrás de uma casaca para ir à festa na casa da namorada: ”A desgraça porém que o perseguia fez com que o primeiro amigo tivesse de ir no dia seguinte a um casamento e o segundo a um baile; o terceiro tinha a casaca rota, o quarto tinha a casaca emprestada, o quinto não emprestava a casaca, o sexto não tinha casaca. Recorreu ainda a mais dois amigos suplementares; mas um partira na véspera para Iguaçu e o outro estava destacado na fortaleza de S. João como alferes da guarda nacional.”
Os “alferes” de hoje não lograram conseguir nenhuma casaca; 686 “alferes” faltaram à festa. Sobraram os talheres e o repasto para consumo de 210 comensais, com garantia de alguns meses. Como os 202 associados opositores não são convidados e pegaram emprestadas suas casacas, somente 210 estão se lambuzando merecidamente: “Aos vencedores as batatas”. Por isso, nada impede somar aos faltantes os desinfelizes 202 que se arriscaram em nome daqueles 686 faltantes, o que significa, ao fim da festa, a derrota de 888 “alferes” como contrapartida da vitória de 210 encastelados na AME desde muito tempo. A culpa, porém, não é deles; é, principalmente, daqueles que ignoraram seus descontos mensais em favor da festa de 210 por mais dois anos. Quanto a mim, não pretendo mais contribuir para o repasto de ninguém. Vou buscar entidades verdadeiramente representativas ou vou me representar a mim mesmo e a meu modo.
Ah, durante a campanha, um cão ladrou à vontade a defender o seu osso. Não vou latir como um cão nem reagir como um leão. Penso que valeu a vivência, como o faz um antropólogo a se lançar em meio ao ambiente a ser pesquisado. Vou refletir, e depois desse exercício reflexivo decerto saberei que rumo tomar até definir um novo alvitre, claro que diferenciado desse de caráter festivo e por mim remunerado. Não mais serei um dos 888 derrotados pelo desencanto com a AME/RJ. Quanto aos 13 que erraram o voto, que falar?... Bem, melhor ignorá-los. Que fique a AME/RJ com suas festas pagas por terceiros que eu vou à luta!...



terça-feira, 18 de agosto de 2009

Elogio da Loucura do Major Wanderby

Desde que a campanha da AME/RJ foi desencadeada, ou seja, a partir de 08 de junho no caso da chapa 3 (as demais já estavam bem antes articuladas), as maledicências contra o Major Wanderby se disseminaram tempestuosamente. Na impossibilidade de tachá-lo de corrupto, ou estulto, ou inculto, seus detratores optaram por designá-lo como “louco”, ressalvando-se suas possíveis variações dicionarizadas. Tal foi a insistência nesse discurso que obrigou ao major, perante seleto grupo reunido pelo tenente Paulo Tavares, digno presidente da AOMAI, frisar não ser louco coisa nenhuma e declinar a sua condição de apto. Satirizou com razão, o que me fez viajar aos séculos XV e XVI (1465-1536) e reencontrar Erasmo de Rotterdam e seu "Elogio da Loucura".
Esta Loucura, porém, é nome próprio na sátira de Erasmo, que, ao escrevê-la, como se lê na apresentação do tradutor Ciro Mioranza: “Sua intenção era fazer uma brincadeira e oferecer à própria sociedade um espelho de si mesma, para que ela própria pudesse também achar graça, ou até rir à toa, ao ver-se tão ridícula, tão palhaça e tão mesquinha.”
Erasmo dedica a sua inusitada obra ao amigo Thomas Morus, e a Loucura, personagem central vivificada e materializada, diz a que veio logo nas primeiras linhas de sua história, bastando sublinhar o seu auto-elogio: ”(...) Além do mais, acredito mostrar com isso maior modéstia do que certos doutos ou famosos que, por um pérfido pudor, subornam em seu proveito a bajulação de um orador ou as invenções de um poeta e, em troca de dinheiro, ouvem dele seus elogios, que são na verdade um monte de mentiras. Entrementes, nosso pudico personagem abre a cauda em leque como um pavão, levanta a crista, enquanto os descarados aduladores comparam a nulidade aos deuses e o propõem, embora sabendo tratar-se do contrário, como um modelo de todas as virtudes; afagam essa gralha de penas emprestadas, branqueiam esse etíope e apresentam essa mosca tal qual elefante.”

E no desvelar de sua personalidade, a Loucura acrescenta adiante; “(...) Não uso disfarce, não dissimulo no rosto o que não sinto no coração. Sou sempre igual a mim mesma. Não ponho a máscara, como aqueles que pretendem representar um papel de sábios e andam desfilando como macacos vestidos de púrpura e como asnos com pele de leão. Que se vistam com disfarces quanto quiserem, que suas orelhas sobressalientes revelarão sempre um Midas oculto.”

Claro que o Major Wanderby não é louco, mas bem o poderia ser ao modo da “Senhora Loucura” de Erasmo de Rotterdam, que sabe apontar os vícios que nortearam essa disputa tornada pessoal pelo atual presidente da AME/RJ, talvez por não se imaginar tão contestado por duas chapas que, somadas as assinaturas por elas apresentadas, ultrapassam o número de votos (200) que lhe deram a vitória na eleição passada, quase que sem concorrentes. Seu adversário somou 80 votos e permanece na oposição apoiando a chapa 3. Aliás, se somarmos os 80 votos aos 75, retirando um do próprio concorrente, a chapa 3, em tese, conquistou 154 votos, ou seja, uma pequena diferença que poderia ainda ser menor se todas as assinaturas recolhidas fossem divulgadas. Bem, melhor que entender o resumo da sátira é lê-la toda. Quem o fizer saberá distinguir o Bem do Mal por via da Loucura esclarecedora de Erasmo, tal como é certo que o Major Wanderby bem que lhe poderia ocupar o lugar na sátira, já que ele, segundo os opositores, é “Louco”.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Para os anônimos e ofensivos...

... Os cães ladram e a caravana passa.





E para essa turma sem identidade, feito ou feitio, a palavra do filósofo:



“Nomeia-te, velhaco! Pois quem é honesto não ataca sob máscara e capuz pessoas que passeiam com a face descoberta. Atacar anonimamente pessoas que não escrevem de forma anônima é evidentemente uma infâmia.” (Arthur Schopenhauer)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

As três gerações dos Medeiros na PMERJ







DISCURSO DO MAJOR WANDERBY PARA OFICIAIS DA AOMAI

Sr Pres. da AOMAI, bravo Ten Paulo Tavares, a quem oferto minha continência pela forma digna, independente, proba, transparente e corajosamente democrática com que vem pautando as ações da associação que felizmente preside.
Sr Cel de Polícia e Barbono Paúl, camarada de luta, na pessoa de quem saúdo todos os superiores presentes.Dileta platéia.


Contrariamente ao que talvez alguns dos Srs possam ter ouvido, eu não sou louco!


Sou a terceira geração da família Medeiros na Polícia Militar, neto, filho e irmão de oficiais da Briosa, dois deles já desencarnados.
Ingressei na PM há mais de vinte anos por opção e idealismo e já realizei todos os cursos obrigatórios, além de alguns outros, todos sempre concluídos como “zero de turma”; sou casado, pai de Beatriz e Bruna, vivemos unicamente de meu salário de Major PM, moro de aluguel e tenho por propriedade, além de minhas idéias e convicções, um automóvel ano 2002 adquirido em 48 vezes.
Minha condição sanitária é de apto!
Por outro lado, devo reconhecer que nunca abri mão de minhas convicções em razão de conveniências pessoais e que a luta aguerrida que tenho travado em defesa da oferta aos militares estaduais de condições dignas de trabalho e remuneração gerou para mim e para minha família não poucos infortúnios. Já sou um dos Majores mais antigos da PM, estou sendo processado pelo crime militar intitulado “publicação ou crítica indevida”, fui três vezes punido e respondi já a uma infinidade de procedimentos administrativos motivados por meus escritos na rede mundial de computadores e por minhas declarações à imprensa. Fui excluído do Quadro de Acesso e estive na iminência de ser submetido a Conselho de Justificação pelo Comando anterior da PM. Voltei para o Quadro por deliberação da Comissão instituída já sob a égide do digno e honrado Cel Mário Sérgio... Mas mantenho minhas posições e minha luta!
Isso é loucura? Então devo admitir que sou realmente louco.
Agora, mais do que louco... sou “um hospício lotado, já que encabeço com orgulho uma chapa integrada e apoiada por ilustres personalidades da PM e do CBM. Observem a composição de nossa chapa e verão dentre outros de não menos importância nomes como Emir Campos Larangeira, Ubiratan de Oliveira Ângelo, José Guilherme de Moraes Neto, Jorge da Silva, Renato Hottz, Carlos Alberto Victoriano Guedes, Francisco D`Ambrósio, Edson Rodrigues Barros, Ricardo da Silveira Furtado, José Carlos Barbosa Braga, Wagner Marques da Silva, Pedro Jorge Marinho Gomes e tantos outros ilustres oficiais, com destaque para o inegável herói do fogo, Coronel BM Edson Tavares da Silva e tantos outros nomes de não menos valorosos bombeiros militares.
E falando em loucura, não posso deixar de reconhecer o inspirador exemplo que me foi dado à época em que cursava o CSP pelo então
TC Costa Filho, penalizado com a destituição do Comando por não haver cedido a anseios políticos e duvidosos oriundos de um político com interesses eleitorais na Mangueira.
Lembro-me de quando eu e meu saudoso pai, Cel Wander de Medeiros, abandonamos um ágape maçônico após sermos confrontados com menção crítica e de mau gosto em relação ao comportamento corajoso do então TC Costa Filho. Ele não teve medo de perder e venceu! Estou autorizado a manifestar publicamente o respeito dos integrantes da chapa identidade por seu legado.
A AME precisa de loucos!
De loucos que tenham coragem e independência suficientes para confrontar por exemplo o secretário Joaquim Levy, mais um tecnocrata que integra a administração do não menos insensível Sérgio Cabral Filho.
Ouçam o que foi publicado pelo Jornal O Dia, edição de 07 de agosto do corrente:





Pois bem, O Globo de ontem anunciou o corte dos royalties de 10% para 5%. Agora é vero! E agora?... Os Senhores vão dançar como disse o insensível secretário?




Vamos então solicitar à festiva presidência da AME que realize agora um ba
ile, quem sabe na véspera da eleição...




A AME precisa de coragem! E não falo de coragem para violação de preceitos democráticos, nem tampouco para a prática de abusos em proveito próprio, mesmo no campo eleitoral, e aproveito para destacar que mais uma vez o que deveria ser o informativo da associação, agora em cores custeadas com o suado dinheiro dos sócios, foi utilizado para campanha em prol da reeleição do atual presidente.
Também não falo de coragem para propiciar aos Senhores sócios da AOMAI estas modestas instalações, em detrimento do aluguel de dependências melhores de nossa AME a alienígenas.Poderia falar também do Riviera, mas acho que já não há nada a dizer que não seja conhecido ou pressentido pelos Srs.
É dessa loucura que precisamos?
Vou providenciar auditagem de tudo! Inclusive dos não poucos milhares de reais gastos na AME/RJ sob a simplória rubrica de “despesas diversas”.
Gostaria, mas sei que não posso me alongar.
Encerro lembrando-os de que a AME está cada vez mais fraca e que tal fato ocorre justamente no momento em que nossas Corporações enfrentam as mais diversas agressões, de todos os lados, a ponto do secretário de segurança, delegado Beltrame, colocar em cheque até mesmo a autoridade investigativa de um encarregado de IPM. Foi interpelado pela AME?
Estamos sucumbindo e precisamos reagir. Esperem de mim ação, transparência, lutas incansáveis em defesa dos nossos direitos e independência total no enfrentamento do sistema que nos é adverso desde muitos anos.
Os Senhores, dignos e calejados por árduas lutas de outrora, têm na mente a alma e a sabedoria de que a AME precisa; eu, ainda jovem-velho, tenho a minha alma no peito e dependo da sabedoria dos senhores... Nossas amadas Corporações dependem de nós! Eu lhes peço do fundo do coração: confiem nos jovens e nos seus arroubos idealistas! Lutemos juntos por nossos ideais corporativos! Que a AME seja a principal trincheira de luta de todos os militares estaduais e pensionistas, sem distinção! Lutemos juntos, porque juntos somos fortes!Muito obrigado.






(1º Ten Paulo Tavares, Pres. da AOMAI)





OBS.: O atual Pres. da AME/RJ não se fez presente à cerimônia, mas mandou uma carta na qual, dentre outras coisas, informou que dedica as sextas-feiras às suas atividades advocatícias privadas.

CHAPA 3 - DIREITO DE RESPOSTA



Não sei por qual razão ou desrazão, mas a versão do atual presidente da AME, – impressa em mais um Informativo Oficial endereçado aos sócios com objetivos pessoais claramente confessáveis e atropelando as regras estatutárias de igualdade entre as chapas concorrentes, – lembra-me o personagem Simão Bacamarte e seus métodos pouco lúcidos. Como sabem os que lhe conhecem a história, ele culminou vítima de si mesmo...
Impressionante a capacidade inventiva do candidato à reeleição, titular da chapa 1. Na falta de argumentos sólidos de campanha, – nos dois momentos em que ilegitimamente se utiliza de meios acessíveis apenas a ele para se autoproclamar o melhor em consciente postura ditatorial, – ele mente!
No primeiro informativo, ele acusa as duas chapas adversárias de se manifestarem contra um trabalho que ele diz realizar ou ter realizado em favor de pensionistas, em vez de apenas dizer que realiza o trabalho, o que até pode ser verdade, só ele sabe. A verdade: nem os integrantes da Chapa 3 (Identidade) nem os integrantes da Chapa 2 (União), ou seja, ninguém, absolutamente ninguém abriu a boca sobre o desconhecido assunto ou escreveu algo a respeito. Enfim, uma grosseira mentira!
O peto do candidato à reeleição, – atual presidente da AME, – também me faz lembrar o julgamento de Sócrates e sua célebre frase: “Estou sendo condenado por crer em deuses em vez de crer em deuses”. Pois o candidato à reeleição entendeu de condenar seus adversários por meio de mentiras mui bem arquitetadas, quando lhe bastaria divulgar seus feitos, se houvessem. Ao que parece, – e tornando ao mestre Machado de Assis, – ele “não tem feitos nem feitios”. Então apela para a mentira!
Se não bastasse a primeira inverdade assacada contra os dois adversários, surge o candidato, – novamente utilizando meio impróprio (Informativo Oficial da AME), – a atribuir aos seus adversários outra intenção jamais manifestada em tempo algum por nenhum deles. Afirma – mentirosamente – que seus adversários pretendem acabar com o Corpo Jurídico da AME. Encetou a mentira somente para falar sobre as atuais atividades do referido setor, ao qual nenhum adversário se reportou durante a campanha nos termos mentirosos por ele denunciados.
Enfim, duas mentiras contidas num só método de disseminação de suas “qualidades” (ou ocultação de seus defeitos?...) em detrimento da qualidade e da honra de seus adversários. Por que será que o candidato assim se comporta? Por que não respeita a ética e as regras estatutárias da AME?
Creio saber a resposta: sente-se dono da AME. Tornou-se a AME sua propriedade, o seu local de experimentação solo, o campo de suas “idiossincrasias bacamarteanas”... Deste modo, desmerece a inteligência e o bom senso dos associados; reputa-os ingênuos e capazes de engolir sua isca venenosa. Na verdade, ele apenas demonstra fraqueza, desequilíbrio e incapacidade de permanecer presidindo uma entidade que funciona como clube e restaurante como se existisse somente com tais fins sociais. Se ele pensa que ganhará a eleição com esse método abominável, engana-se. Não creio que os associados engulam mais suas mentiras.
Bem, para não parecer que o discurso dele foi totalmente vazio no Informativo Oficial da AME, devo ressalvar o cardápio... Mas confesso que, diante de tantas mentiras, posso concluir ser o cardápio mais um engodo ou virá envenenado. Por isso, almoçarei lá... num sábado, num domingo ou num feriado qualquer...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Sobre a proibição do Funk

"O Major Vidigal era o rei absoluto, o árbitro supremo de tudo que dizia respeito a esse ramo da administração; era o juiz que julgava e distribuía a pena, e ao mesmo tempo o guarda que dava caça aos criminosos; nas causas da sua imensa alçada não havia testemunhas, nem provas, nem razões, nem processo; ele resumia tudo em si; a sua justiça era infalível; não havia apelação das sentenças que dava, fazia o que queria, e ninguém lhe tomava contas. Exercia enfim uma espécie de inquisição policial.” (Memórias de um Sargento de Milícia - Manuel Antônio de Almeida)


Desde o tempo Del Rei e das capoeiras a plebe sofre perseguições policiais. Um máximo exemplo de vigilância e punição se concentrava na lendária figura do Major Vidigal, como nos informa Manuel Antônio de Almeida no seu clássico Memórias de um Sargento de Milícia, dentre outros romancistas e historiadores. A capoeira, espécie de luta nativa da África dissimulada em dança, traduzia uma latente revolta contra a opressão extrema a que eram submetidos os escravos: a plebe da plebe... A capoeira, malgrado a sua exteriorização lúdica, era válvula de escape dos oprimidos; mas era também arte (marcial ou dançada). Nos dois casos, a beleza dos movimentos predominava, mantendo-se a prática mui viva na tradição popular brasileira até os dias de hoje.

Nesta linha da “dança de protesto” com um misto de erotismo que se encaixa como luva na cultura popular remanescente da Senzala, emerge fortemente o Funk, vindo do mundo negro norte-americano para o mundo mesclado do Brasil – as duas Áfricas escravizadas. Mas o fato de aqui se denominar “movimento” sugere preconceito e associação a outro “movimento” (o de drogas). E cá estamos novamente na Senzala por vontade da Casa-grande, tal como representada pela truculência do major Vidigal. Casa-grande, aliás, notória consumidora de drogas em festas “rave” e praticamente em tudo que é boate de luxo, demais das festas particulares cujo objetivo é a orgia. Mas nesses lugares do “você sabe com quem está falando?” a polícia passa ao largo ou finge que nada vê. Exemplos gritantes de baderna desse gênero são as milionárias “micaretas” apoiadas por verbas públicas e patrocínios geralmente de fabricantes
de bebidas alcoólicas e cigarros.

Esse controle social descaradamente discriminador é, talvez, necessário para desviar a atenção da opinião Pública, e nada mais sugestivo que demonizar o Funk associando-o ao tráfico e ao uso de drogas. Paradoxalmente, as “patricinhas e os “mauricinhos” passaram a frequentar bailes Funk e namorar pés-de-chinelo, um problemão para a elite, que não consegue evitar o êxodo de seus filhotes para a periferia e áreas favelizadas onde geralmente são realizados os “endemoninhados festejos”.
Bem, como o motivo da discriminação não pode ser explícito, parte-se para a proibição do Movimento Funk sob o pretexto de que essas festas populares não passam de reunião de pessoas com o fim único de consumir drogas. Claro que parte da imprensa adota a ideia da repressão, em especial porque os filhotes de seus anunciantes se incluem entre as “patricinhas” e os “mauricinhos”. Deste modo sutil como patada de elefante tenta-se retirar a poltrona da sala para evitar a infidelidade geral.
Fui comandante do Nono Batalhão da PMERJ de abril de 1989 a abril de 1990. Muitos bailes Funk ocorreram naquela região abrangida pela Unidade Operacional em questão e eu jamais os desautorizei. Em compensação, eu os policiava preventivamente como se fosse um evento público qualquer, entendendo como direito das pessoas simples a participação no evento. Não havia bandidos armados nem consumo de drogas à vista da polícia, como ocorrem nas “micaretas”, festas em que a polícia prefere não se meter para evitar represálias dos poderosos que as organizam. Afinal, os policiais não passam de integrantes da Senzala a serviço da Casa-grande, e eles sabem disso.
Proibir bailes Funk é evidente discriminação, sim, o que a Carta Magna condena. Conceber-se o Funk como “movimento” a facilitar o tráfico e o uso de drogas, – esquecendo-se de que o mal igualmente acontece em iates, festas rave, embalos em boates, micaretas e quejandos, – significa consagrar a hipocrisia. Afinal, a pouca roupa, o álcool e o erotismo explícito rolam à larga em todos esses lugares.
Ora, o papel da polícia é primar pela defesa da igualdade de direitos. Porque, se houver o anúncio de baile Funk em qualquer lugar e a PMERJ ocupá-lo preventivamente, os traficantes não se arriscarão a ostentar armas em meio aos participantes, que, decerto, não querem morrer por conta de tiroteios. Desejam se divertir, o que lhes é de direito.
Portanto, não se pode simplesmente proibir a realização de baile Funk. Isto é ilegalidade a serviço da elite, e de nada adiantará à polícia manter-se no papel exigido pela elite que não deseja criar netinhos e netinhas de pele morena gerados por seus filhotes brancos, muitos deles (ou delas) viciados em drogas e amantes do Funk e de funkeiros com os quais “ficam”...
Curioso é que, escrito este artigo faz mais de uma semana, deparo no Jornal O GLOBO de hoje, 12/08/2009, com uma Opinião que abaixo transcrevo. Alvíssaras! Imaginava-me isolado em minha opinião e preparado para receber os petardos devidos. Talvez até ainda os receba, mas agora possuo um forte escudo a me garantir proteção. Vai então para o meu prelo particular!...